Volta ao lugar em que já foste infeliz. Rio Maior, 2 de fevereiro de 2026. Há precisamente 222 dias, o Casa Pia entrou para a história da última edição do Campeonato Nacional, depois de ter vencido um FC Porto que parecia imbatível e praticamente intransponível. É certo que muito mudou ao longo dos últimos sete meses, mas a equipa lisboeta que, cinco épocas depois de ter regressado ao primeiro escalão, continua sem jogar em Pina Manique, continuava a carregar os pergaminhos de ter batido o campeão nacional na sua casa, que se chama Estádio Municipal de Rio Maior. Curiosamente, os dragões voltaram à cidade do sal e dos aviários a viver um excelente momento em termos internos, colecionando seis vitórias nos seis primeiros jogos e uma prova conquistada: a Supertaça.
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Antes do clássico do Dragão frente ao Benfica, que vai anteceder a primeira paragem para as seleções da temporada, o FC Porto queria somar mais três pontos na visita a Rio Maior e, com isso, pressionar as águias e o Sporting, que só entram em ação no domingo. Contudo, a meio da semana, os portistas somaram o primeiro desaire da temporada, caindo em casa frente ao Manchester City, num jogo em que Diogo Costa foi herói até não conseguir mais e em que a equipa de Francesco Farioli não fez qualquer remate enquadrado com a baliza de Gigi Donnarumma (0-2). No regresso aos trabalhos para preparar o confronto com os gansos, os azuis e brancos já treinaram com Victor Froholdt que, ainda assim, estava em dúvida por conta da concussão sofrida há uma semana. De fora estavam garantidamente Zaidu Sanusi, Vasco Sousa, André Miranda, Oskar Pietuszewski e Samu Aghehowa.
Ficha de jogo
Casa Pia-FC Porto, 1-4
6.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio Municipal de Rio Maior
Árbitro: José Bessa (AF Porto)
Casa Pia: Ivan Mandic; André Geraldes, Khaly, Selvi Clua, David Sousa, Pedro Rosas; Mohamed Salah (JP, 74’), João Rego (Aymen Zouin, 88’), Lawrence Ofori, Benjamin Pauwels (Evans Maurin, 67’); Henrique Araújo (Cassiano, 74’)
Suplentes não utilizados: Patrick Sequeira; João Goulart, Gabi Pereira, Rochinha, Kevin Prieto, Alassana Jatta, Seba Pérez e Abdu Dafé
Treinador: Filipe Coelho
FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Martim Fernandes, 80’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura; Pablo Rosario, Hwang Inbeom (Alan Varela, 70’), Gabri Veiga (Seko Fofana, 80’); William Gomes (Borja Sainz, 62’), Pepê e André Silva (Santi Giménez, 62’)
Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Afonso; Nehuen Pérez, Dominik Prpic, João Souza, Gabriel Mec e Tiago Silva
Treinador: Francesco Farioli
Golos: Araújo (g.p., 43’), André Silva (45+3’), Kiwior (60’), Sainz (66’) e Giménez (g.p., 90+1’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Kiwior (45’), Khaly (53’), Geraldes (53’), Sousa (87’) e Mandic (90’)
“O jogo da época passada precisa de ser uma lição. As memórias ainda estão muito presentes. Eles mudaram muito as dinâmicas, tentam pressionar e jogam um futebol positivo. São uma equipa que precisa de pontos, tal como nós. Amanhã [sábado] vamos muito bem preparados. Benfica? Vamos jogo a jogo. Queremos apenas vencer todos os jogos possíveis e não podemos desperdiçar energia a pensar já no clássico. Precisamos de ter os nossos avançados em boa condição. O André Silva é o jogador mais preparado fisicamente e tem feito um bom trabalho. [Santi] Giménez vem de dois anos de pequenas lesões, não fez pré-época e está motivado para ajudar a equipa, mas precisa de tempo. O Samu quer estar pronto o mais rápido possível, mas não quero colocar jogadores em risco”, explicou o técnico italiano.
Longe do vigor de outras épocas, o Casa Pia chegou ao duelo da sexta jornada no último lugar do Campeonato, com apenas um ponto, que foi conquistado na última semana, em Guimarães (0-0). Para além disso, os casapianos tinham 11 golos sofridos — sete foram na receção ao Benfica — e nenhum marcado. “Somos hoje uma equipa muito diferente da que defrontou o Benfica. O mercado ajudou-nos e estamos mais fortes do que nessa altura. Dói um pouco falar desse jogo pelos números, mas acredito que estamos mais preparados e com outra maturidade para encarar um adversário com valências parecidas. Estamos mais capacitados a perceber de que forma podemos contrariar as forças do adversário. Olhamos para o desafio com alguma ambição. É uma equipa muito intensa, que encaixa homem a homem a campo inteiro e com pressão muito alta”, assumiu um ambicioso Filipe Coelho.
