Era a noite de 29 de junho de 1994 quando, no meio dos jardins de Kensington, em Londres, a princesa Diana fazia mais uma das suas entradas triunfais. Participava numa festa anual de angariação de fundos da Vanity Fair, e para a ocasião usou o que ficou imediatamente conhecido como o “vestido da vingança”. O look seria, afinal, premeditado. Naquela mesma noite, o príncipe Carlos, de quem estava separada desde 1992, assumiria publicamente, num documentário exibido pela ITV, que tinha sido infiel. Mais de 30 anos depois, o vestido preto, justo e curto, com um decote que deixava os ombros à mostra, vai a leilão em Nova Iorque — e a licitação da peça começa nos 250 mil euros.
O vestido será leiloado a 9 de dezembro, mas antes segue numa digressão mundial por vários pontos da Sotheby’s, a começar numa exposição em Londres, a 18 de setembro, seguindo então para Hong Kong, Genebra e Nova Iorque.

É a segunda vez que a peça é vendida. Os atuais proprietários são um casal de colecionadores escoceses que compraram o vestido em junho de 1997, quando Diana levou 79 das suas peças de roupa a leilão para ajudar instituições de caridade. A princesa morreria dois meses depois num trágico acidente em Paris. “O meu falecido marido e eu sabíamos que este vestido era algo especial”, disse a proprietária, citada pelo The Telegraph. “A princesa Diana estava prestes a viver a pior noite da sua vida, mas jamais imaginaríamos isso ao olhar para ela. O vestido, que antes era um simples vestido de cocktail, transformou-se numa peça marcante no pouco tempo que foi preciso para fotografá-la.” A atual proprietária acrescenta: “Trinta anos depois, podem-se dizer essas palavras em qualquer lugar do mundo e todos saberão exatamente a que vestido se referem”.
A peça é uma criação da designer grega Christina Stambolian, e havia sido comprada em setembro de 1991, quando a princesa esteve na loja da criadora. “Quero um vestido especial para uma ocasião especial. Não importa se é curto ou longo. Tem de ser algo especial”, conta Claudia Joseph, autora do livro Diana: A Life in Dresses. “Sentámo-nos e eu fiz alguns desenhos num papel”, contou a designer. Diz que Diana achou o vestido um pouco arriscado, e queria que cobrisse mais o corpo, mas foi convencida a avançar com o design.
O “vestido da vingança”, entretanto, não ganhou a reputação sozinho. O look totalmente preto, combinando collants transparentes, sapatos Manolo Blahnik e clutch, deixava em evidência as unhas pintadas num raro verniz vermelho. No pescoço, Diana levou a gargantilha de pérolas e uma pregadeira com uma grande safira que foi o presente de casamento que a rainha-mãe lhe ofereceu quando se casou com o príncipe Carlos, em 1981.
Outro detalhe curioso é que a famosa aparição quase não aconteceu, já que a princesa havia rejeitado o convite dois dias antes do evento. Contudo, de acordo com a biógrafa de Diana, Tina Brown, tudo mudou quando soube a data em que o documentário Charles: The Private Man, The Public Role seria exibido. “Disse que, afinal, sempre queria ir”, contou um dos organizadores à escritora. “O que andas tu a tramar?”, terá questionado, ao que ela respondeu: “Vais ver”.
Horas depois, a televisão britânica emitia as declarações de Carlos. “Foi fiel e honrou os votos que fez à sua mulher no casamento?”, perguntou o jornalista Jonathan Dimbleby. “Sim, absolutamente”, disse o príncipe, com uma longa pausa. “Até que (o casamento) se tornou irremediavelmente partido”. Carlos e Diana tiveram a separação anunciada a 9 de dezembro de 1992 pelo primeiro-ministro da altura, John Major, no parlamento britânico. O divórcio só viria a estar concluído em agosto de 1996.