O chanceler alemão, Friedrich Merz, mostrou-se esta quarta-feira cético quanto a um eventual processo de proibição da Alternativa para a Alemanha (AfD), alertando que isso não resolveria os problemas percecionados pelos eleitores desse partido de extrema-direita.
“Continuo cético quanto ao que pode resultar de um processo de proibição, as barreiras [jurídicas] são demasiado elevadas. Além disso, mesmo que a proibição fosse alcançada, isso não resolveria os problemas que os eleitores desse partido veem”, disse Merz, numa conferência de imprensa em Berlim, com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
O chanceler foi questionado sobre a proposta do ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst (CDU, liderado por Friedrich Merz), para criar um grupo de trabalho para esse fim.
“Temos de confrontar esse partido oferecendo soluções, combatê-lo politicamente”, acrescentou Merz, que na manhã desta quarta-feira travou um duelo no parlamento com a colíder da AfD, Alice Weidel, e acusou esse grupo de procurar fazer uma “limpeza étnica” da Alemanha pela sua política anti-imigração.
Costa, que está a fazer um périplo pelas capitais da União Europeia (UE), foi questionado, por sua vez, sobre a sua opinião sobre a vitória da AfD, uma formação anti-UE, nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt (leste da Alemanha) no último domingo.
“Normalmente não posso tomar posição relativamente aos desenvolvimentos políticos nos países membros. O que posso dizer é que os cidadãos esperam decisões concretas, em defesa e competitividade, para responder a desafios como a inteligência artificial. O que precisamos é de uma resposta concreta às preocupações. Temos de construir confiança no futuro”, disse o antigo primeiro-ministro português.
“Em 2026 teremos novamente um pequeno crescimento económico, metade do qual se deve às exportações para a UE. Quem duvida da adesão da Alemanha à União Europeia põe em risco o nosso crescimento económico”, disse Merz.
A AfD é um partido eurocético que quer que a Alemanha saia do euro e do espaço Schengen, entre outras medidas, mas o chanceler democrata-cristão também acredita que o programa do partido vai contra valores fundamentais, pelo que, se expandir o seu poder no país da Europa Central, criaria grandes problemas com os parceiros europeus.
O partido, vigiado pelos serviços secretos sob classificação de organização suspeita de extremismo de direita, lidera atualmente as sondagens nacionais e as intenções de voto em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, outro estado federado que vai a votos no dia 20 de setembro. Também surge entre os principais partidos na corrida eleitoral em Berlim, que tem eleições igualmente a 20 de setembro.