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Confirmada a ausência de Froholdt, Francesco Farioli chegou a Rio Maior com três alterações no onze do FC Porto, onde voltaram a constar os nomes de Jan Bednarek e Francisco Moura, nos lugares de Nehuen Pérez e Martim Fernandes. No meio-campo, o italiano promoveu a estreia a titular de Hwang Inbeom, que ocupou o lugar do dinamarquês que, diante do Man. City, tinha sido de Seko Fofana. No Casa Pia, Filipe Coelho apresentou três novidades no seu onze, estreando Ivan Mandic a titular na baliza, devido à lesão de André Gomes, e lançando Mohamed Salah no lado direito do ataque, de onde saiu Kevin Prieto. No centro do ataque, a escolha recaiu sobre Henrique Araújo, com Alassana Jatta a sentar-se no banco.
Como se esperava, o campeão nacional começou com mais bola e a controlar o jogo a campo inteiro, frente a um ganso que se limitou a defender e que pouco mostrou no ataque na primeira fase do encontro, baixando inclusivamente Selvi Clua para a linha de cinco na defesa. Nesse sentido, a primeira oportunidade saiu dos pés de Gabri Veiga, na conclusão de uma bela jogada pela meia-esquerda, com o espanhol a receber de André Silva, que tocou em apoio, e a desferir um remate forte ao poste da baliza casapiana. Na sequência do lance, Pablo Rosario atirou contra um defesa (6′). Com o passar dos minutos, o Casa Pia começou a libertar-se e a chegar ao ataque com um futebol vertical e direto e, numa dessas jogadas, Araújo fugiu aos centrais e tocou curto para Salah que, à entrada da área, atirou colocado para a primeira defesa de Diogo Costa (25′).
Pouco depois, William Gomes atrasou mal para Alberto Costa que, dentro da sua área, perdeu no duelo com Henrique Araújo e ficou a queixar-se de falta, ao mesmo tempo que o madeirense atirava por cima (31′). A pausa para hidratação acabou por fazer mal aos azuis e brancos, que não se livraram dos calafrios e viram os gansos tranquilizarem-se. Na sequência de um canto na direita, a defesa portista não conseguiu aliviar e, quando Rosario se preparava para o fazer, atingiu o pé de Clua, cometendo penálti. Na conversão, Araújo partiu determinado para a bola, enganou Diogo e atirou para a sua esquerda, fazendo o primeiro golo do Casa Pia neste Campeonato com um remate rasteiro (43′). A partir daí, o FC Porto voltou a mostrar-se intenso e rápido nos processos ofensivos e, no tempo de compensação, repôs a normalidade num lance de bola parada — o primeiro à direita —, com Inbeom a cabecear ao segundo poste, Rosario a dominar e a servir em apoio André Silva, que atirou forte para o empate (45+3′).
Sem novidades ao intervalo, os dragões voltaram a arrancar bem e ameaçaram de novo na bola parada, com Gabri Veiga a cobrar um canto na esquerda para o segundo poste, onde Alberto Costa apareceu a atirar ao lado, depois de Ivan Mandic ter tocado na bola (52′). A partir daí, o jogo entrou numa toada quezilenta e faltosa e, na conversão de um livre no seu meio-campo, Salvi Clua tentou o chapéu a Diogo Costa antes do meio-campo, mas o guarda-redes impediu o golo com uma grande defesa (58′). Na resposta, o emblema portista voltou a ser feliz na bola parada, com Gabri a levantar da esquerda para a pequena área, onde Jakub Kiwior, vindo de trás, ganhou nas alturas e completou de cabeça para a reviravolta (60′). Farioli acabou por manter as alterações que tinha preparadas, colocando Borja Sainz e Santi Giménez no ataque, nos lugares de William Gomes e André Silva, mantendo a intensidade ofensiva que deixou os gansos sem argumentos de resposta.
E foi assim que o FC Porto acabou por sentenciar a partida, com Kiwior a desferir mais um passe vertical para o ataque que até acabou por sair mal, mas Khaly falhou o corte, cabeceou para trás e, na área e sem deixar cair, Sainz atirou para o terceiro (66′). Já com Evans Maurin e Alan Varela em campo, o argentino acabou por entrar mal no jogo e, na sequência de um cruzamento, o avançado francês ganhou a Jan Bednarek e cabeceou à queima-roupa para defesa apertada de Diogo (72′). Seguiram-se as entradas de Cassiano, JP, Seko Fofana, Martim Fernandes e Aymen Zouin, e o penálti que fechou as contas, conquistado e cobrado por Giménez, que atirou forte para o meio, a meia-altura, para o seu primeiro golo de dragão ao peito (90+1′). Feitas as contas, o FC Porto vai chegar ao clássico na liderança isolada do Campeonato (1-4).