É o último esforço para tentar evitar uma nova greve no INEM. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, convocou para esta sexta-feira, às 8h30, uma segunda reunião com o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) e o presidente do INEM, Luís Cabral, para tentar mediar um entendimento entre as partes e, assim, travar a paralisação dos técnicos, prevista para os dias 14 e 28 de setembro. Ao Observador, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, adianta que o sindicato que lidera enviou já uma contraproposta ao INEM, na qual se aproxima das posições do Conselho Diretivo do instituto. “Estamos prontos para algumas cedências”, adianta o responsável, dizendo ter “esperança” de que a greve ainda possa ser desmarcada.
Depois de ter recebido a indicação de que o STEPH se tinha mostrado disponível para fazer cedências, Ana Paula Martins convocou a meio desta semana uma nova reunião para esta sexta-feira, cumprindo a promessa de tudo fazer, até “ao último segundo”, para evitar a greve, que será, a concretizar-se, a segunda paralisação significativa dos técnicos de emergência pré-hospitalar em menos de dois anos — depois da greve de outubro/novembro de 2024, que causou sérios constrangimentos na resposta à população.
Na contraproposta que enviou ao INEM esta semana, o STEPH continua a exigir que a “resposta dada pelo INEM à população não seja diminuída”, nem colocada em causa, mas aproxima-se das posições do instituto em relação às duas medidas que fazem parte da reforma interna e que os técnicos contestam: a substituição das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras e a alocação das ambulâncias de Emergência Médica aos hospitais.
O sindicato que representa os técnicos admite a possibilidade de as ambulâncias de Emergência Médica serem utilizadas para realizar transporte inter-hospitalar de doentes críticos, mas apenas em situações “pontuais” — algo que, explica, já acontece atualmente, quando as Unidades Locais de Saúde não têm meios para garantir esse transporte e pedem ajuda ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Rui Lázaro admite que a utilização das ambulâncias de Emergência Médica para transporte inter-hospitalar possa ser formalizada, mas avisa que o STEPH só aceitará tal medida se for garantido que são primeiro privilegiadas as viaturas dos parceiros do INEM (bombeiros e Cruz Vermelha) para fazer o transporte entre hospitais e desde que o INEM garanta que as suas ambulâncias estão “sempre disponíveis para cuidados aos cidadãos”.
https://observador.pt/2026/08/26/inem-reuniao-no-ministerio-da-saude-terminou-sem-acordo-e-greve-mantem-se-mas-entendimento-ainda-e-possivel/
Outro tema em que o sindicato se aproximou das posições de Luís Cabral está relacionado com a substituição das 44 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras. Na proposta que enviou ao STEPH na segunda-feira, o INEM admitia avançar com um projeto-piloto de substituição de um terço das SIV (15) antes de generalizar o novo modelo de resposta a todo o território, mas o STEPH considera esse número excessivo e vai propor que o projeto-piloto fique limitado à substituição de cinco SIV (menos de 10% do total) por viaturas ligeiras. Rui Lázaro diz também que terão de ser discutidas com o INEM as zonas onde vai avançar o teste. “Tem de ficar salvaguardado que, nessas zonas, não se perde capacidade de resposta”, vinca o responsável sindical.
O STEPH não desiste, contudo, do reforço da capacidade operacional do INEM (própria ou através de parceiros) e vai continuar a exigir que cada concelho do país tenha pelo menos duas ambulâncias de transporte de doentes. Mas admite negociar o prazo para a concretização desse objetivo, podendo, diz Rui Lázaro, ser fixado um prazo posterior a 2027 — uma data que constava nas exigências iniciais do sindicato.
Apesar da disponibilidade para se aproximar das posições do INEM, o presidente do STEPH mantém as críticas a Luís Cabral, que, diz, enviou ao sindicato uma contraproposta escrita (12 dias após a primeira reunião) que “ficou aquém do entendimento verbal alcançado”. “Ficámos desiludidos“, admite, reconhecendo que, caso o INEM não faça cedências, a greve convocada para setembro vai manter-se. Ainda assim, Rui Lázaro tem “esperança” de que a greve ainda possa ser desconvocada.