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(A) :: O candidato a melhor ministro da educação

O candidato a melhor ministro da educação

É muito curioso que, cada vez que há um ministro que tem capacidade de fazer mudanças, a corporação que ele tutela começa de imediato a fazer tudo para o destituir.

Bruno Bobone
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Um ministro que decidiu avançar com algumas transformações sem se esconder atrás do medo de ser criticado, que deu sempre a cara quando as coisas correram menos bem e, mais importante, esteve sempre presente a tentar solucionar os problemas criados, que em todos os casos acabaram por ser resolvidos a contento de todos.

Não há mudança sem dor.

Sempre que se muda cria-se uma nova forma de agir e isso leva muitas vezes a termos que estar atentos aos efeitos que essa mudança criou.

Mudamos algo porque acreditamos que o resultado será melhor, mas é sempre imprevisível a quantidade de efeitos que uma mudança acarreta e esses efeitos podem sempre trazer uma disfuncionalidade que terá que ser corrigida.

Foi isso que aconteceu no caso da correcção dos exames que acabaram por atrasar uma semana a apresentação dos resultados de uma quantidade de alunos que, apesar de não ser enorme, para cada um deles foi, naturalmente, uma inquietação.

Contudo, uma semana de atraso não é em nenhum caso uma questão relevante e, principalmente, demonstra a qualidade do acompanhamento que este ministro deu a um problema que a imprensa e a oposição tentaram aproveitar e aumentar, como forma de ganhar pontos junto eleitorado, os segundos, e encher telejornais os primeiros.

Agora, os mesmos arautos das desgraças, que delas vivem, enchem as notícias com o tema das faltas de colocações nas escolas.

É claro que deve ser uma preocupação, mas é, acima de tudo, uma constatação de uma realidade.

A candidatura às vagas do ensino é da escolha dos candidatos e, assim, pode acontecer que as escolhas tenham coincidido em excesso nas mesmas ofertas e que tenham alterado significativamente a distribuição dos alunos pelas diferentes regiões.

E o que é que o ministro tem a ver com isto?

Não está na sua mão fazer qualquer diligência que permita que isto não suceda nem lhe compete fazê-lo.

Aquilo que fez e que considero muito bem feito, foi envolver-se de imediato na solução do problema, mal se deu conta de que existia e tentar diminuir os seus efeitos junto dos que se encontravam na dita situação.

É muito curioso que, cada vez que há um ministro que tem capacidade de fazer mudanças, a corporação que ele tutela começa de imediato a fazer tudo para o destituir.

O objectivo da corporação é, como diz o estudo do Prémio Nobel James Robinson e de Nuno Palma, um dos maiores factores do atraso português, e isso podemos facilmente verificar em diversos casos da nossa história, como foram Maria de Lurdes Rodrigues – ao introduzir a avaliação dos professores -, António Correia de Campos – ao fazer mudanças profundas no SNS e o controlo da assiduidade – e Leonor Beleza – com as alterações das carreiras médicas, remunerações e condições de trabalho – que foram contestados fundamentalmente por tentarem melhorar a eficiência daqueles profissionais, fundamentais à vida e desenvolvimento do português comum.

Por tudo isto acho que este ministro merece mais louvor do que crítica e espero que a gula de ganhar votos e audiências não ajude a destruir aquilo que está a ser bem construído.