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Ações ligadas à IA derrapam nas bolsas mundiais após líderes do setor admitirem abrandar desenvolvimento

Empresas cotadas que mais têm beneficiado do "boom" do setor da IA estão, nesta segunda-feira, a ressentir-se de vários líderes do setor terem reconhecido que é necessário abrandar desenvolvimento.

Edgar Caetano
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As ações ligadas à Inteligência Artificial (IA) estão a registar fortes quedas nas principais bolsas mundiais nesta segunda-feira, num movimento de aversão ao risco desencadeado por alertas de dirigentes das principais empresas do setor sobre os perigos de um desenvolvimento demasiado rápido desta tecnologia.

O impacto já é visível no chamado “pré-mercado” de Wall Street. A bolsa nova-iorquina só abre às 14h30 (hora de Lisboa) mas os contratos futuros do índice Nasdaq 100 já estão a ser negociados pelos investidores com uma desvalorização de 1,6%, o que sinaliza que deverá haver uma abertura fortemente negativa para as ações de tecnologia. Os futuros do índice (mais abrangente) S&P 500 apontavam para uma queda próxima de 0,8%.

Entre os principais nomes sob pressão está a Nvidia, uma das empresas que mais beneficiaram do boom da IA. As ações da fabricante de chips recuavam cerca de 3% no pré-mercado, ao passo que também estão a derrapar outras empresas ligadas à produção de semicondutores e à infraestrutura necessária para alimentar os modelos de inteligência artificial. É o caso da Micron, que caía cerca de 5%, e da a Intel, que recuava mais de 6%.

A onda negativa nas bolsas, neste setor em particular, já começou nos mercados asiáticos. Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 3%, pressionado principalmente pelas fabricantes de memória SK Hynix e Samsung Electronics. A SK Hynix recuou cerca de 5%, enquanto a Samsung perdeu aproximadamente 3%.

Já no Japão, os títulos do SoftBank estavam a perder cerca de 10%. O grupo é um dos principais investidores da OpenAI e tornou-se um dos grandes veículos de exposição dos investidores ao crescimento da inteligência artificial. As ações chegaram a cair 13,2% durante a sessão. A fabricante de memórias Kioxia também sofreu uma forte queda, próxima de 10%, enquanto a Tokyo Electron recuou cerca de 3,7%.

Na Europa, o setor tecnológico era um dos principais responsáveis pela queda das bolsas. O índice europeu Stoxx 600 recuava cerca de 0,3%, enquanto o setor de tecnologia perdia aproximadamente 2%. Entre os maiores prejudicados estavam empresas de semicondutores e equipamentos para fabricação de chips. A Soitec, a Infineon, a ASML e a ASMI registavam perdas entre 5,2% e 12,6%.

O movimento negativo ganhou força depois de Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defender durante o fim de semana uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial mais avançados.

Amodei alertou para a possibilidade de sistemas cada vez mais autónomos provocarem danos económicos significativos e defendeu maior cautela no desenvolvimento da tecnologia. A tomada de posição recebeu apoio de Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, e de Elon Musk, responsável pela xAI.

https://observador.pt/2026/09/14/ceo-da-openai-alerta-para-dois-caminhos-que-podem-fazer-a-ia-correr-muito-mal-com-resultados-distopicos/

Altman afirmou, ainda, que a OpenAI não deverá avançar com uma oferta pública inicial de ações neste ano, adiando o plano de entrada em bolsa para 2027, segundo as notícias do fim de semana. Para os investidores, todas estas declarações chegam num momento particularmente sensível: as cotações que hoje têm muitas empresas de IA pressupõem um crescimento acelerado da procura por chips, centros de dados e serviços de computação, pelo que um possível abrandamento da tecnologia pode implicar um reajuste desses pressupostos.