A vitória a meio da semana foi muito mais do que uma vitória a meio da semana. No arranque da Liga dos Campeões, em Alvalade, o Sporting venceu o Galatasaray com direito a reviravolta e teve a primeira demonstração de força da temporada. Um resultado que é um empurrão motivacional, naturalmente, mas que também fazia com que os leões passassem desde já pela primeira “mudança de chip” da época.
Poucos dias depois da receção aos turcos, o Sporting deslocava-se a Famalicão à procura da sexta vitória consecutiva para se manter com os mesmos pontos que o Benfica, à frente do Santa Clara e a dois da liderança do FC Porto — principalmente na antecâmara do Clássico entre dragões e encarnados no próximo fim de semana, no Dragão, de onde os leões podem sempre retirar dividendos. Por tudo isso, Rui Borges garantia que o grupo estava mais do que preparado para a tal “mudança de chip”.
Ficha de jogo
Famalicão-Sporting, 1-1
6.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Municipal 22 de junho, em Famalicão
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)
Famalicão: Lazar Carevic, Finn van Breemen, Sorriso (Patricio Salas, 83′), Marcos Peña (Óscar Aranda, 83′), Mathias de Amorim, Víctor Rofino, Rodrigo Pinheiro, Tamás Szucs, Gil Dias (Roméo Beney, 45′), Pedro Bondo, Georgios Koutsias (Umar Abubakar, 61′)
Suplentes não utilizados: Ivan Zlobin, Gustavo Garcia, Léo Realpe, Leny Meyer, Pedro Santos, Paulo Moreira, Mathis Jangeal, Matheus Mattara
Treinador: Carlos Carvalhal
Sporting: Rui Silva, Maxi Araújo, Gonçalo Inácio, Debast, Iván Fresneda, Issa Doumbia (Silas Andersen, 75′), Sergi Altimira, Geny Catamo (Nestory Irankunda, 75′), Luis Guilherme (Ioannidis, 64′), Flávio Gonçalves (Rodrigo Zalazar, 64′), Luis Suárez
Suplentes não utilizados: Kaique, Rafael Nel, Vagiannidis, Pedro Lima, Jesse Derry, Rodrigo Dias, Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo
Treinador: Rui Borges
Golos: Luis Suárez (gp, 81′), Gonçalo Inácio (ag, 90+1′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Gil Dias (45+1′), a Geny Catamo (73′), a Pedro Bondo (78′), a Luis Suárez (86′), a Nestory Irankunda (90′); cartão vermelho direto a Roméo Beney (88′)
“O nosso grande foco é o Campeonato. Agora começa aquela fase da mudança de chip entre Champions e Liga, que nem sempre é fácil. Esse é o trabalho do treinador, manter a equipa ligada, porque vamos enfrentar uma boa equipa. Se não estivermos no nosso melhor vamos passar mal. Esperamos só vitórias. O empate no primeiro jogo foi fora do que esperávamos. Temos feito um crescimento contínuo, a equipa está ligada, apaixonada, e a jogar bem. Mudanças? Pode haver uma mudança ou outra, mas acredito que a equipa está bem”, disse o treinador leonino na antevisão da partida.
E houve mesmo mudanças. Este domingo, Rui Borges surpreendeu e deixou Rodrigo Zalazar no banco, recuperando a titularidade de Flávio Gonçalves e mantendo a de Luis Guilherme, que se juntava a Geny Catamo no apoio a Luis Suárez. Mais atrás, Debast e Iván Fresneda voltavam ao onze em detrimento de Vagiannidis e Eduardo Quaresma, que começaram o jogo da Liga dos Campeões. Do outro lado, num Famalicão que ainda não venceu no Campeonato, Carlos Carvalhal tinha o reforço Georgios Koutsias como referência ofensiva.
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Numa primeira parte que terminou sem golos e que não teve muitas oportunidades de golo, foi preciso esperar mais de 10 minutos para ver alguém aproximar-se de uma das balizas — no caso, Luis Guilherme, que rematou para uma boa defesa de Lazar Carevic depois de um passe vertical de Issa Doumbia (12′). O Sporting dominava, tinha muita posse de bola e estava completamente inserido no meio-campo contrário, mas não conseguia criar perigo ou desbloquear a boa organização defensiva do Famalicão.
