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(A) :: Vem aí a geração mais pé-rapada de sempre 

Vem aí a geração mais pé-rapada de sempre 

A verdade é que agora a escola serve para mais. Serve para as crianças aprenderem a ler, escrever e contar com alguém que no futuro as sustente, porque não vão ter habilitações para o fazerem sozinhas

José Diogo Quintela
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O país está chocado com os resultados dos alunos portugueses no PISA. Em Ciências Leitura e Matemática caíram vários pontos em relação a 2022. A chatice é que o PISA não mostra quantos pontos é que os nossos jovens alunos subiram em Felicidade. Além do PISA, devia haver o RISA, uma análise quem medisse os sorrisos dos petizes. Aposto que os nossos rebentavam a escala. Em Ciências, 482 pontos, não é bom; Em Leitura, 462 pontos, deixa a desejar; Em Matemática, 460 pontos, é pouco; Mas em Felicidade, infinitos vezes mil pontos, é fantástico!

Em 2015, quando o PS chegou ao Governo, apoiado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, uma das primeiras medidas que tomou foi o fim dos exames escolares. Juntamente com um relaxamento dos currículos e da exigência, fazia parte da estratégia da Geringonça para tornar o sistema educativo mais fofinho. Na altura, Catarina Martins, porta-voz do BE, revelou: “Perguntaram-me se eu quereria ser operada por um cirurgião que em vez de testado na escola tenha sido feliz na escola. Não tenho nenhuma dúvida; quero que tenha sido feliz, porque se aprende melhor quando se é feliz a aprender. (…) Troquemos o facilitismo de Nuno Crato pela exigência da gargalhada”.

Passada uma década, há que reconhecer que Catarina Martins tinha razão. Em parte, pelo menos. Houve aqui uma permuta pela gargalhada. Não sei bem o que acabámos por dar em troca, mas que há agora uma abundância de gargalhadas, isso há. Cá e em países que estavam atrás de nós nestes rankings e agora nos ultrapassaram. Devem estar fartos de rir.

Catarina Martins representava uma corrente de pensamento – que governou durante uma década – que considera que a escola tem imensas missões que se sobrepõem à de ensinar jovens. Não serve apenas para as crianças aprenderem ler, escrever e contar. E, graças às políticas que aplicaram, a verdade é que agora a escola serve para mais. Serve para as crianças aprenderem a ler, escrever e contar com alguém que no futuro as sustente, porque não vão ter habilitações para o fazerem sozinhas.

Não sei se há testes PISA que medem as competências em Educação Física, mas as das nossas crianças devem ser excelentes. Andam a cair há vários anos e não há uma perna partida, um cotovelo deslocado, um traumatismo craniano, nada.

Entretanto, nas várias autópsias que se fazem depois da publicação destes resultados, há muita gente a dizer que este descalabro não pode ser assacado às tais políticas de abandalhamento da educação, porque a queda é transversal a quase todos os países da OCDE. Este argumento merece dois comentários: 1) não nega que eram políticas de abandalhamento, defendem é que não foi por isso que caímos; 2) sugere que o facto de a queda ser geral se deve a factores comuns, como a pandemia ou o uso intensivo de ecrãs. Ora, sucede que, para isso ser verdade, teríamos de ter começado a cair ao mesmo tempo que os outros países da OCDE e isso não aconteceu. Nós atingimos o ponto máximo em 2015 e foi a partir daí que começou o trambolhão, enquanto a média da OCDE já vinha a cair desde 2008.

Ou seja, enquanto a média da OCDE descia, os nossos resultados ainda subiam, chegando mesmo a ultrapassá-la em 2015. Lá está, o último registo antes de trocarmos o que fazíamos (e que nos tinha levado nessa trajectória ascendente até ultrapassar a média da OCDE) pelas tais gargalhadas. Que nos precipitaram de novo para o abismo. Os nossos alunos estão hoje ao nível que estavam em 2006. Para termos uma ideia do nível intelectual da época, meses antes o país em peso olhou para José Sócrates e pensou: “Sim, senhor! Está aqui um grande estadista. Vamos dar-lhe a maioria absoluta”. Significa que estão reunidas as condições para se registar novo desastre. Felizmente, desta vez estamos preparados para lidar com isso. Pois agora todos sabemos gargalhar.