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Humorista sérvio usa fado de Amália e Ricardo Araújo Pereira para protestar contra cancelamento de programa. Novos patrões são portugueses

Programa de Zoran Kesic, habitualmente crítico do governo sérvio, foi cancelado por decisão de novos donos, que são portugueses. Sociedade garante que critério foi económico.

Mariana Lima Cunha
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O que faz um humorista sérvio a gravar uma mensagem em português, dirigida ao “estimado povo de Portugal”, e a rematar o seu programa habitual com um fado de Amália Rodrigues? Um protesto. Neste caso, contra a sociedade de capital de risco de dois portugueses que comprou a empresa que detinha o programa — e que acabou com este, comunicando que não ia renovar o contrato.

O humorista é Zoran Kesic e o programa, 24 Minutos com Zoran Kesic, está há 13 anos no ar (primeiro na Sérvia, desde 2019 também na Bósnia e Montenegro), com boas audiências: este verão, conta o Público, que assistiu à gravação do primeiro episódio da nova temporada, o programa tinha quase 200 mil espectadores semanais e era um dos vinte mais vistos da Sérvia. Agora, poderá ser visto apenas no YouTube. 

“Estimado povo de Portugal, o meu nome é Zoran Kesic e sou apresentador de um programa de televisão popular e muito querido na Sérvia. Há 13 anos que, através da sátira, da crítica e do humor, falamos sobre as questões políticas do nosso país. Uma coisa parecida com o vosso Ricardo Araújo Pereira… só que com mais cabelo e mais problemas no país”, diz o humorista no programa disponível no YouTube, explicando que para milhares de famílias nos Balcãs o programa é “precioso” — “como para vocês é o fado”.

https://www.youtube.com/watch?v=lkTCTmGM34s

É neste contexto que se ouve cantar o “Fado final”, de Amália Rodrigues. Tudo para que o humorista se dirija aos portugueses Pedro Vargas David e Luís Santos, que detêm a Alpac Capital e através da sociedade compraram a estação de televisão Nova S, onde o programa é transmitido.

Entretanto, o humorista recebeu a notícia de que o seu contrato na estação privada não seria renovado (apesar de ter chegado a ser assinado, em junho, antes da chegada da sociedade dos dois portugueses).

Kesic respondeu assim às acusações de que é crítico do Governo sérvio e do Presidente, Aleksandar Vucic, porque “é pago por Moscovo”. Em resposta à RTP, Expresso e Público, que acompanharam a gravação do programa em Belgrado, a Alpac falou numa decisão “puramente económica” de cancelar o programa, “um dos mais caros da grelha”. Já Kesic não acredita na explicação e garante que a razão foi “estritamente política”, até por haver eleições marcadas na Sérvia para daqui a menos de um mês.