O buraco na camada de ozono aumentou mais cedo do que é costume e mantém-se acima da média, podendo aumentar ainda mais, indica o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus (CAMS) num comunicado divulgado esta quarta-feira.
A propósito do Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono, que se assinala esta quarta-feira, o serviço europeu de observação da Terra diz no comunicado que na primeira quinzena deste mês a área do buraco na camada de ozono aumentou acentuadamente, para cerca de 25 milhões de quilómetros quadrados.
Um valor, a 12 de setembro, cerca de cinco milhões de quilómetros quadrados acima da média para o período e com as previsões a indicarem um possível aumento adicional ainda este mês.
O CAMS especifica no comunicado que o buraco da Antártida se tem desenvolvido a um ritmo típico desde a segunda quinzena de agosto, consistente com os últimos 46 anos, tendo chegado aos 15 milhões de quilómetros quadrados no fim do mês.
A redução no ozono na estratosfera do hemisfério sul, explica o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, acontece porque as baixas temperaturas permitem a formação de nuvens estratosféricas polares, que influenciam a ativação da remoção química do ozono.
O rápido aumento do buraco da camada de ozono agora verificado coincidiu com uma descida repentina da temperatura mínima a aproximadamente 20 quilómetros acima do Polo Sul.
O CAMS nota, no entanto, que outros indicadores do buraco da camada de ozono monitorizados “permaneceram próximos dos valores médios”.
“O desenvolvimento do buraco na camada de ozono da Antártida pode variar consideravelmente de ano para ano, dependendo de uma série de fatores atmosféricos e químicos”, explica no comunicado Laurence Rouil, diretor do CAMS.
A camada de ozono protege a vida na Terra contra a radiação ultravioleta (UV), uma das principais causas de cancro da pele, absorvendo grande parte dela.
Ao longo de quase meio século, as emissões provocadas pelas atividades humanas diminuíram a camada protetora.
O buraco na camada de ozono da Antártida, que tem vindo a ser monitorizado desde o final da década de 1970, atingiu a marca recorde de 29,6 milhões de quilómetros quadrados em setembro de 2006. Medidas de proteção tomadas nos últimos anos têm levado a uma recuperação.