O Amadora-Sintra voltou a estar debaixo dos holofotes nas últimas semanas devido aos elevados tempos de espera dos doentes que se deslocaram às urgências de uma das unidades de saúde mais pressionadas em todo o país. Os tempos de espera estiveram a rondar as 24 horas, mas o Observador contava recentemente a história de “João”, um doente de 70 anos que passou 36 horas naquele serviço desde o momento em que ali chegou, ao início da tarde de sábado, transportado pelos bombeiros, até ter recebido a alta clínica, já na madrugada de segunda-feira.
Em entrevista ao Observador, a presidente do Conselho de Administração, que assumiu funções há cerca de seis meses, reconhece que os atuais tempos de espera “não são aceitáveis”. Sandra Cavaca explica que o hospital foi perdendo clínicos das urgências e que não tem sido possível repor esses profissionais. E estuda, neste momento, a possibilidade de criar um Centro de Responsabilidade Integrada — no fundo, um modelo de funcionamento com incentivos financeiros para os profissionais de saúde que permita colmatar os baixos níveis de atratividade que têm dificultado o reforço — ou, sequer, a reposição — de recursos humanos.
Sandra Cavaca tem em mente outras soluções para reduzir a pressão sobre o Amadora-Sintra: um Centro de Atendimento Clínico na Amadora, com consultas marcadas para o próprio dia, a abrir em outubro; gabinetes de teleconsulta para utentes sem médico; e o reforço, a curto prazo, da urgência do hospital de Sintra, em Algueirão Mem-Martins.
Mas, ao mesmo tempo, a presidente do Conselho de Administração do Amadora-Sintra não esconde que há fatores externos que aumentam ainda mais a pressão sobre o hospital. Criado para servir uma população de 300 mil pessoas, o Fernando Fonseca responde atualmente a uma população que é cerca do dobro da que foi apontada como limite há quase 30 anos.
Em grande parte, essa pressão sobre o hospital resulta da procura das urgências por parte de uma população que não tem médico de família atribuído (cerca de 200 mil pessoas) e que vê nos serviços de urgência uma porta de entrada para o acesso a cuidados de saúde. “A pressão é grande e a imigração tem um papel importante”, aponta Sandra Cavaca, que recorre a uma imagem ilustrativa do dia a dia naqueles serviços: “No hospital, comunica-se muito através do Google Tradutor.”

“Enfrentamos muita falta de profissionais na urgência. Saíram 11 médicos da equipa fixa”
Há utentes que esperam 23 e 24 horas para serem vistos por um médico na urgência do hospital Amadora-Sintra. Acha isso aceitável? O que é que está a falhar?
Aceitável não é. Nenhum de nós gosta de prestar um serviço que não cumpra a referenciação do Protocolo de Manchester. A verdade é que enfrentamos muita falta de profissionais. Saíram 11 médicos da equipa fixa da urgência, que é a equipa que mantém grande parte do serviço a funcionar, e temos tido dificuldade em repô-los. Além disso, também saiu o diretor da urgência e estamos a procurar alguém com o perfil adequado para promover mudanças.
Quantos médicos tem neste momento a equipa fixa da urgência?
Temos 8/9 médicos na equipa fixa. Tudo o resto é composto por prestadores [de serviço] e depois temos a equipa móvel, que é constituída essencialmente pelos nossos médicos que fazem uma parte da urgência, de forma rotativa.
Para ter a urgência funcional de uma forma normal, sem todos estes constrangimentos, precisaria de quantos médicos na equipa fixa?
Cerca de 30.
Por que é que não foi possível evitar a saída desses 11 médicos da urgência, que correspondem a mais de metade da equipa?
Penso que houve uma tentativa de mudar alguma coisa, por parte do anterior Conselho de Administração, mas as mudanças têm que se fazer com os profissionais.
O anterior Conselho de Administração tentou implementar mudanças nos turnos da equipa fixa, que trabalha das 8h às 16h, criando turnos intermédios que abarcassem o final da tarde e noite, mas teve a oposição dos médicos. As saídas estiveram relacionadas com a questão do horário dos médicos?
