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Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte invocam direito à independência

Pela primeira vez, os partidos independentistas constituem a principal força política nos Parlamentos escocês e galês desde 1999. O Sinn Féin também é o partido com mais assentos na Irlanda.

Agência Lusa
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Os líderes da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte defenderam esta segunda-feira terem “o direito à autodeterminação” e pediram, num acordo assinado em Cardiff, ao governo britânico para preparar e facilitar a mudança. 

“As nossas nações têm o direito à autodeterminação. Nenhum governo de Westminster tem o direito de impedir a democracia ou de minar o princípio de que os nossos povos decidirão o seu próprio futuro”, lê-se no texto.

O memorando de entendimento foi subscrito pelos primeiros-ministros da Escócia, John Swinney, líder do Partido Nacional Escocês (SNP), do País de Gales, Rhun ap Iorwerth, líder do Plaid Cymru, e da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, colíder do Sinn Féin.

Pela primeira vez, os partidos independentistas constituem a principal força política nos Parlamentos escocês e galês desde 1999, quando a Escócia e o País de Gales passaram a ter os próprios Parlamentos.

O Sinn Féin também é o partido com mais assentos na Assembleia da Irlanda do Norte desde as eleições de 2022.

No entanto, qualquer reforma constitucional tem de ser aprovada pelo Governo britânico, sediado em Londres.

Os signatários reconheceram que “têm posições constitucionais diferentes e que cada nação determinará o seu próprio futuro à sua maneira e no seu próprio tempo”.

“Apelamos ao Governo britânico para que se prepare, planeie e facilite a mudança constitucional em cada jurisdição”, acrescentam.

Numa conferência de imprensa conjunta, Rhun ap Iorwerth admitiu que “os trajetos são diferentes, diferentes na natureza e velocidade”, mas insistiu que “há uma determinação partilhada de que cabe à população decidir”.

O Executivo britânico opõe-se à realização de um novo referendo desejado pelo SNP sobre a independência da Escócia, após o de 2014, no qual prevaleceu o voto a favor da permanência no Reino Unido.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, também excluiu recentemente a possibilidade de uma votação sobre a unificação da Irlanda desejada pelo Sinn Féin.

A questão do futuro constitucional da Irlanda do Norte voltou a surgir este fim de semana, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, comentou que seria “fantástico” uma Irlanda “unificada”.

Os acordos de paz de 1998 preveem que possa ser organizado um referendo sobre a unificação da Irlanda caso o governo britânico considere existir um apoio da maioria dos eleitores da Irlanda do Norte a favor da unificação.