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(A) :: Fact Check. Lula da Silva prepara-se para decretar o estado de sítio em cima das eleições presidenciais?

Fact Check. Lula da Silva prepara-se para decretar o estado de sítio em cima das eleições presidenciais?

“Quando Lula se sentir derrotado e na lama, tentará dar um golpe no Brasil”, escrevem utilizadores nas redes sociais. Presidente estaria a pensar decretar estado de sítio e adiar eleições. É verdade?

José Carlos Duarte
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A frase

LULA PENSA EM CONVOCAR O CONSELHO DA REPÚBLICA,… E COM ISSO DECRETAR UM ESTADO DE SITIO NO PAÍS…PARA CONTER O MINISTRO ANDRÉ MENDONÇA, A OPOSIÇÃO, E O POVO BRASILEIRO QUE NÃO ACEITA MAIS VIVER NO PAÍS DA CORRUPÇÃO…

— Utilizador do Facebook, 09 de setembro de 2026

Seria um plano arriscado. A semanas das eleições, Lula da Silva estaria a pensar decretar estado de sítio, de forma a adiar as presidenciais. Em vários vídeos e publicações escritas, esta informação está a circular nas redes sociais.

“Quando Lula se sentir derrotado e na lama, tentará dar um golpe no Brasil”, preconiza um utilizador nas redes sociais. Outro não tem dúvidas de que o “regime está claramente” a ficar sem “munições”: “Pode partir para o tudo ou nada”.

Na origem destas publicações estão as recentes polémicas no Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente as que se relacionam com a decisão do juiz André Mendonça. O magistrado determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, suspeito de recolha ilegal de informações sobre altas figuras do Estado.

Este afastamento gerou uma grande tensão institucional, uma vez que cabe ao Presidente brasileiro a nomeação e exoneração do diretor-geral da Polícia Federal. No entanto, o Supremo Tribunal avançou na mesma com a medida.

As polémicas judiciais levaram Lula da Silva a cair nas sondagens para as presidenciais. Em algumas, Flávio Bolsonaro já superou o atual Presidente. Teria sido neste contexto que os assessores do chefe de Estado o teriam incentivado a convocar o Conselho da República, um órgão consultivo que abre caminho para a adoção de medidas mais extremas.

A imprensa brasileira deu conta das palavras de Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula da Silva. O responsável terá sugerido convocar o Conselho da República para solucionar a crise que está a atingir o Supremo Tribunal. É através desse órgão — que foi convocado apenas uma vez pelo ex-Presidente Michel Temer — que se pode convocar estado de sítio.

“Lula pensa em convocar o Conselho da República. E com isso decretar estado de sítio no país. Para conter o juiz André Mendonça, a oposição e o povo brasileiro que não aceita mais viver na corrupção”, escreveu um utilizador nas redes sociais.

Apesar de o contexto ser desfavorável neste momento da campanha para Lula da Silva, oficialmente o Presidente brasileiro nunca admitiu vir a decretar estado de sítio. Mesmo que até convoque o Conselho da República, isso não significa necessariamente que vá adotar aquela medida que levaria ao adiamento das eleições presidenciais. E para adotar o estado de sítio precisaria ainda do aval do Congresso.

Aliás, segundo contou à revista Veja, Marco Aurélio de Carvalho esclareceu que nunca chegou a conversar com Lula da Silva sobre a possibilidade de convocar o Conselho da República para sarar os diferendos no Supremo Tribunal, se bem que o diretor da campanha tenha conjeturado e explorado essa hipótese.

Conclusão

Não existe qualquer prova de que Lula da Silva pense convocar o Conselho da República ou decretar estado de sítio para adiar as eleições. As informações que circulam nas redes sociais desvirtuaram os factos: o coordenador da campanha apenas conjeturou a convocação do Conselho para debater a crise atual no Supremo Tribunal e nunca sugeriu adotar o estado de sítio. O responsável garantiu que nem sequer abordou essa hipótese com o Presidente brasileiro.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.