Sergi Altimira procurou explorar a meia-distância ainda antes da meia-hora, com um remate de longe que passou por cima da baliza (24′), mas os leões encontravam poucas alternativas ao jogo interior que carregam no ADN e que o adversário estava a anular. A equipa de Rui Borges só lateralizava para criar desequilíbrios ou abrir espaços, não necessariamente para tirar cruzamentos para a área ou ir em busca da presença de Luis Suárez pelo ar, e acumulava posse de bola de forma inofensiva.
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Nesta altura, porém, Flávio Gonçalves encontrou um caminho. Depois de um passe longo de Gonçalo Inácio que Suárez amorteceu com o peito, o jovem jogador tirou dois adversários da frente com um único toque e atirou para abrir o marcador, mas o lance acabou por ser anulado por mão na bola (25′). Os leões não aproveitaram o ímpeto da finalização e o jogo voltou ao desinteresse anterior, com Maxi Araújo a protagonizar a única jogada de algum perigo da equipa de Rui Borges com um passe rasteiro que Lazar Carevic segurou (38′).
Ainda antes do fim da primeira parte, claramente capitalizando alguma desconcentração de uma equipa leonina que já pensava na pausa no balneário, Sorriso ainda ficou perto de abrir o marcador com um cabeceamento na área, mas Rui Silva evitou o golo com uma grande defesa (41′). Ao intervalo, já depois de um desentendimento entre Gil Dias e Flávio Gonçalves, Famalicão e Sporting estavam ainda empatados sem golos.
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Carlos Carvalhal mexeu logo no início da segunda parte e tirou precisamente Gil Dias, que já tinha cartão amarelo, para colocar Roméo Beney. O Sporting pareceu regressar com outra intensidade, com Geny Catamo a obrigar Lazar Carevic a uma boa defesa de livre direto (49′) e Suárez a cabecear por cima (50′) logo nos instantes iniciais do segundo tempo, e o Famalicão demonstrava maiores dificuldades para controlar e contrariar o bom entendimento entre os elementos do ataque dos leões.
Contudo, com o relógio sem parar e o tempo a escassear, os famalicenses recuperaram algum equilíbrio e os leões voltaram a enredar-se na sua própria monotonia, permitindo até que Roméo Beney rematasse de fora de área para Rui Silva encaixar (60′). Carlos Carvalhal voltou a mexer nesta fase, trocando Georgios Koutsias por Umar Abubakar, e Rui Borges respondeu com Zalazar e Ioannidis numa altura em que até parecia que o Sporting estava a dar a bola e a iniciativa ao Famalicão, recuando e atraindo, para depois explorar o espaço e a profundidade que ficava nas costas da defesa contrária.
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Com Suárez e Ioannidis em simultâneo dentro de campo, contudo, a lógica manteve-se. Os famalicenses defendiam muito bem e de forma muito coesa e organizada, os leões não tinham grande engenho ou imaginação para desenhar desbloqueios. Rui Borges lançou Nestory Irankunda e Silas Andersen para o último quarto de hora, numa fase em que a equipa já atuava em 30 metros e o adversário já tinha abdicado de atacar para defender o eventual ponto, e aquele que parecia o momento decisivo do jogo acabou por aparecer.
Pedro Bondo fez falta sobre Ioannidis na grande área, Luís Godinho assinalou grande penalidade de imediato e Luis Suárez, na conversão, não falhou (81′). Óscar Aranda ficou perto do empate com um livre direto que acertou no poste (85′), Roméo Beney foi expulso com cartão vermelho direto na sequência de uma entrada dura sobre Maxi Araújo e tudo parecia decidido — mas não. Já nos descontos, Abubakar cabeceou depois de um cruzamento na direita e Gonçalo Inácio desviou para a própria baliza, voltando a fazer autogolo depois de já ter tido o mesmo azar a meio da semana contra o Galatasaray.
No fim, apesar da sucessão de oportunidades atabalhoadas no tempo extra, o Sporting não foi além de um empate em Famalicão e falhou a sexta vitória consecutiva, ficando agora a quatro pontos da liderança do FC Porto e a dois do segundo lugar do Benfica na antecâmara do Clássico do Dragão entre dragões e encarnados. O azar voltou a ser de Gonçalo Inácio — mas a equipa de Rui Borges nunca procurou propriamente a sorte.
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