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(A) :: Vice da Palantir critica "avisos apocalípticos" sobre a IA. É uma "tentativa de golpe" de grupo "com ideologia perigosa"

Vice da Palantir critica "avisos apocalípticos" sobre a IA. É uma "tentativa de golpe" de grupo "com ideologia perigosa"

Shyam Sankar, da Palantir, condena a "ideologia" de "altruísmo eficaz" que definiu o movimento da segurança da IA. Critica uma "tentativa de golpe" e a obsessão de "quantificar o risco existencial".

Cátia Rocha
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Ainda que alguns dos principais nomes da indústria pareçam estar de acordo sobre a necessidade de uma pausa no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), há opiniões que vão no sentido contrário. Depois de Donald Trump apontar a “uma conspiração doentia contra a IA”, é agora a vez de o diretor tecnológico e vice-presidente executivo da norte-americana Palantir tecer críticas aos investigadores e empresários que têm alertado para os riscos da inteligência artificial (IA).

Num artigo de opinião, intitulado “A ideologia perigosa por trás dos avisos da IA”, Shyam Sankar considera que há “razões para ceticismo”, descrevendo os avisos feitos sobre um risco existencial como “vagos e apocalípticos”.

https://twitter.com/ssankar/status/2099645313287926080

Na semana passada, um ex-investigador da Anthropic alertou sobre a possibilidade de um risco existencial gerado pelo avanço tecnológico, afirmando que “nenhuma outra atividade humana representa este nível de perigo”. “As pessoas que estão a trabalhar em IA acreditam que [a tecnologia] nos pode matar até ao fim da década”, afirmou Jacob Coxon, que se demitiu da Anthropic na semana passada. 

https://observador.pt/especiais/empresas-de-ia-estao-a-arriscar-as-nossas-vidas-dez-perguntas-sobre-o-alerta-que-pos-um-prazo-na-humanidade/

Para o diretor tecnológico da Palantir, a empresa que fornece software de análise de dados a governos e agências militares, “os avisos de Coxon e de outros estão impregnados de uma ideologia denominada ‘altruísmo eficaz’.” Este é um conceito que, em teoria, procura determinar as formas mais eficazes de beneficiar os outros. Na primeira reação a Coxon, no X, Sankar perguntou “será que o James Cameron nos tramou?”, uma referência ao realizador do filme Exterminador Implacável.

https://twitter.com/ssankar/status/2097749840243691758

No artigo publicado no The Free Press, Sankar afirma que o “altruísmo eficaz é a força invisível que está a comandar o discurso sobre a segurança da IA”, criticando uma “filosofia utilitarista” que diz usar “provas e razão para fazer o bem”. Segundo Sankar, está em curso uma “tentativa de golpe” por um grupo que “está a tentar restringir o acesso à tecnologia mais importante do século XXI”.

Do ponto de vista do diretor tecnológico da Palantir, “o movimento está obcecado com quantificar o risco existencial — um facto que explica a razão para o discurso à volta da IA ter tido uma viragem apocalíptica”.

https://observador.pt/2026/09/09/investigador-da-anthropic-demite-se-e-deixa-avisos-sobre-a-ia-pode-matar-nos-a-todos-ate-ao-fim-da-decada/

O executivo diz que “os pessimistas da IA são a vanguarda leninista da era algorítmica”, que consideram que têm o papel de “traçar o futuro desta tecnologia, e a nós, acatar”. “Tal como no século XX, esta é uma receita para o desespero e o declínio.” Sankar afirma que, embora as vozes que alertam para os riscos “aleguem racionalidade e precisão, não oferecem nem uma nem outra”.

Shyam Sankar considera que o altruísmo eficaz “é o sistema de crenças da maioria dos investigadores de IA”. “É uma situação endémica na comunidade dedicada à segurança da IA, em todos os laboratórios e organizações sem fins lucrativos”, afirma.

O diretor tecnológico da Palantir menciona Sam Bankman-Fried, fundador da falida FTX e condenado a 25 anos de prisão por fraude, como um exemplo de um altruísta eficaz. E menciona o investimento de 500 milhões de dólares da FTX na Anthropic como um exemplo de ligação.

https://observador.pt/2024/03/28/ex-ceo-da-plataforma-ftx-condenado-a-25-anos-de-prisao/

“Os altruístas eficazes estão a investir avultadas somas para promover as suas ideias nas instituições americanas”, afirma Sankar. Há “instituições e fortunas que se sobrepõem, financiando uma luta para determinar quem controla o futuro.”

O diretor tecnológico da Palantir considera que “a consolidação de poder vai ter consequências”. E, embora também admita “riscos reais da IA, como em qualquer nova tecnologia”, defende que “o povo americano provou ter uma capacidade única de adotar e dominar nova tecnologia”.

“A IA é poderosa”, afirma. “É exatamente por isso que não podemos virar-lhe as costas agora.” Do ponto de vista de Sankar, é esta tecnologia que “está a garantir os próximos 250 anos de grandeza dos EUA”. O executivo considera que esta tecnologia “é o antídoto para a revolução da gestão do século XX” e o “caminho mais viável para restabelecer uma ligação entre o crescimento do PIB e dos salários, que cessou em 1971”. Shyam Sankar publicou este ano um livro sobre o assunto:Mobilize: How to Reboot the American Industrial Base and Stop World War III (Mobilizar: Como reiniciar a base industrial americana e parar a Terceira Guerra Mundial).

O responsável da Palantir considera que “a vanguarda do altruísmo eficaz tem operado sem escrutínio público até agora”, sublinhando que “isso tem de mudar”. Afirma que, no sistema democrático, quem defende o abrandamento da IA “tem de convencer o resto” da comunidade “de que as suas políticas são sólidas, em vez de contornar o debate com táticas de intimidação numa tentativa de assumir o controlo”.

Pede ainda aos governantes e dirigentes públicos que “tenham cuidado e que não se alinhem com os oligarcas tecnológicos escondidos”. “Há um conceito, com frequência atribuído a Lenine, para aqueles que caem na armadilha da vanguarda: são os idiotas úteis”, escreve.

O artigo de opinião de Sankar surge depois de vários executivos de Silicon Valley, incluindo da Nvidia, criticarem os pedidos para se abrandar o ritmo de desenvolvimento da IA. Durante o fim de semana, Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, mostraram disponibilidade para abrandar o ritmo dos avanços da IA para acautelar a segurança.

https://observador.pt/2026/09/14/lideres-de-silicon-valley-rejeitam-apelos-para-travar-desenvolvimento-da-ia-e-apontam-o-dedo-aos-oligopolios/

A Palantir Technologies, que é liderada por Alex Karp, foi criada em 2003. O multimilionário Peter Thiel é um dos cofundadores. A empresa tem contratos com entidades como o Departamento de Defesa dos EUA ou o FBI. Especializa-se em software que agrega dados dispersos e apresenta informações que são usadas na área da segurança e atividade militar. O facto de a tecnologia da empresa, incluindo a IA, ser usada para fins militares já gerou protestos e contestação em vários países.