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Comissão de Inquérito ao caos nos exames nacionais vai avançar

PS vai aprovar comissão de inquérito aos problemas registados com os exames nacionais proposta pelo Bloco de Esquerda. Chega já tinha sinalizado voto no mesmo sentido. Ministro terá de dar explicações

Agência Lusa
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Rita Tavares
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O Secretariado Nacional do PS propôs esta quarta-feira o voto a favor do grupo parlamentar socialista na comissão de inquérito sobre o processo de classificação digital dos exames nacionais apresentada pelo BE, adiantou à Lusa fonte oficial deste órgão.

A reunião do Secretariado Nacional do PS decorreu esta quarta-feira e, no final, fonte oficial disse à Lusa que este órgão entendeu propor ao grupo parlamentar, que se reúne quinta-feira, que os deputados socialistas votem favoravelmente o inquérito parlamentar proposto pelo BE, que foi esta quarta-feira discutido e será votado na sexta-feira no parlamento.

Horas mais tarde, em entrevista à SIC Notícias, José Luís Carneiro explicou porquê. “Foi lançada a dúvida, a incerteza e a insegurança num momento fundamental da vida das famílias, alunos e dos próprios professores. Há várias matérias que são graves“, disse.

O inquérito parlamentar deverá assim ser viabilizado já que, na terça-feira, o presidente do Chega, André Ventura, tinha anunciado que o partido iria votar a favor desta comissão para apurar responsabilidades na conceção e execução dos exames nacionais.

Na perspetiva do Secretariado Nacional do PS, o “desmantelamento do Ministério da Educação tem tido fortes impactos não só nos exames, mas no arranque do ano letivo”.

A mesma fonte referiu ainda que o PS fez um “conjunto vasto de perguntas” ao ministério liderado por Fernando Alexandre que “não foram esclarecidas”. “O PS ponderou, caso essas questões não fossem respondidas de forma satisfatória, ter a iniciativa do próprio grupo parlamentar apresentar uma proposta de inquérito parlamentar”, lembrou ainda.

A proposta do BE para a constituição de uma comissão de inquérito para apurar responsabilidades na conceção e execução dos exames nacionais foi admitida pelo presidente do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, no início de julho.

Com a sua proposta de inquérito parlamentar, o BE pretende apurar “a dimensão e o significado do processo de classificação digital dos exames nacionais de 2025 e 2026, a relevância das falhas alegadamente verificadas na conceção e a execução e supervisão desse processo”.

O Bloco quer aprofundar quais «as consequências para os alunos, designadamente no acesso ao ensino superior, para os professores classificadores e para a restante comunidade educativa, bem como o impacto da reorganização orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e da criação de novas entidades (AGSE, EduQA, I.P., reorganização do Júri Nacional de Exames) no funcionamento do sistema público de avaliação externa».

Nesse sentido, o objeto do inquérito visa conhecer em profundidade as “decisões, contratações e responsabilidades na conceção e execução da classificação digital dos exames nacionais de 2025 e 2026, incluindo a identificação das entidades envolvidas, dos contratos celebrados, dos custos incorridos e dos mecanismos de fiscalização”.

Uma eventual comissão parlamentar de inquérito, segundo o BE, deverá ainda analisar “os efeitos da reorganização orgânica do MECI na preparação e execução daquele processo, designadamente na capacidade institucional das novas entidades e na articulação com o Júri Nacional de Exames”, assim como as “consequências verificadas para os alunos, em especial no acesso ao ensino superior”.

Em linhas gerais, pretende-se apurar “responsabilidades políticas, administrativas e, se for o caso, financeiras, decorrentes dos factos objeto do inquérito”.