O resultado até foi magro e o jogo até teve poucas oportunidades de golo, mas o dérbi deste domingo entre Manchester United e Manchester City, em Old Trafford, foi recheado de polémica. Phil Foden foi expulso com cartão vermelho direto ainda na primeira parte, Bruno Fernandes escapou incólume ao duelo com o inglês e o golo decisivo de Erling Haaland começou por ser anulado para acabar validado pelo VAR — nenhum dos assuntos, contudo, parece ter ficado encerrado com o apito final.
Começando pelo golo, a verdade é que as incertezas começaram ainda dentro de campo. À passagem da hora de jogo, com o Manchester City em inferioridade numérica há muito tempo, Josko Gvardiol cruzou na esquerda e Haaland apareceu ao segundo poste para abrir o marcador. O golo foi imediatamente anulado por fora de jogo do avançado, mas o VAR interveio — e validou o lance sem sequer chamar o árbitro Michael Oliver, considerando que Patrick Dorgu desviou ligeiramente o cruzamento de Gvardiol, ou seja, que Haaland não poderia estar em posição irregular porque a bola tinha partido de um adversário. Até aí, tudo normal e correto. O problema? Enzo Fernández.
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Depois do cruzamento de Gvardiol e antes de a bola chegar a Haaland, Enzo Fernández faz-se à jogada e ocupa Lisandro Martínez, que acabou por não se preocupar com o norueguês por estar demasiado preocupado com o argentino. Em campo, o VAR considerou que Enzo não teve influência na jogada. Fora de campo, as opiniões dos especialistas foram outras — e a Professional Game Referees, o equivalente ao Conselho de Arbitragem da Premier League, já confirmou que existiu um erro.
“Ficou estabelecido que Enzo Fernández não tocou na bola, logo, todas as possibilidades de fora de jogo tornaram-se subjetivas. Contudo, neste caso, o VAR não reconheceu o provável impacto da sua posição e deveria ter recomendado a revisão. Já contactámos o Manchester United para comunicar que reconhecemos que existiu um erro de avaliação”, pode ler-se no comunicado oficial do organismo. Entretanto, já esta segunda-feira, o The Athletic revelou que Matt Donohue e Blake Antrobus, o VAR e o assistente de VAR que tomaram a decisão, não foram nomeados para a próxima jornada da Premier League e só voltarão às escolhas depois da pausa para os compromissos das seleções nacionais.
Depois do jogo, Lisandro Martínez, que esteve diretamente envolvido na jogada, foi uma das vozes mais críticas em relação à decisão. “Acho que foi fora de jogo, não consigo entender as regras. Mas quero estar calmo agora, quero controlar-me. É muito difícil porque perdemos um dérbi, perdemos três pontos em casa. Todas as temporadas os árbitros explicam-nos as regras durante uma hora e parecem tão confiantes… E depois aparecem cinco ou seis pessoas a cometer este tipo de erros na Premier League. É inaceitável. É o melhor campeonato do mundo, temos as melhores equipas do mundo, os melhores jogadores do mundo. E agora vamos para casa com esta injustiça”, atirou o central argentino do Manchester United.
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Também na zona de entrevistas rápidas, Michael Carrick mostrou-se confuso com o lance. “Atualmente as coisas podem ser corrigidas durante o jogo, existem pessoas em gabinetes a olhar para ecrãs para tomarem estas decisões. É muito preocupante que isto seja a interpretação do futebol atualmente. Se esta é a interpretação que fazemos de não interferir no jogo, isso é muito preocupante. É uma explicação impressionante. A decisão não vai mudar a temporada, mas teve um impacto enorme no jogo”, disse o treinador dos red devils, enquanto que Enzo Maresca, técnico dos citizens, limitou-se a dizer que Erling Haaland estava “claramente em jogo”.
Puxando a fita atrás — e apesar do resultado positivo do Manchester City –, também a expulsão de Phil Foden está a fazer correr muita tinta. O internacional inglês viu cartão vermelho direto ainda durante a primeira parte e após atingir Bruno Fernandes, sendo que os citizens defendem que foi o português a pontapear primeiro o adversário. “Honestamente, acho que o cartão vermelho do Foden foi merecido, mas aplica-se o mesmo ao Bruno Fernandes. Não devia ter acontecido só connosco”, defendeu Maresca, numa opinião corroborada pelo capitão Rúben Dias.
“Estava a falar com o árbitro para perceber se era vermelho ou não, porque fiquei um bocado confuso. Pareceu-me que houve uma agressão antes da do Phil. Mas é capaz de ser das vitórias mais saborosas desde que estou aqui. O jogo tornou-se muito complicado depois da expulsão e o que tínhamos preparado mudou por completo. Estou muito feliz, é uma vitória enorme de todo o grupo. Quando foi preciso defender toda a gente se encontrou, estivemos sempre unidos e houve sempre uma crença enorme de que poderíamos vencer o jogo”, atirou o central, acusando diretamente o colega de Seleção Nacional.
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Entretanto, noutras paragens, as polémicas de arbitragem da Premier League acumulam-se. De acordo com o The Athletic, o Arsenal questionou diretamente a Professional Game Referees sobre a grande penalidade cometida por Ezri Konsa sobre Dan Ballard na visita de sábado ao Sunderland, num lance em que o central agarrou o na grande área na sequência de um canto. Enzo Le Fée acabou por falhar o penálti, permitindo a defesa de David Raya, e os gunners venceram com golos de Bruno Guimarães e Bukayo Saka — mas mantêm as dúvidas sobre um momento que, já na segunda parte, poderia ter mudado a história do jogo.
“Como é que pode ser penálti? Não sei. Não encontro uma explicação, honestamente. É por isso que vou tentar encontrar uma explicação agora. Quero falar sobre o jogo. Sobre o quão bem jogámos, sobre o quão bem o Sunderland jogou, sobre o nível do campeonato, sobre como tudo isto é bonito. Nunca deveríamos estar a falar sobre isto”, defendeu Mikel Arteta após o apito final, considerando ainda que a decisão foi “triste” e que Dan Ballard aplicou “uma manobra de judo” a Ezri Konsa antes de cair.
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