Sim, não houve uma tentativa de chegar a um acordo. Dar apenas uma ordem para ser cumprida não vai funcionar. Temos que trazer os profissionais para junto de nós.
https://observador.pt/especiais/equipa-fixa-da-urgencia-do-amadora-sintra-perdeu-11-medicos-desde-o-verao-tempos-de-espera-ja-chegam-a-18-horas-e-o-inverno-sera-pior/
Mas reconhece que há um problema no atendimento da urgência durante a noite, em que o atendimento é mais lento?
Há, porque há médicos que nos prestam serviço de 24 horas e que têm de descansar. As equipas durante a noite são sempre mais desfalcadas do que durante o dia. Mas estamos agora a monitorizar a produtividade para tentarmos perceber se podemos ir um pouco mais além. O que temos de garantir é que a equipa fixa, que está um pouco desfalcada, veja os doentes que entram durante o dia e que esses doentes fiquem tratados. Quanto mais vazão dermos, melhor — aí, os doentes que teremos durante a noite já não serão tantos.
O anterior diretor da urgência saiu em abril e não foi substituído ainda. Porquê?
Tínhamos identificado uma pessoa que viria do Barreiro, e a quem foi feito um convite. Entre aceitar, não aceitar, passaram dois ou três meses, e a pessoa depois acabou por dizer que não. Identificámos depois uma segunda pessoa, muito conhecida. A pessoa tem determinadas exigências, e a verdade é que também ainda não aceitou e estamos num processo negocial. A solução poderá até passar por uma substituição interna.
A ausência de um diretor prejudica o funcionamento da urgência?
Com certeza. Neste momento, quem está a assegurar a direção da urgência é o próprio diretor clínico, porque não delegou em nenhum dos adjuntos da direção clínica. É muito pesado.
Olhando para o futuro, que mudanças tem esta nova administração pensadas para melhorar o funcionamento da urgência e baixar os tempos de espera?
Queremos fazer um CRI [Centro de Responsabilidade Integrada], que já está desenhado, mas queríamos fazê-lo com o novo diretor ou diretora da urgência. O CRI poderá ajudar a captar mais recursos, através de incentivos financeiros. Embora esta seja uma urgência muito difícil. Mesmo em termos de médicos prestadores de serviços, é muito difícil quererem vir trabalhar para aqui.
Mas tem o aval financeiro por parte da tutela para criar o CRI? Porque essa foi uma queixa do anterior Conselho de Administração, que nunca conseguiu avançar com o projeto.
Com o valor que temos disponível, conseguimos encaixar. Mas claro que o projeto tem de ser submetido à Direção Executiva, e depois seguir as autorizações todas. Tenho todo o apoio da tutela para fazer estas mudanças e, portanto, acredito que vou ter esse aval.
Nova administração quer abrir CAC na Amadora para desviar doentes não urgentes
O verão está a caminhar para o fim e daqui a poucos meses estaremos no inverno. Pode garantir que este inverno será melhor que o último, no que diz respeito à urgência geral?
Gostaríamos que fosse melhor, por isso estamos a tomar medidas a montante. O que é que queremos? Queremos que essas pessoas nem cheguem cá. Por isso, queremos abrir um Centro de Atendimento Clínico, tal e qual como existe em Sete Rios (ligado ao hospital de Santa Maria), por exemplo, mas na Amadora. Já estamos em conversações com o presidente da Câmara da Amadora, já encontrámos o espaço, a Câmara está a fazer uma pequena requalificação para nos transferirmos. O objetivo é oferecer um atendimento das 8h às 22h todos os dias da semana [para casos não urgentes]. Vamos começar com 100 atendimentos por dia com consulta marcada através do SNS 24 e do ‘Ligue Antes, Salve Vidas’. É a ULS Amadora-Sintra que dá as vagas ao SNS24.
https://observador.pt/especiais/a-suspeita-de-avc-um-servico-sobrelotado-e-o-caso-esquecido-como-joao-e-maria-do-ceu-passaram-36-horas-nas-urgencias-do-amadora-sintra/
Portanto, se na triagem a Linha SNS24 considerar que é uma situação em que não há necessidade de um atendimento na urgência hospitalar, o utente é encaminhado para o CAC com consulta marcada?
