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(A) :: O Landismo resiste à rainha, mesmo que haja um Mas como rei: Landa vence cinco anos depois e apadrinha regresso de Espanha ao topo da Vuelta

O Landismo resiste à rainha, mesmo que haja um Mas como rei: Landa vence cinco anos depois e apadrinha regresso de Espanha ao topo da Vuelta

A etapa rainha não desiludiu e terminou com Landa a atacar para a vitória no Collado del Alguacil depois de ter feito uma recuperação fantástica. Espanha vai ganhar Vuelta 12 anos depois.

Tiago Gama Alexandre
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Chegou a hora da verdade que, em condições normais, ia ser de todas as decisões. 2.736,8 quilómetros depois, a luta pela Volta a Espanha permanecia em aberto à entrada para a etapa rainha desta edição, já com Granada como pano de fundo para a coroação do vencedor. Restavam quase 300 quilómetros a uma Volta a Espanha que começou por ser dominada por Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) e voltou a trazer a esperança ao ciclismo espanhol com a reafirmação de Enric Mas (Movistar), que chegou ao penúltimo dia com 1.37 minutos de vantagem para Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe), que era o único que ainda parecia capaz de impedir a ascensão do maiorquino em casa. Ainda assim, Mas continuava em forma, respondendo a todos os ataques que aconteceram na véspera, quando Eddie Dunbar voltou às vitórias na Vuelta.

https://observador.pt/2026/09/11/eddie-esperou-pela-hora-da-verdade-para-se-coroar-em-penas-blancas-dunbar-vence-na-vuelta-dois-anos-depois-mas-conservou-vermelha/

“É incrível. A verdade é que hoje [sexta-feira] não estava nada à espera disto. Cheguei mesmo a dizer pelo rádio da equipa, após 50/60 quilómetros, que hoje não era o meu dia. Não me sentia bem. Depois, acabei por entrar na fuga e as pernas responderam um pouco. Também tinha dois colegas na fuga, o que ajuda sempre. Isso fez-me sentir muito mais à vontade na fuga e deu-me algum tempo para relaxar, caso acontecesse alguma coisa na planície ou nas descidas. Fizeram um trabalho fantástico. Ter o Tom [Gloag] no final fez toda a diferença. Este ano, passei três meses sem andar de bicicleta de todo, na sequência de um acidente. A verdade é que não pensava que estaria aqui, muito menos a disputar as etapas. Não consigo acreditar”, revelou o irlandês.

“Sinceramente, correu bem. Foi uma grande batalha. Tínhamos sempre alguém comigo, por isso acho que tínhamos tudo sob controlo. O Sepp [Kuss] e o Richie [Carapaz] estavam muito ansiosos por atacar — mais por causa da etapa, acho eu —, mas estão bastante próximos na classificação geral, por isso tivemos de os controlar. Acho que a minha equipa fez um trabalho magnífico. Faltam dois dias. [A Red Bull] já tinha puxado com muita força, mas, a certa altura, quisemos aumentar um pouco mais a velocidade, por isso colocámo-nos na frente e impusemos o nosso ritmo. Depois, o Richie e o Felix [Gall] juntaram-se a nós e trabalharam para aumentar ainda mais o ritmo. Ainda nos espera uma etapa difícil. Acho que é uma das mais difíceis da Vuelta, por isso temos de manter a concentração, tal como temos feito ao longo destas três semanas”, antecipou o líder da geral antes daquele que era o dia mais importante da sua carreira.

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La Calahorra tem apenas 681 habitantes — e um Castelo-Palácio que é dos mais importantes de Espanha —, mas fazia parte desta Vuelta, albergando pela primeira vez uma partida e logo na etapa mais importante. A chegada ficou igualmente reservada para a região de Granada, acontecendo, também de forma inédita, em Collado del Alguacil, subida que nunca tinha sido escalada antes e que, apesar de ter sido remendada depois de uma parte do alcatrão ter cedido, continuava a meter respeito com oito quilómetros a 9,8%, feito num piso bastante irregular e que chegava aos 22% na fase inicial e aos 16% no último quilómetro. Até lá havia que percorrer 186,8 quilómetros, com 4.850 metros de desnível. Los Blancares (8 km a 3,7%), El Purche (8 km a 8,1%, feita duas vezes) e El Duque (7 km a 8,3%) completavam o lote de subidas.

