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(A) :: Uganda deixa Invictus Games depois de carta de Carlos III sobre Harry e Meghan. "Não participamos em nada que não tenha a aprovação do Rei"

Uganda deixa Invictus Games depois de carta de Carlos III sobre Harry e Meghan. "Não participamos em nada que não tenha a aprovação do Rei"

O chefe das forças militares do Uganda anunciou a desistência depois de o monarca reforçar numa carta que os duques de Sussex não representam a realeza. Harry culpa o pai pela saída do país.

Sâmia Fiates
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Dois meses depois de Kiryowa Kiwanuka, o ministro da Defesa do Uganda, ser fotografado ao lado do príncipe Harry numa cerimónia em Londres para anunciar a sua participação nos Invictus Games, o país desiste dos jogos organizados pelo filho mais novo de Carlos III. A decisão foi revelada dois dias depois de ser tornada pública uma carta enviada em nome do Rei pelo lorde camareiro, um alto funcionário do palácio, à equipa dos duques de Sussex, ao Governo e também às forças militares. O documento tinha como objetivo clarificar as funções de Harry e Meghan, e recorda que o casal não representa a realeza britânica oficialmente em nenhum projeto que desenvolve.

“Para que não sejamos interpretados como opondo-nos a Sua Majestade o Rei Carlos III do Reino Unido, a quem reverenciamos profundamente, o Uganda retira-se dos Invictus Games, um evento desportivo fundado pelo príncipe Harry em 2014, destinado a militares feridos de todo o mundo.

“Não participaremos em nada que não tenha a aprovação de Sua Majestade“, escreveu o general Muhoozi Kainerugaba, chefe militar do Uganda e filho do Presidente do país, no X.

Aos olhos de Harry, a decisão do país é provocada pela carta de Carlos III, alega uma fonte próxima dos Sussex ao jornal britânico The Telegraph. “Com ou sem intenção, é claramente uma consequência das orientações do lorde camareiro sobre os duques de Sussex que foram enviadas sem consulta prévia na segunda-feira”, diz a fonte. “Infelizmente, os principais lesados serão os competidores dos Invictus Games”, conclui.

Anteriormente, um porta-voz de Harry e Meghan afirmou que ambos ficaram “surpreendidos” com a divulgação da carta, que não terá sido apresentada aos Sussex “antecipadamente” nem sido dada a oportunidade para o casal propor adequações ao documento.

De acordo com o Telegraph, a organização dos Invictus Games estará em negociações com os parceiros no país para esclarecer a questão. Ao The Times, o general Kainerugaba afirmou que “há fações no Ministério da Defesa que apoiam esse disparate de Harry e Meghan. Tive de acabar com isso imediatamente. Apoio a monarquia. Ponto final.” À BBC, o porta-voz do Governo, Alan Kasujja, confirmou a decisão divulgada: “O general Kainerugaba decide se a UPDF (Força de Defesa Popular do Uganda) participa ou não nos Invictus Games. O que viram é a sua posição. Se algo se alterar, ele deixará que o mundo saiba”.

O general Kainerugaba é conhecido pelo excesso de publicações no X — já fez ameaças a líderes da oposição e até a países vizinhos através das redes sociais. Por este motivo, o filho do Presidente ugandense já removeu o seu perfil duas vezes. No mesmo dia em que anunciou a desistência dos Invictus Games, Kainerugaba fez outras 10 publicações, uma delas a dizer que “as mulheres devem dormir muito. Precisam de manter a energia para os nossos filhos”.

A participação do Uganda nos Invictus Games foi anunciada num evento em Londres a 7 de julho, quando Harry esteve no Reino Unido para diversos compromissos relacionados com o projeto, fundado pelo príncipe em 2014 e destinado a militares feridos em combate de todo o mundo. O país seria a 26.ª nação a integrar a comunidade dos jogos, e a primeira do leste africano.

Durante a cerimónia em julho, o ministro da Defesa do Uganda, Kiryowa Kiwanuka, posou ao lado do duque de Sussex e fez um discurso a agradecer ao príncipe pela receção, destacando o papel do Presidente do país, Yoweri Museveni, no poder desde 1986, pela sua “liderança visionária”.

A próxima edição dos jogos será realizada em julho de 2027 em Birmingham, e marca o regresso do evento ao Reino Unido desde a sua edição inaugural, em 2014, em Londres. De acordo com a imprensa britânica, o príncipe Harry tem a intenção de convidar o pai, o Rei Carlos III, para a cerimónia de abertura dos jogos.