Um comentador político explica factos complexos com clareza e rigor para ajudar o público a compreender a atualidade. Caso contrário, é recomendável que vá comentar para o sofá de casa. Opina, evidentemente, mas cabe ao jornalista apurar os factos e corrigir um comentador que foge da realidade. Era o que faltava que o comentário substituísse a notícia. Isso é tragédia num só acto. E foi. Na CNN Portugal, durante o espaço ocupado pelo major general Agostinho Costa. Mentiu, o militar felizmente na reserva, mentiu, mentiu. As suas ideias sobre o massacre de 7 de Outubro de 2023, afogadas no dilúvio de delírio deliberado, resumem-se a um conjunto vazio de mentiras. Nao é o seu estilo soprano alto de como conta a viagem do desvario que transforma inverdades em verdade. Pode ficar sete dias inteiros em soprano alto que o timbre na escala maior não lhe dá razão. O que diz sobre a matança perpetrada pelo Hamas na terra de Israel não corresponde ao sucedido e o jornalista, que cavava perguntas, não cumpriu o trabalho que compete a qualquer jornalista, aqui e no Polo Norte: quando se depara com um comentador, ou quem seja, a mentir, precisa de fazer o contraditório e repor a verdade dos factos em tempo real, actuando como um garante da precisão e do interesse público.
Especialista em distorcer a realidade para o lado que lhe convém e simpatiza, Agostinho Costa usa, porque lhe escancaram a porta, os minutos de antena televisivo para palanque de defesa obstinada. Disse que a maioria das vítimas do Festival Nova pertenciam às IDF. Errado. Leia, com óculos, graduados, não os de Sol, o relatório da Amnistia Internacional; folheie a página 11. Dos 378 mortos, 344 eram civis, 34 estavam ligados à segurança, 16 integravam o exército, sendo que 12, nesse Sábado, estavam de folga. O Major General insinuou que as forças israelitas, de propósito, demoraram a chegar ao local para facilitar os canibais do Hamas a liquidar todos os que pudessem. Deixou subentendido que a maioria dos veículos, no Festival Nova, haviam sido danificados com rajadas de cima, para assim dar a entender que os atiradores pertenciam ao exército de Israel. Vá ao local e veja os carros com marcas das rajadas AK-47, ambulâncias com as mesmas rajadas de fuzil automático de Kalashnikov de 1947, destruídas pelas granadas colocadas pelo Hamas e onde pessoas se escondiam na derradeira tentativa de serem salvas. Não foram. Foram derretidas.
Diante de um ataque terrorista documentado, aliás, documentadissimo, a barbárie foi filmada e transmitida em directo pelos criminosos do Hamas, o Major General Agostinho, de peito inflado, afirma que os mortos do 7 de Outubro são da responsabilidade do exército israelita. Isso. As Forças de Defesa de Israel mataram os jovens no festival, os habitantes do kibutzim, todos, todos. Há moleiras capazes de armazenar muita resíduos e há também um canal de televisão que consente a loucura.
Foi o Hamas que matou 364 pessoas que dançavam no Festival Nova. Foi o Hamas que invadiu os kibutzim e assassinou quem lá morava e estava. Foi o Hamas que degolou, queimou, executou idosos, crianças, jovens, bebés, homens, mulheres, famílias inteiras. Foi o Hamas, o Hamas, que decepou cerca de dois mil inocentes. Agostinho tentou e tenta converter as vítimas em fogos amigos e, inclusive, em problemas. Não, não. As almas dos cadáveres que lhe entrem pelas narinas.
Os jovens que dançavam, os moradores dos kibutzim, os trabalhadores estrangeiros, os corpos retalhados e as mulheres violadas, os reféns levados para os confins de Gaza, o bebé desmembrado e o pequenino irmão que também veio cortado dentro do caixão com a mãe, desmentem a tese do major general Costa. Ver o massacre de 7 de Outubro como uma operação militar contra militares é estar cego no entendimento da civilização. É preocupante, e estranho, a constante presença na comunicação social de alguém com ideias incompatíveis com a civilização , que se agarra a fontes não credíveis com o fito de sustentar teses com morada na avenida do Brasil, portão 53.