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(A) :: Moedas defende "cancelamento imediato" do sistema Volta, que gerou "um drama social sem precedentes"

Moedas defende "cancelamento imediato" do sistema Volta, que gerou "um drama social sem precedentes"

Política de reciclagem e de reutilização "é necessária", afirma o social-democrata Carlos Moedas. Mas "não deve ser nem um imposto, nem um drama social".

Agência Lusa
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O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), pediu esta terça-feira ao Governo (PSD/CDS-PP) para “cancelar de imediato” o sistema de depósito de embalagens Volta, com o reembolso de 10 cêntimos, afirmando que gerou “um drama social sem precedentes”.

“Este verão trouxe também um novo desafio: o sistema Volta, a política de reciclagem e de reutilização é necessária, e uma cidade como a nossa tem de ter a preocupação de cada vez reciclar mais, mas uma política ambiental não deve ser nem um imposto, nem um drama social”, afirmou o social-democrata Carlos Moedas, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa.

Na apresentação do trabalho do executivo camarário entre junho e agosto, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse que o sistema Volta tem sido “um imposto para quem paga e um drama social sem precedentes na cidade”.

“Mais uma vez, eu peço ao Governo para fazer exatamente como foi feito em França, cancelar de imediato este sistema. É uma boa intenção. É um mau resultado. Não queremos”, expressou Carlos Moedas.

Em funcionamento desde 10 de abril, o sistema Volta permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos pontos existentes para o efeito em Portugal continental, Açores e Madeira.

O sistema de depósito de embalagens tem provocado impactos negativos na higiene urbana em Lisboa, bem como em outros municípios, com contentores remexidos ou mesmo despejados na via pública, com o objetivo de obter o respetivo reembolso.

Sobre o trabalho do executivo municipal nos últimos três meses, o autarca do PSD agradeceu aos trabalhadores da CML e das 24 juntas de freguesia na limpeza da cidade, respondendo a mais de 100 eventos que ocorreram na capital durante este período, nomeadamente as Festas de Lisboa, a Feira do Livro, o Mundial de Futebol, o Rock in Rio, a Volta a Portugal e o Kalorama, adiantando que foram colocados 2.600 contentores para garantir que a cidade continuava limpa.

A este propósito, a deputada do PCP Sofia Lisboa manifestou satisfação por Carlos Moedas defender o fim do sistema Volta, mas ressalvou que esse posicionamento do presidente da CML não permite ficar descansada quanto ao tema, criticando a “subordinação do Governo a interesses privados”.

“Quem é que paga este sistema”, interrogou a comunista, lamentando o fenómeno de remexer no lixo à procura de embalagens com o símbolo Volta.

Sofia Lisboa disse ainda que os dados recentes colocam Lisboa como o município com maior número de reclamações sobre lixo urbano, afirmando que “contentores a transbordar, acumulação de resíduos, falta de limpeza, maus odores e proliferação de ratos e baratas são problemas de salubridade pública e de qualidade de vida”.

A eleita do PCP criticou também a resposta da governação PSD/CDS-PP/IL na CML que, “depois de ter dito que a descentralização tinha sido um problema, parece ser a privatização”, em vez de reforçar os meios, os trabalhadores e a capacidade pública de intervenção.

Na resposta, a vereadora da Higiene Urbana, Joana Baptista (independente eleita pelo PSD), contrapôs que “há uma grande diferença entre contratar externamente e privatização” e garantiu que as reclamações pelo lixo não aumentaram no ano vigente, mas sim reduziram-se.