Sim, é marcado um horário para a pessoa ser vista no CAC da Amadora, num período de 24 horas. Quero acreditar que teremos o CAC a funcionar durante o mês de outubro. O objetivo é conseguirmos desviar os doentes menos graves para deixar espaço para as pulseiras amarelas. Isto nunca foi implementado na urgência geral, embora tenhamos o ‘Ligue Antes, Salve Vidas’, porque ainda não tínhamos o sistema de informação atualizado [algo que já foi feito]. O objetivo é que a pessoa chegue à urgência e, depois de triada com pulseira verde ou azul, lhe seja oferecida uma consulta no dia ou no dia seguinte neste CAC ou num centro de saúde.
E os utentes têm escolha? Ou seja, podem vir à urgência mesmo não sendo encaminhados pela linha SNS24 ou sendo aconselhados a ir a uma consulta num centro de saúde?
Podem. Nunca vedamos o acesso. Um outro mecanismo que temos na urgência, desde julho, é a videoconsulta, para doentes triados com pulseira azul e verde. As pessoas não gostam muito da videoconsulta, é uma população que tem as suas características especiais. Ainda assim, temos tido alguma adesão. Temos uma contratação com uma empresa que nos presta o serviço com médicos externos. Os nossos enfermeiros encaminham o utente e fazem algum acompanhamento que seja preciso, medir tensão, coisas básicas, e monitorização de sintomas e, portanto, ajudam o médico à distância. E é bom para o doente, que espera menos tempo.
A urgência do hospital Amadora-Sintra acaba por ser, muitas vezes, a porta de entrada de muitos utentes, uma vez que um terço da população abrangida pela ULS Amadora-Sintra não tem médico. São cerca de 200 mil pessoas. O atual Conselho de Administração tem um plano para mitigar esta situação?
Sim, temos cerca de 200 mil pessoas sem médico. Temos a descoberto centros de saúde muito difíceis: Agualva, Olival, Mira-Sintra, Monte Abraão, São João das Lampas, Algueirão Mem-Martins. É aqui que existe maior concentração de pessoas sem médico de família. Estas unidades têm enfermeiros, mas não têm médicos. E o que estamos a fazer? Vamos criar seis gabinetes de teleconsulta, com especialistas em Medicina Geral e Familiar, para dar algum tipo de resposta a estas pessoas. Temos obrigação de lhes dar cuidados.
Mas esses centros de saúde que referiu não têm nenhum médico?
Têm um ou outro médico indiferenciado. Há dificuldade de atrair médicos de família — este ano, ainda assim, conseguimos atrair 17 (para 60 vagas), quando, no ano passado, tinham sido 9. Os centros de saúde estão muito degradados e os médicos mais jovens, quando nos visitam, referem que não gostam das instalações. Estamos a tentar ver, com o apoio das câmaras municipais, se conseguimos requalificar alguns destes centros de saúde.
“O défice de camas é muito elevado. Andamos sempre num sufoco”
Voltemos à realidade hospitalar. Sabe-se que o hospital Amadora-Sintra está subdimensionado, nomeadamente no que diz respeito ao internamento. Quantas camas é que faltam à ULS neste momento?
Precisávamos de mais umas 100 camas. Nós temos 0,8 camas por 1000 habitantes. A média nacional é 3,7 camas por mil habitantes. Estamos muito abaixo. Temos que ter uma rotação elevada de altas, porque quanto mais depressa dermos as altas, melhor. Temos feito um esforço neste sentido, porque senão já tínhamos colapsado. O défice de camas é muito elevado. Andamos sempre num sufoco, não conseguimos internar, temos macas nos corredores.
A ULS continua a contratualizar dezenas de camas noutras instituições porque não tem camas disponíveis.
Exatamente. Se não fosse isso, já teríamos colapsado mesmo. Quando cheguei, tínhamos 56 camas com pessoas à espera de uma vaga num lar. Agora, temos 90. Conseguimos escoar estas pessoas para dar respostas àqueles que realmente precisam. Temos depois, na área dos cuidados continuados, 12 camas de longa duração e 30 camas de convalescença. E depois camas de cuidados paliativos. No total, 147 camas. A população cresceu e o hospital não cresceu. E o plano estratégico que apresentámos passará por isso. Queremos criar um novo edifício para internamento, que terá um custo de 41,42 milhões. Estamos à procura de fundos externos, de mecenas.
Tem ideia de quando poderá abrir esse edifício?
