(c) 2023 am|dev

(A) :: Ministra da Saúde tenta travar greve no INEM e convoca reunião limite. Sindicato faz cedências e admite "esperança" num acordo

Ministra da Saúde tenta travar greve no INEM e convoca reunião limite. Sindicato faz cedências e admite "esperança" num acordo

Ana Paula Martins tenta evitar paralisação até ao "último segundo". Sindicato que representa os técnicos do INEM enviou contraproposta com aproximação às posições do instituto.

Tiago Caeiro
text

É o último esforço para tentar evitar uma nova greve no INEM. A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, convocou para esta sexta-feira, às 8h30, uma segunda reunião com o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) e o presidente do INEM, Luís Cabral, para tentar mediar um entendimento entre as partes e, assim, travar a paralisação dos técnicos, prevista para os dias 14 e 28 de setembro. Ao Observador, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, adianta que o sindicato que lidera enviou já uma contraproposta ao INEM, na qual se aproxima das posições do Conselho Diretivo do instituto. “Estamos prontos para algumas cedências”, adianta o responsável, dizendo ter “esperança” de que a greve ainda possa ser desmarcada.

Depois de ter recebido a indicação de que o STEPH se tinha mostrado disponível para fazer cedências, Ana Paula Martins convocou a meio desta semana uma nova reunião para esta sexta-feira, cumprindo a promessa de tudo fazer, até “ao último segundo”, para evitar a greve, que será, a concretizar-se, a segunda paralisação significativa dos técnicos de emergência pré-hospitalar em menos de dois anos — depois da greve de outubro/novembro de 2024, que causou sérios constrangimentos na resposta à população.

Na contraproposta que enviou ao INEM esta semana, o STEPH continua a exigir que a “resposta dada pelo INEM à população não seja diminuída”, nem colocada em causa, mas aproxima-se das posições do instituto em relação às duas medidas que fazem parte da reforma interna e que os técnicos contestam: a substituição das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras e a alocação das ambulâncias de Emergência Médica aos hospitais.

O sindicato que representa os técnicos admite a possibilidade de as ambulâncias de Emergência Médica serem utilizadas para realizar transporte inter-hospitalar de doentes críticos, mas apenas em situações “pontuais” — algo que, explica, já acontece atualmente, quando as Unidades Locais de Saúde não têm meios para garantir esse transporte e pedem ajuda ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Rui Lázaro admite que a utilização das ambulâncias de Emergência Médica para transporte inter-hospitalar possa ser formalizada, mas avisa que o STEPH só aceitará tal medida se for garantido que são primeiro privilegiadas as viaturas dos parceiros do INEM (bombeiros e Cruz Vermelha) para fazer o transporte entre hospitais e desde que o INEM garanta que as suas ambulâncias estão “sempre disponíveis para cuidados aos cidadãos”.

https://observador.pt/2026/08/26/inem-reuniao-no-ministerio-da-saude-terminou-sem-acordo-e-greve-mantem-se-mas-entendimento-ainda-e-possivel/

Outro tema em que o sindicato se aproximou das posições de Luís Cabral está relacionado com a substituição das 44 ambulâncias de Suporte Imediato de Vida por viaturas ligeiras. Na proposta que enviou ao STEPH na segunda-feira, o INEM admitia avançar com um projeto-piloto de substituição de um terço das SIV (15) antes de generalizar o novo modelo de resposta a todo o território, mas o STEPH considera esse número excessivo e vai propor que o projeto-piloto fique limitado à substituição de cinco SIV (menos de 10% do total) por viaturas ligeiras. Rui Lázaro diz também que terão de ser discutidas com o INEM as zonas onde vai avançar o teste. “Tem de ficar salvaguardado que, nessas zonas, não se perde capacidade de resposta”, vinca o responsável sindical.

O STEPH não desiste, contudo, do reforço da capacidade operacional do INEM (própria ou através de parceiros) e vai continuar a exigir que cada concelho do país tenha pelo menos duas ambulâncias de transporte de doentes. Mas admite negociar o prazo para a concretização desse objetivo, podendo, diz Rui Lázaro, ser fixado um prazo posterior a 2027 — uma data que constava nas exigências iniciais do sindicato.

Apesar da disponibilidade para se aproximar das posições do INEM, o presidente do STEPH mantém as críticas a Luís Cabral, que, diz, enviou ao sindicato uma contraproposta escrita (12 dias após a primeira reunião) que “ficou aquém do entendimento verbal alcançado”. “Ficámos desiludidos“, admite, reconhecendo que, caso o INEM não faça cedências, a greve convocada para setembro vai manter-se. Ainda assim, Rui Lázaro tem “esperança” de que a greve ainda possa ser desconvocada.