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Governo espanhol reitera que não houve relatório ou alerta oficial sobre Ceuta

O Governo espanhol rejeita ter sido avisado sobre a dimensão da crise migratória em Ceuta, apesar de documentos revelarem alertas do CNI para possíveis entradas na cidade no dia 30 de julho.

Agência Lusa
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O Governo espanhol sublinhou esta quarta-feira que não recebeu qualquer relatório ou alerta oficial dos serviços de informações sobre Ceuta, mantendo que ninguém previu a magnitude do ocorrido na cidade em julho — apesar dos documentos confidenciais revelados esta quarta-feira que dão conta de alertas feitos pelos serviços de informações às autoridades.

https://observador.pt/2026/09/09/secretas-espanholas-avisaram-autoridades-de-espanha-e-marrocos-de-tentativas-de-entradas-a-nado-em-ceuta-no-dia-seguinte/

Numa conferência de imprensa em Ceuta, o delegado do Governo de Espanha na cidade autónoma, Miguel Ángel Pérez Triano, sublinhou que o que existiu foram “trocas de informações” por WhatsApp entre um elemento do Centro Nacional de Inteligência (CNI) espanhol e um membro do seu próprio gabinete.

“Os WhatsApp do dia 29 não são nenhum alerta nem nenhum relatório”, afirmou. “São apenas uma troca de informação” e, quando o CNI tem um alerta, emite-o num “envelope lacrado” que entrega noutras instâncias, como os Ministérios da Administração Interna ou da Defesa, acrescentou.

Miguel Ángel Pérez Triano sublinhou ainda que o próprio CNI confirmou já que não antecipou o que ocorreu em Ceuta em 30 de julho, numa referência a uma informação divulgada esta quarta-feira a meios de comunicação social.

Fontes do Centro Nacional de Inteligência sublinharam aos meios de comunicação social que aquilo que os documentos publicados esta quarta-feira revelam é que os serviços de informações “emitiram informação sobre uma campanha nas redes sociais que apelava a um assalto à vedação de Ceuta”, mas “não anteciparam a magnitude e natureza do que acabou por ocorrer no dia 30”, que foi “um fenómeno invulgar que não se assemelha às crises migratórias conhecidas até agora”.

Também fontes da Presidência do Governo disseram aos jornalistas que o Executivo mantém que “os documentos publicados mostram que a informação disponível antes da entrada” de mais de 70 mil pessoas em Ceuta de forma ilegal em 30 de julho “não permitia antecipar a magnitude que acabou por alcançar a crise nem dimensionar com antecedência suficiente a resposta necessária”.

Outras fontes do Executivo citadas pelo jornal El País insistiram em que “não houve relatório” nem informação que tenha sido “elevada como alerta aos superiores” por parte do CNI.

Os serviços de informações de Espanha alertaram Marrocos e o Governo espanhol para “várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta” em 30 de julho em grupos nas redes sociais com 180.000 pessoas, segundo documentos conhecidos esta quarta-feira.

Os avisos foram feitos pelo Centro Nacional de Inteligência (CNI) de Espanha aos serviços de informações de Marrocos, à Delegação do Governo espanhol em Ceuta e a uma unidade de inteligência da Guarda Civil espanhola no dia 29 de julho, véspera da entrada ilegal de mais de 70.000 pessoas na cidade, a nado ou saltando a vedação fronteiriça.

O CNI alertou para “possíveis tentativas de entrada” em Ceuta, um enclave espanhol no norte de África, durante a semana da Festa do Trono em Marrocos e concretamente no dia 30 de julho, às 20h00.

Segundo documentos desclassificados e publicados esta quarta-feira pelo Governo de Espanha, o CNI alertou, em 29 de julho, para grupos de WhatsApp e Facebook onde circulavam “várias convocatórias para levar a cabo entradas em Ceuta”.

“Nas redes sociais, há um apelo para um assalto pela vedação e por mar amanhã às 20h00 (…). Há dois grupos diferentes com um total de 180.000 seguidores. Para que tenhas uma ideia do alcance da difusão”, lê-se numa mensagem enviada por WhatsApp às 13h52 de 29 de julho por um elemento do CNI ao chefe de gabinete da Delegação do Governo de Espanha em Ceuta.