Fernando Alexandre diz que sabe de dois casos de escolas na zona de Lisboa que recusaram matrículas de alunos, apesar de terem vagas. “Os diretores já foram chamados”, disse o ministro da Educação, em declarações à imprensa em Arganil. “As escolas teriam capacidade e recusaram os alunos. Isso obviamente é uma irregularidade. Quando temos casos em que o diretor tem lugar e recusa alunos, e eu tive notícia de dois. E a inspeção já me tinha comunicado que tinha casos desses, isso é que é grave”, classificou.
Este sábado, no final de uma apresentação sobre os resultados do PISA, o ministro de Luís Montenegro disse estar a acompanhar os casos de alunos que, no arranque do ano letivo, continuam sem conseguir matrícula numa escola e anunciou que determinou uma investigação a situações em que os estabelecimentos de ensino terão recusado estudantes alegando falta de capacidade, apesar de terem vagas. Há uma reunião de emergência marcada para as 15h desta segunda-feira.
Já este domingo, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, disse que Fernando Alexandre é candidato a pior ministro da Educação desde o 25 de Abril, considerando escandaloso que haja centenas de alunos sem colocação no ensino público. Confrontado com as críticas, o governante reagiu esta segunda-feira às classificações como “exageradas“. “Sem falsas modéstias acho exageradas”, repetiu.
“O trabalho está a ser feito um a um, mas todos eles vão ter escola”, insistiu Fernando Alexandre, perante os jornalistas. “Não há dias fáceis no Ministério da Educação. É um Ministério exigente que afeta a vida de milhões de pessoas. Quando vim para este lugar não tinha ilusões. Mas estamos cá para mudar”, continuou. “O Ministério da Educação estava parado no tempo há décadas com sistemas de informação anacrónicos. Estamos a mudar isso tudo”.
Nos últimos dias, tem sido notícia o facto de haver ainda crianças que, no arranque do ano letivo, não têm colocação, incluindo alunos com necessidades específicas que têm prioridade na matrícula. Esta sexta-feira, a agência Lusa noticiou que um grupo de pais da região de Lisboa vai processar o Ministério da Educação porque os seus filhos continuam sem vaga na escola pública, tendo as aulas já começado.