Um comandante da NATO foi suspenso de funções devido a suspeitas de que a sua companheira seria uma espiã ao serviço do Kremlin. A relação amorosa entre a cidadã de dupla nacionalidade polaca-britânica e o oficial espanhol desencadeou um alerta de segurança na base militar inglesa onde este último estava destacado, noticia o The Telegraph.
O casal conheceu-se no Tinder em outubro de 2024, enquanto o comandante espanhol servia na base naval da NATO no quartel-general de Northwood, em Inglaterra. Esta base militar tem um papel importante na monitorização de submarinos e navios de guerra russos assim como no rastreio dos petroleiros sujeitos a sanções pertencentes à frota fantasma russa que navegam nas águas do Reino Unido.
As suspeitas em relação a Janina White avolumaram-se em dezembro de 2024 quando o comandante espanhol levou a companheira para um evento de Natal na base militar. Nessa ocasião, a mulher de 49 anos recebeu um passe de visitante acompanhado que lhe permitiu conhecer a base naval da NATO.
Meses depois, durante o primeiro semestre de 2025, foi lançada uma investigação após serem identificados problemas de segurança. As autoridades espanholas também realizaram uma investigação própria, que resultaria na suspensão do comandante. A chefia da base militar inglesa suspendeu o acesso do comandante espanhol às infraestruturas assim que tomou conhecimento das investigações em curso.
Ainda assim, dez dias depois de ter ficado sem acesso à base militar de Northwood, o casal esteve na Academia de Comunicação e Informações da NATO, em Oeiras. Enquanto o comandante espanhol participava num evento sobre defesa na academia portuguesa, a companheira esteve nas instalações da Aliança Atlântica, apesar de garantir não ter tido qualquer acesso a informação sensível. “A MARCOM não comenta questões de pessoal. A NATO continua totalmente empenhada em proteger o pessoal aliado, proteger informações confidenciais e manter a confiança e segurança de que a Aliança depende.” reagiu o porta-voz da base MARCOM em Northwood, comandante Tim Pietrack, confrontado pelo Observador sobre este acesso e eventual passagem por Oeiras.
“Entrámos na base e, enquanto ele tinha acesso a todos aqueles computadores e dados superprotegidos algures, eu estava sentada à beira da piscina a beber café e chá, a divertir-me”, disse Janina White ao The Telegraph. “Nunca tive acesso a quaisquer instalações ultrassecretas.”
A cidadã polaca-britânica afirma que lhe foi concedida autorização para estar na base e isso demonstra, acrescenta, que não foi considerada uma ameaça de segurança pelos portugueses. “Passei dois dias naquela que é provavelmente a base da NATO mais segura da Europa”, acrescentou White, que disse ter-se “aborrecido” nas instalações em Oeiras.
Janina White nega ser uma espiã russa e acredita que as acusações são baseadas em discriminação, por ter nascido na União Soviética. “Tenho a certeza absoluta de que não sou uma espiã russa. Da última vez que verifiquei, não era”, ironizou.
No entanto, revela ter sido interrogada por um membro dos serviços de informação russos durante uma recente viagem que fez a São Petersburgo para visitar o pai. White afirma que não partilhou qualquer informação sobre o trabalho do companheiro, até porque este nunca terá partilhado com ela muitos detalhes sobre a sua ocupação, acrescenta. “Sabia que ele estava a lidar com a frota secreta russa e com os submarinos. Mas era estritamente proibido falar de quaisquer pormenores sobre o assunto em casa.”
Entretanto, o casal separou-se, mas Janina White conta ainda que o ex-companheiro, que regressou a Espanha e já não trabalha ativamente na Marinha, tentou suicidar-se em setembro de 2025. “Ele sentiu-se traído pela Marinha. O Estado espanhol deveria protegê-lo. Compreendo os seus sentimentos. Sinto que a Grã-Bretanha, o meu país, também me traiu”, acrescentou.