A empresa que gere a rede ferroviária da Ucrânia admitiu que o verdadeiro alvo do ataque russo deste fim de semana na fronteira com a Polónia seria provavelmente um comboio com diplomatas ocidentais que passou pelo local minutos antes.
“É bastante provável que o alvo deste drone russo também pudesse ter sido o comboio diplomático, que partiu da estação mais cedo do que o previsto, no âmbito da revisão em tempo real dos horários dos comboios devido à ameaça constante de ataques russos”, afirmou a empresa responsável pela ferrovia ucraniana segundo o The Guardian.
Entre os diplomatas a bordo do comboio, estava o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o ex-diretor da CIA David Petraeus, o antigo primeiro-ministro sueco Carl Bildt e o conselheiro do chanceler alemão Friedrich Merz, Gunter Sautter.
Entretanto, a Rússia desvalorizou o ataque aéreo e não desmentiu as acusações de que o objetivo fosse atingir o comboio com diplomatas que tinha passado minutos antes na mesma linha. Dmitry Peskov disse esta segunda-feira que forças armadas russas estão “a operar em todo o território ucraniano e continuarão a fazê-lo”.
A alta representante da União Europeia reagiu ao ataque afirmando que este “foi claramente uma mensagem dirigida ao mundo ocidental”. Kaja Kallas disse que “devemos mostrar que estamos aqui pela Ucrânia e que não nos deixaremos intimidar, porque, caso contrário, a Rússia vai conseguir o que quer, que é a submissão da Ucrânia”.
https://twitter.com/BorisJohnson/status/2099158349040214162
“Não sei que lógica distorcida levou Putin a explodir uma locomotiva ucraniana parada na fronteira polaca esta manhã. O que podemos afirmar com certeza é que este é o tipo de ataque aleatório e sem sentido que os ucranianos enfrentam todos os dias — mesmo em linhas ferroviárias civis”, escreveu Boris Johnson no X, em reação ao ataque russo.
Já o primeiro-ministro polaco fez soar os alarmes novamente sobre a ameaça russa à Europa, após a Rússia ter atingido um comboio que fazia a ligação entre Kiev e Varsóvia, a apenas dois quilómetros da fronteira polaca. “A escalada das ações da Federação Russa está a tornar-se uma realidade e os exemplos disso estão cada vez mais próximos das nossas fronteiras”, afirmou Tusk.
“O que se pode esperar é que as próximas semanas e meses sejam um período de ações muito intensas por parte da Rússia. Infelizmente, não podemos excluir a possibilidade de que esta escalada venha também a afetar o nosso território.”
Num vídeo de balanço à sua visita de dois dias à Ucrânia, Boris Johnson também defendeu que é “preciso fazer mais para ajudar a Ucrânia”. “O mais importante de que a Ucrânia precisa é de uma declaração política da NATO, da Europa, da Casa Branca de que o destino da Ucrânia está no Ocidente. Já há demasiado tempo que não ouvimos isso”, disse num vídeo publicado esta segunda-feira nas redes sociais.
“Quando é que lhes vamos fornecer as defesas aéreas de que precisam? Porque é que não descongelamos os fundos de Putin e os entregamos à Ucrânia? Há mais de 140 mil milhões de euros numa conta bancária belga — e cerca de 10 mil milhões de libras em Londres. A Grã-Bretanha poderia dar o exemplo”, tinha já proposto no domingo.