Não, mas gostava que fosse nos três anos que faltam de mandato [do atual CA]. Vamos ver o que é possível fazer, porque não conseguimos fazer o edifício com os fundos do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. Tenho pena de não ter chegado cá mais cedo, porque os fundos que tínhamos — 70 milhões de euros — chegariam para fazer o novo edifício.
Mas houve desperdício de fundos europeus nesta ULS?
Sim, tínhamos 70 milhões para vários projetos, mas quando chegámos tínhamos 13 milhões executados. O PRR está cá desde 2020. Ainda conseguimos executar até aos 40 milhões, mas não houve tempo para mais, porque envolve lançar procedimentos, adjudicar. Conseguimos fazer a nova farmácia e a imagiologia. A obra no edifício da psiquiatria está parada, conseguimos já fazer a parte burocrática toda. Isto teve impacto no hospital, porque tivemos de tirar 30 camas à ortopedia para conseguirmos colocar a psiquiatria dentro do hospital. O último Conselho de Administração mudou os projetos, e quando se muda projetos a meio do campeonato é um problema.
E o novo edifício será suficiente para suprir o défice de camas?
Sem dúvida.
Em dois anos, a ULS Amadora-Sintra teve três Conselhos de administração diferentes. Isto traz muita instabilidade?
É verdade. Claro que sim. Até para as equipas, porque um conselho chega e diz uma coisa, outro vem e diz outra e portanto as pessoas já olham com alguma desconfiança. Pensam ‘bom, será que estes também vão ficar algum tempo mais?’
Mas tem havido uma má gestão por parte da tutela?
Acho que não. Tem de se dar alguma estabilidade.
Está à espera de completar o mandato?
Estou. Há dias difíceis, mas tenho de ter capacidade de automotivação. É muito difícil ser gestor na área da saúde.
40% dos utentes da ULS Amadora-Sintra são estrangeiros
Está no cargo há seis meses. Sente que a pressão sobre a ULS continua a aumentar? E relaciona isso com o aumento da população migrante?
A pressão é grande e a imigração tem um papel importante. Na obstetrícia, a maior parte dos nossos nascimentos são de pessoas estrangeiras. Temos utentes de 150 nacionalidades.
Que percentagem de utentes da ULS são estrangeiros?
Penso que será à volta de 40%.
Há outro fenómeno que tem vindo a agravar-se nos últimos anos, que é o chamado turismo de saúde, ou seja, pessoas que vêm a Portugal só para acederem a cuidados de saúde. É um problema para esta ULS?
É difícil. As pessoas vêm e não podemos negar assistência a ninguém. Há muitas pessoas que chegam ao aeroporto e vêm para aqui. Já têm familiares na zona e vêm. É um problema. Vem muita gente à urgência, muitas pessoas vão aos cuidados primários. As pessoas sabem que basta esperarem 90 dias e podem ter acesso aos cuidados primários. E acredito que não seja só aqui. Nesta ULS nota-se muito porque aqui à volta a imigração é muita. Aliás, no hospital comunica-se muito através do google tradutor. Muitas pessoas não falam inglês. Isso é também muito exigente para os profissionais, e temos bons profissionais, resilientes. É muito improviso, mas funciona. Sei que a Constituição diz que temos de prestar cuidados. Mas, se formos a outros países — à Suíça, por exemplo, ou aos EUA —, se precisar de cuidados, tem de os pagar. Não há urgências em que não se paga. Nós prestamos os cuidados, somos obrigados a prestá-los, mas depois cobramos a quem? Sabemos a quem prestamos os cuidados, o problema é depois fazer o rastreamento e saber quem vai pagar. Se a pessoa não desconta… Portugal tem uma política diferente, e não estou a dizer que está errada.
Na Obstetrícia há pessoas que vêm propositadamente para acederem a cuidados e terem o parto no SNS?
Não tenho dúvidas. Vêm.
E estão em curso estratégias para aliviar a pressão assistencial sobre o hospital? Por exemplo, referenciar parte da população para outras ULS?
Sim, está a ser equacionado, nomeadamente a possibilidade de a população de algumas freguesias poder ser encaminhada para outras unidades. A pressão aqui é muita.
O Amadora-Sintra registou, entre o primeiro semestre do ano passado e o primeiro semestre de 2026, uma diminuição do número de cirurgias. Como se explica?
