O secretário-geral do Partido Socialista (PS) acusou o Governo de tirar mais do que aquilo que dá aos portugueses com os apoios anunciados para os agricultores nos combustíveis. “O Governo dá com uma mão, mas tem vindo a tirar com as duas. Entre aquilo que dá e que tira, o Governo fica ainda com 400 milhões de euros nos cofres do Estado”, disse esta quarta-feira José Luís Carneiro antes da conferência de apresentação do livro de memórias do antigo deputado socialista Renato Sampaio, no Porto.
Esse recheio dos cofres do Estado, no entender do secretário-geral do PS, deve-se aos 600 milhões de euros “de receita do IVA” que não estava prevista no Orçamento do Estado para 2026, e de outros 600 milhões de euros resultantes “do aumento dos impostos sobre os combustíveis”. “O Governo diz que não foram impostos porque não foram à Assembleia da República. Isso é verdade, mas foram portarias cujo efeito é o mesmo dos impostos”.
https://observador.pt/2026/09/08/governo-vai-dar-suplemento-aos-pensionistas-pelo-terceiro-ano-consecutivo-bonus-vai-ser-pago-em-dezembro/
José Luís Carneiro recuperou o relato de uma mulher que se cruzou com ele esta quarta-feira no Porto para traduzir as “muitas dificuldades” vividas pelos portugueses. “Tive uma senhora (…) chamada Teresa que se dirigiu a mim — e como ela deve haver milhares de pessoas — que recebe 300 euros de pensão e recebe também 300 euros pelo marido que já faleceu. Paga cerca de 200 euros de renda de casa e tem que comprar dois cabazes alimentares, pelo menos, por mês”.
A mulher terá acrescentado que não consegue viver com estes “recursos” e que, apesar de ter 78 anos, trabalha “nas limpezas”. “Isto mostra que as pessoas estão a viver com muitas dificuldades e o Governo não pode continuar insensível e a arrecadar receita que é o resultado do esforço e do sacrifício que as pessoas estão a fazer para conseguir chegar com as contas certas ao fim do mês”.
https://observador.pt/2026/09/08/montenegro-anuncia-corte-de-400-milhoes-no-irs-baixando-taxas-ate-ao-sexto-escalao-a-partir-de-novembro/
Admitindo ter uma abordagem política e económica “muito diferente” do Governo, disse que as medidas anunciadas no debate da moção de censura — a atribuição de um suplemento extraordinário aos pensionistas e a descida do IRS — não respondem a “políticas estruturais” e “duradouras” que permitam dar às pessoas “outras condições de vida”.
Além de ter afastado voltar a responder sobre se continua a defender a permanência de Luís Neves no cargo — “são assuntos para outras contas” —, recusou comentar os resultados do relatório PISA sobre a educação: “Ainda não li o estudo, não me quero pronunciar”. Isto depois de na terça-feira, em reação à divulgação do estudo, o ex-ministro socialista da Educação João Costa não ter descartado responsabilidades do seu Executivo (do qual fazia parte José Luís Carneiro) nos maus resultados.
https://observador.pt/2026/09/08/joao-costa-nao-descarta-responsabilidades-pelos-resultados-do-pisa-e-aponta-cooperacao-internacional-como-caminho-para-a-recuperacao/
O secretário-geral também não se quis comprometer com uma tentativa de negociar a descida do IVA para os combustíveis no próximo Orçamento do Estado. “Temos que esperar pela proposta do OE”, rematou José Luís Carneiro antes da apresentação do “amigo” Renato Sampaio. “A minha presença aqui também é uma presença que procura honrar o trabalho e a dedicação que ele teve, servindo o PS no melhor da sua idade”.