Francesco Totti fez 786 jogos pela Roma. Marcou 306 golos e assinou 197 assistências. Conquistou a Serie A, a Taça de Itália, a Supertaça. Quando deixou os relvados, em maio de 2017, foi ovacionado por um Olímpico emocionado e já cheio de saudades do que tinha acabado de terminar. É, sem sombra de dúvidas, o jogador mais importante da história do clube. Por isso, quando Francesco Totti fala, todos ouvem.
E desta vez, numa frase que dificilmente alguém poderia adivinhar há alguns meses, Francesco Totti falou sobre Rodrigo Mora. O jovem português chegou à Roma este verão, fez dois jogos como titular e outros dois como suplente utilizado e já se estreou a marcar, contra o Lecce. Ainda assim, o impacto de Mora ainda não justificou propriamente o investimento de 25 milhões de euros que os italianos decidiram fazer — e Totti pede tempo, mas exigência.
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“Estamos a falar de um rapaz de 2007 que mudou de cidade, de cultura, de forma de trabalhar. É um jovem e é preciso estar ao seu lado, dar-lhe tempo. Mas claro que, se os valores forem esses, tem de fazer a diferença imediatamente”, atirou o antigo avançado em declarações ao jornal La Gazzetta dello Sport, numa entrevista em que também se mostrou otimista em relação à temporada do clube.
Era neste contexto que a Roma visitava esta segunda-feira o Torino. Com três vitórias nas três primeiras jornadas da Serie A, a equipa de Gian Piero Gasperini tinha a possibilidade de saltar para a liderança graças ao empate da Lazio com o AC Milan de Ruben Amorim — tal como acontecia com o Inter Milão, que também venceu os três primeiros jogos e recebe a Udinese horas mais tarde. Com um arranque de temporada muito positivo, Gasperini não esconde a ambição, mas mantém o cinismo de quem sabe que também acabou de empatar com o Fenerbahçe em Istambul no arranque da Liga dos Campeões.
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“Vai ser um jogo muito difícil, contra uma equipa determinada. Será um grande jogo e precisamos de ter a equipa no seu melhor. Vamos ter de esquecer o último jogo e pensar apenas nos próximos. Temos de evitar continuar a sofrer golos tão cedo na segunda parte. Fizemos bons jogos, mas concedemos esses golos nas segundas partes e é muito importante que não volte a acontecer”, explicou o treinador italiano, que também aproveitou para deixar mais elogios a Rodrigo Mora, defendendo que é um jogador “muito talentoso, de classe mundial”, mas que ainda tem de crescer “fisicamente, principalmente, mas também taticamente”.
Assim, em Turim, Gian Piero Gasperini apostava em Paulo Dybala e Donyell Malen no ataque, apoiados por Matías Soulé, com Rodrigo Mora a começar novamente no banco tal como tinha acontecido contra o Fenerbahçe. Do outro lado, num Torino que vinha da primeira vitória da temporada contra a Fiorentina, Ignazio Abate lançava Giovanni Simeone e Nikola Vlasic no setor mais adiantado, sendo que Ché Adams está lesionado, e também deixava Daniel Bragança no banco.
Numa primeira parte interessante, a Roma esteve quase sempre por cima e foi criando várias oportunidades para abrir o marcador, acabando por pecar na finalização: Malen cabeceou por cima ainda dentro do quarto de hora inicial (11′), Matías Soulé rematou ao lado (17′) e o mesmo Malen acertou mesmo no alvo, mas o lance foi anulado por fora de jogo (23′). O Torino tinha algumas dificuldades para entrar no meio-campo contrário e causava perigo essencialmente de fora de área, com Eray Cömert a atirar por cima (30′) e Rolando Mandragora a obrigar Mile Svilar a uma defesa atenta junto ao relvado (33′). Já perto da pausa, Malen conseguiu finalmente marcar, num lance confuso em que empurrou a bola no chão e muito em esforço (40′), e a Roma foi para o intervalo a vencer o Torino pela margem mínima.
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Ignazio Abate mexeu logo no início da segunda parte e lançou Daniel Bragança e Alessio Cacciamani. O jogo mudou depois do intervalo, com o Torino a ter mais bola e a Roma a consentir essa iniciativa para tentar explorar a transição rápida no espaço deixado nas costas da defesa, mas a verdade é que a bola andava constantemente afastada das balizas e o tempo foi passando sem oportunidades ou situações de perigo.
Rodrigo Mora entrou ainda antes da hora de jogo, substituindo Matías Soulé e acompanhado por Santiago Castro, que rendeu Malen. Rolando Mandragora poderia ter empatado nesta fase, com um livre direto de pé esquerdo que Svilar defendeu (62′), e Bryan Cristante atirou por cima num lance em que poderia ter feito muito melhor (63′). Gasperini voltou a mexer, colocando Marten de Roon e Manu Koné, e o jogo tornou-se tendencialmente mais partido e anárquico, com um leve ascendente da equipa da casa — muito justificado pela boa entrada de Bragança — que nunca foi materializado em golo.
Já nos descontos, com um remate rasteiro descaído na direita, Niccolò Pisilli ainda fechou as contas de vez e esmagou as esperanças da equipa da casa (90+3′). A Roma venceu o Torino em Turim e somou a quarta vitória em quatro jornadas da Serie A, isolando-se na liderança à frente da Lazio e ainda à condição, já que o Inter Milão pode igualar esse primeiro lugar ainda esta segunda-feira. E enquanto Rodrigo Mora vai usufruindo do tempo que Francesco Totti garante que ainda tem, Donyell Malen vai aproveitando para se tornar o grande abono de família de Gian Piero Gasperini.
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