Como seria de esperar, a etapa começou a toda a velocidade, com Wout van Aert (Visma-Lease a Bike) e Ivo Oliveira (Emirates) a protagonizarem os primeiros ataques, mas o que viria a partir a corrida foi um ataque coletivo da Uno-X Mobility numa zona de abanicos, que chegou inclusivamente a colocar Enric Mas em dificuldades. Com essa movimentação, a equipa norueguesa colocou seis elementos no grupo de 14 que se adiantou, onde estava o português, ao passo que, atrás, se formou um grande grupo com mais de 50 ciclistas. Ainda na fase inicial, Chris Hamilton (Picnic PostNL) e Matthew Riccitello (Decathlon CMA CGM) sofreram uma queda violenta que os levou a abandonar a corrida. Com Guillaume Martin (Groupama-FDJ United) às portas do top 10, Sepp Kuss (Visma) foi o primeiro a atacar no pelotão, numa movimentação que não encontrou qualquer resposta.

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Contudo, pouco depois, a 99 quilómetros da meta, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) desferiu mais um dos seus ataques, obrigando a Decathlon a reagir. Com a equipa francesa no comando do grupo, os líderes ficaram sem qualquer apoio e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) ficou para trás demasiado cedo. O equatoriano e o norte-americano uniram-se na fuga ao grupo principal, que já só tinha Mas, Roglic, Felix Gall (Decathlon) e Oscar Onley (Netcompany Ineos). Ainda assim, os dois foram alcançados no final da primeira passagem por El Purche, quando o líder da juventude cedeu e não voltou a entrar. De novo no El Purche, Kuss voltou a atacar a cinco quilómetros do alto, de novo sem resposta. Antes da contagem de montanha foi a vez de Richie voltar a arrancar, com resposta de Gall, seguido de Mas e Roglic, mas a recolagem deu-se mais à frente.

Na dianteira, Mikel Landa (Soudal Quick-Step) conseguiu entrar no grupo da dianteira a 54 quilómetros do Collado del Alguacil, onde Van Aert foi o primeiro a passar em Güejar Sierra, no sprint intermédio, coroando-se como virtual vencedor da classificação dos pontos. A partir daí, o Puerto de El Duque trouxe a chegada de Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech) ao primeiro grupo, a Red Bull ao comando do grupo do maillot rojo e a abertura de uma diferença que foi suficiente para Debruyne, Landa e Tobias Halland Johannessen (Uno-X) seguirem sozinhos. Atrás, Carapaz voltou a atacar a cinco quilómetros do alto e tentou mais à frente, mas Gall, Mas e Roglic responderam de pronto. Depois de ninguém querer assumir a dianteira, o ritmo baixou drasticamente, ao ponto de Bruno Armirail (Visma) conseguir seguir no grupo e de Kuss ter entrado na discussão pelo top 5.

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Nessa fase, o importante apoio de Juan Rodríguez Contreras voltou a lançar Richie Carapaz para mais um forte ataque que, ainda assim, voltou a ter resposta dos três rivais. Com o apoio de Van Aert e Jorgen Nordhagen, Sepp Kuss alcançou o grupo intermédio e entrou na subida final a três minutos da frente e ameaçar o quarto lugar do equatoriano. Foi igualmente na fase inicial do Collado del Alguacil que Landa atacou em solitário para somar aquela que é, provavelmente, a vitória mais importante da sua carreira. Aos 36 anos — faz 37 em dezembro —, o basco despediu-se da Soudal com o regresso aos triunfos mais de cinco anos depois de ter vencido a Volta a Burgos-2021 e sucedeu a João Almeida, no L’Angliru-2025, como vencedor da etapa rainha da Vuelta. Johannessen foi segundo a 47 segundos e Debruyne completou o pódio a 1.27 minutos.

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No grupo principal, Gall atacou na parte final e só foi acompanhado por Mas, descarregando o líder pouco depois. Ainda assim, o espanhol controlou a diferença para o austríaco e cortou a meta a 17 segundos do austríaco, garantindo a vitória nesta Volta a Espanha. Olhando à geral, o ciclista da Movistar colocou-se com 2.15 minutos de vantagem para Primoz Roglic, que conservou o segundo lugar à frente de Felix Gall (2.44). Segue-se Richard Carapaz, a 6.54, ao passo que Sepp Kuss entrou mesmo no quinto lugar, a 8.45.

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