Teve a ver com a quebra na produção adicional. Quando saiu a portaria [com as novas regras para a produção adicional], isso gerou reticências nas equipas cirúrgicas e tivemos uma paragem. Neste momento, já retomámos as cirurgias adicionais em duas especialidades (oftalmologia e ortopedia). Tem sido difícil. Vamos ver se conseguimos recuperar. Se não conseguirmos, poderemos sempre enviar produção para fora, porque o aumento das listas de espera é preocupante. Vamos com alguma acumulação de atraso.
https://observador.pt/especiais/governo-quer-descontar-preco-das-proteses-ao-valor-a-pagar-as-equipas-de-cirurgia-medicos-recusam-e-ja-ha-operacoes-canceladas/
Houve imprudência do Ministério da Saúde ao publicar a portaria naqueles termos?
Não me faça essa pergunta…
Mas os médicos tinham razão quando decidiram parar em protesto contra a portaria?
Acho que não, porque, de acordo com as contas que fizemos, vão ganhar o mesmo ou até um pouco mais.
Em relação aos médicos, há alguma especialidade que tenha identificado como estando particularmente carenciada e que seja necessário reforçar a curto prazo?
A ortopedia e a medicina interna. Não tivemos ninguém a escolher ortopedia no último concurso. É pesado e fomos perdendo ortopedistas.
A Sandra Cavaca foi nomeada para gerir a ULS Amadora-Sintra, que é das mais complexas do país, mas não tem nenhuma experiência prévia em gestão hospitalar. Isso é um handicap [desvantagem]?
Não, acho que é até uma vantagem. Eu giro muito bem pessoas — é o meu ponto forte. Daquilo que me tenho apercebido, as pessoas não têm sido ouvidas neste hospital e, portanto, se não fizermos mudanças com as pessoas que cá temos, não fazemos nenhuma mudança. O ambiente na ULS melhorou nos últimos meses.
Há quem refira que a Sandra Cavaca gere, em determinados períodos, a ULS a partir de Moçambique e que isso pode prejudicar a gestão da ULS. Sente isso?
Vou três vezes por ano a Moçambique, em períodos de 6/7 dias, porque tenho lá o meu marido, mas tiro das minhas férias. Nunca achei que prejudicasse nada e tento sempre assistir às reuniões de Conselho. Não estou a gerir à distância.
Hospital de Sintra. “Têm falhado os recursos humanos, que são poucos. Espero que a tutela nos ajude”

Falemos um pouco sobre o hospital de Sintra, que está subaproveitado, em várias áreas. O que tem falhado?
Têm falhado recursos humanos, que são poucos. Espero que a tutela nos ajude e penso que o PDO [Plano de Desenvolvimento Organizacional, instrumento que serve para dar mais autonomia aos hospitais] vai ser aprovado, para termos alguma capacidade para reforçar a enfermagem. O hospital abriu, mas abriu com algumas reticências em termos de licenciamento, nomeadamente na urologia. Só agora é que vamos ter esse licenciamento, que vai servir para termos lá mais algumas especialidades a fazer [cirurgias de] ambulatório.
https://observador.pt/especiais/direcao-executiva-trava-contratacao-de-profissionais-nos-hospitais-gestores-temem-estrategia-para-limitar-custos/
Mas temos um problema. Os recursos humanos já são poucos e não consigo dividi-los e tê-los no Amadora-Sintra e lá [no hospital de Sintra]. Os recursos humanos não são ilimitados. Faltam enfermeiros para abrir as camas de internamento, que são 60. Neste momento, só temos 10 camas ocupadas. Queremos passar para lá 12 camas de paliativos até outubro e 20 a 30 camas de convalescença [cuidados continuados] até final do ano. Já encontrámos três médicos que se disponibilizam para abrir estas camas de convalescença. Depois, queremos também contratar, até outubro, um internista 24 sobre 24 horas para o hospital de Sintra, para trabalhar na urgência básica e que nos permitirá ter alguma diferenciação e podermos depois dinamizar o internamento. Para conseguirmos ter cuidados durante a noite. Neste momento, a urgência só tem médicos indiferenciados. E vamos continuar com eles. Ninguém vai dispensar coisa nenhuma. Mas entendemos que este internista, 24 sobre 24 horas, poderá reter algumas das pessoas que se dirigem à urgência básica e que são encaminhadas para o Amadora-Sintra.