Um dirigente do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) previu esta segunda-feira que o chanceler alemão, Friedrich Merz, já não estará no poder “no final do ano”.
“O crepúsculo do chanceler começou”, disse em conferência de imprensa Leif-Erik Holm, que venceu no domingo as eleições regionais em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha.
A codirigente da AfD, Alice Weidel, avaliou que o seu partido já substituiu a União Democrata-Cristã (CDU) de Merz como o “partido popular” dominante na vida política alemã.
“Pela primeira vez na sua história”, o partido conservador CDU – que não conseguiu atingir a marca dos 5% necessária em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental – “não está sequer representado num parlamento” regional, sublinhou Weidel.
Holm acrescentou que “o chanceler não chegará certamente ao final do ano”.
No domingo, as sondagens à boca das urnas da emissora pública ARD indicavam que a União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita, liderada por Merz, obteria apenas 5% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental — o resultado mais baixo de sempre desde a Segunda Guerra Mundial para o partido em qualquer estado.
A AfD aparece como o mais votado em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e em Berlim também sobe na votação.
Nas eleições em Berlim, também realizadas neste fim de semana, a CDU surge em segundo lugar com 20%, atrás do partido A Esquerda com 24,5%, segundo a sondagem da ARD.
Merz reconheceu que o resultado da CDU foi “um desastre”, mas rejeitou qualquer recuo na agenda de reformas do governo e ainda deixar o cargo.
O chanceler defendeu que os problemas económicos e políticos da Alemanha tornam as reformas potencialmente impopulares, são mais urgentes e comprometeu-se a avançar com “determinação, firmeza e paciência”.
Friedrich Merz é, segundo as sondagens, o chanceler mais impopular desde a fundação da República Federal da Alemanha, com apenas 10% de apoio.