Após vários anos intermitentes ou de vazio nas participações em grandes provas internacionais, Portugal foi consolidando uma posição a nível de presenças. Podia depois estar melhor ou pior – mas estava, sempre com o objetivo de fazer acima do que tinha sido alcançado na edição anterior. No entanto, este Campeonato da Europa trazia um desafio paralelo para o conjunto nacional: continuar a promover uma renovação inevitável no núcleo duro sem perder competitividade. E se o encontro inaugural diante da Polónia dificilmente podia expressar esses resultados, tendo em conta o favoritismo da campeã em título e vice-campeã olímpica, era nos restantes encontros do grupo B da primeira fase que estavam centradas todas as atenções.
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“É uma fase difícil como em qualquer transição mas também tem sido interessante e tem sido um bom desafio. Estamos ainda numa fase inicial do processo, temos alguns atletas a conquistar o seu espaço, à procura de assumir a responsabilidade dentro de campo. Tem havido também uma ajuda grande dos atletas mais experientes nessa integração e nessa partilha de responsabilidades. Estamos num momento diferente daquele que era o momento do Europeu anterior mas isto faz parte do trabalho e esperamos conseguir ser mais uma vez competitivos. O objetivo desportivo é claro: queremos passar à próxima fase. É a questão dos pontos no ranking, que condiciona o próximo Europeu, o próximo Mundial e temos que lidar também com essa expectativa. Este grupo de trabalho tem que encontrar esse caminho e esse caminho passa por neste Europeu conseguir passar à fase seguinte”, apontara o selecionador nacional, João José.
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Em paralelo, a ordem de jogos nesta fase inicial, com os principais obstáculos a surgirem logo a abrir, era algo que passava ao lado da realidade de Portugal, um pouco à semelhança do que acontecera no Europeu de voleibol feminino em que a Seleção perdeu os três encontros iniciais mas fez história com a qualificação para os oitavos após bater Espanha e Roménia. “Na prática, essa ordem de jogos não faz grande diferença na preparação mas a verdade é que quando começamos a competir nunca sabemos muito bem como é que vamos começar. O primeiro jogo é sempre um jogo tenso, a teoria diz que um jogo mais acessível é bom para entrarmos melhor, pois estamos nervosos, mas também entrar frente a uma equipa mais forte e candidata ao ouro liberta um bocadinho a tensão, o que é uma falsa verdade…”, destacara o ex-central.
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“Ninguém vai querer jogar mal contra a Polónia, ninguém vai querer jogar mal contra a Bulgária. Vão querer entrar para jogar e para demonstrar que conseguem também ser competitivos com estas equipas, tenho a certeza disso. Espero que consigamos entrar dentro de campo combativos e construir a passagem à fase seguinte. Nada se vai definir no primeiro jogo, quer corra bem, quer corra mal, e temos que conseguir construir isso ao longo da competição. Por isso, espero que a equipa procure entrar de uma forma combativa e que vá à procura do seu espaço ao longo do encontro”, acrescentara ainda a propósito da estreia em Sófia.
Era na Arena 8888, com capacidade para mais de 15.000 espectadores, que tinha início esse desafio nacional neste Europeu, defrontando uma Polónia que entrou no top 4 das últimas três edições (vencendo em 2023), que foi às meias nos últimos quatro Mundiais (duas vitórias, uma prata e um bronze) e que chegou à final dos últimos Jogos Olímpicos em Paris, perdendo apenas com a seleção francesa. Já Portugal, que na derradeira participação no Europeu fechou a primeira fase com três triunfos e duas derrotas passando aos oitavos como segundo classificado do grupo antes de perder com a Ucrânia, arrancava num grupo mais complicado do que tivera em 2023 mas em busca de sensações positivas que dessem outro alento para o que se segue, a começar por uma Bulgária que afastou Portugal nos oitavos do último Campeonato do Mundo, em 2025.
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De forma natural, o primeiro set acabaria por não demorar mais do que 20 minutos. Portugal conseguiu uma entrada certinha, foi completando os seus ataques aproveitando a rapidez de distribuição para tirar o central da zona de bloco mas pecou na forma como não pontuava no contra-ataque. João José ainda parou o jogo com um desconto de tempo a corrigir situações e a pedir para os jogadores “continuarem a ir para cima” da Polónia mas a lei do mais forte imperou, com o risco nacional assumido no serviço (quanto mais agressivo, maiores dificuldades na receção adversária mas também maior risco de falhar) e a falta de ligação entre a distribuição e o ataque a acelerarem o triunfo dos polacos, que fecharam o parcial inicial por 25-12.
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O segundo set teve uma história diferente, também pelos níveis de ansiedade bem mais baixos de Portugal. A pressão deixou de pesar tanto, o jogo tornou-se mais desenvolto, o bloco também apareceu, com Cveticanin a conseguir colocar a Seleção pela primeira vez a ganhar por dois pontos (5-3). Continuava a haver mais falhas diretas no serviço do que seria expectável mas o ataque nacional foi cumprindo até a Polónia ter passado para a frente e começado a pressionar mais todas as ações portuguesas. João José ainda tentou de novo travar esse ascendente mas foi tarde, com os campeões em título a fecharem o segundo set com 25-18.
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Havia pouco ou nada a fazer perante a enorme diferença entre as duas equipas, com ambos os selecionadores a aproveitarem para começarem a lançar jogadores que estavam no banco e resguardarem um pouco os mais utilizados (como Léon, grande figura polaca que ficou de fora no terceiro parcial). Com Lourenço Martins a ser o melhor marcador e o mais inconformado apesar das visíveis distâncias de valores, a Seleção tentou não descolar por completo da Polónia mas a tarefa estava complicada, com João José a pedir um desconto de tempo com 15-9 sem falar com os jogadores, tentando apenas cortar uma fase menos conseguida. “Vamos com um sorriso para o campo, vamos lá”, ouvia-se na transmissão para um último forcing que nivelasse um pouco mais os números da derrota, como aconteceu em alguns pontos até ao 25-20 final.
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