Antes da tempestade que promete assolar a classificação geral e decidir esta Volta a Espanha, a calma chegou com mais uma vitória de Matty Brennan e da Visma-Lease a Bike. Na chegada a Sevilha, a etapa em linha mais fácil desta 81.ª edição da última Grande Volta da temporada voltou a ficar marcada por um sprint massivo, no qual o britânico da equipa neerlandesa levou a melhor, aproveitando o trabalho da Uno-X Mobility e o “lançamento” de Magnus Cort Nielsen. Com mais um sprint dominador, Brennan chegou às cinco vitórias nesta Vuelta e superou o registo de Fernando Gaviria que, em 2017, venceu quatro etapas no Giro, na sua estreia em Grandes Voltas. Por outro lado, a Visma chegou aos sete triunfos e bateu o seu recorde em corridas de três semanas.
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«Esta manhã falámos sobre o sprint de Sevilha na Vuelta-2024 e sobre o que correu mal ao Wout van Aert [foi segundo, ndr]. Não queríamos que isso se repetisse hoje [quarta-feira]. Queríamos cruzar a meta em primeiro lugar e conseguimos, e ele esteve ao meu lado o tempo todo. Foi fantástico vê-lo assim e estou muito grato pelo apoio. É fantástico vencer aqui. Já avançámos bastante na corrida e sabíamos que hoje tínhamos outra oportunidade. A equipa deu o seu melhor. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. É o maior número de vitórias que conseguimos como equipa numa Grande Volta. Cinco vitórias de etapa é uma loucura e ainda nem chegámos à 21.ª etapa. É incrível! Sinto que eu só faço a parte fácil. Os meus colegas trabalham arduamente o dia todo. Ficar-lhes-ei eternamente grato por isso”, assumiu Brennan no final da etapa.
“Estou bem. Acho que fizemos um trabalho perfeito ontem [terça-feira] e hoje. Temos de pensar no dia de amanhã [quinta-feira], depois no seguinte e depois no outro. Estou confiante. Contrarrelógio? É bastante plano e não tem muitas curvas. Temos de nos concentrar na potência, na posição e nada mais. Bom resultado? Manter a camisola vermelha”, analisou Enric Mas (Movistar) antes de um contrarrelógio em que a sua equipa esperava perdas para Primoz Roglic (Red Bull-Bora-hansgrohe) entre os 50 segundos e o 1.20 minutos. Em declarações ao canal La 1 da televisão pública espanhola, Iván Velasco, diretor de rendimento da equipa espanhola, explicou que um bom resultado para Mas passava por perder cerca de 50 segundos perto do último ponto intermédio, antes da entrada na parte final do contrarrelógio.
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A primeira de três etapas decisivas aconteceu na região de Cádiz, com El Puerto de Santa María a estrear-se como partida de uma etapa da Vuelta. Foi na praça de touros da cidade que se deu início ao contrarrelógio de 32,1 quilómetros, com chegada marcada para Jerez de la Frontera uma década depois da última ocasião. O percurso favorecia os puros especialistas, já que havia apenas 190 metros de desnível positivo acumulado. Nesse sentido, Ethan Hayter (Soudal Quick-Step) foi o primeiro candidato a impor-se, num esforço em que ultrapassou três adversários e foi o primeiro a baixar dos 36 minutos (35.54,61). Contudo, o compatriota Callum Thornley (Red Bull-Bora-hansgrohe) vinha mais forte nos pontos intermédios e, pouco tempo depois, bateu o seu registo na meta por quase 30 segundos (35.25,09), ultrapassando os 54 km/h de média (54,4).
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates-XRG) começou o contrarrelógio a todo o gás e saltou para o segundo lugar no ponto intermédio 1, a 6.91 segundos do britânico da Red Bull e a 10,75 ao quilómetro 22,1, repetindo a posição. Na meta, o português perdeu tempo, mas viria a chegar no segundo lugar, a 26,92, depois de ter ultrapassado três adversários. Na mesma altura, João Almeida (Emirates) já estava em prova e chegou ao primeiro ponto intermédio na liderança, com 2,81 de vantagem, depois de já ter dobrado Frederik Wandahl (Red Bull). Nos dez quilómetros seguintes, o Bota Lume perdeu tempo para o Red Bull, mas continuou na luta, passando o ponto 2 a apenas 27 centésimos do rival. Com o vento a favor a fazer-se sentir, Almeida continuou a perder tempo, mas manteve a regularidade e fechou no segundo lugar, a apenas 6,51 de Thornley. João ultrapassou quatro adversários ao longo dos 32,1 quilómetros e, no momento em que passou a meta, era apenas o segundo a rolar acima dos 54 km/h.
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Contudo, depois de ter começado a perder um segundo para Almeida, Stefan Küng (Tudor) recuperou no terço intermédio do contrarrelógio e acabou por bater Thornley por apenas 2,27 segundos, registando o tempo de 35.22,82 minutos. Na luta pela geral, Primoz Roglic (Red Bull) começou por se impor no primeiro ponto intermédio, onde passou no sétimo lugar, a 9,10 segundos de João Almeida, resultado que lhe permitia subir ao segundo lugar na geral virtual. Seguiu-se Felix Gall (Decathlon CMA CGM), a 31 segundos do português, ao passo que Enric Mas passou com o mesmo registo, conservando a vermelha nesse ponto por 1.48 minutos. Aos 22,1 quilómetros, o esloveno perdia 14 segundos para Küng, mas ganhava 57 ao francês e 36 ao espanhol, encontrando-se virtualmente a 1.34 minutos da roja.
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Em Jerez, Stefan Küng tinha garantida a segunda vitória da temporada, depois de ter conquistado o contrarrelógio da Volta à Polónia, há um mês. Roglic cortou a meta no quarto lugar, a 18,55 segundos do suíço e consolidou a subida ao segundo lugar da geral, ganhando 1.28 a Gall. A fechar, Mas continuou a voar e a controlar uma diferença que parecia preocupante no primeiro ponto intermédio, fechando um dos melhores contrarrelógios da sua carreira no 12.º lugar, a 51,82 do suíço e a 33 do campeão esloveno da especialidade. Nas contas da etapa, João Almeida ficou no terceiro lugar, com Ivo Oliveira a surgir no oitavo posto.
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Na nova geral da Vuelta, Enric Mas está cada vez mais perto da vitória mais importante da sua carreira, partindo para as três etapas finais com 1.37 minutos de vantagem para Primoz Roglic e 3.01 face a Felix Gall. Richard Carapaz segue no quarto lugar, a 5.17, ao passo que Oscar Onley (Netcompany Ineos) é quinto, a 6.03.