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(A) :: A Apple dobrou o iPhone e criou um Duo na estreia de John Ternus

A Apple dobrou o iPhone e criou um Duo na estreia de John Ternus

O momento "one more thing" de John Ternus chegou com um iPhone dobrável — a maior mudança no iPhone desde 2007. Também foram apresentados mais relógios e AirPods.

Cátia Rocha
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Afinal, Tim Cook ainda fez uma aparição na apresentação desta quarta-feira da Apple. Sorridente, fez questão de dizer que já não é o protagonista. “Não, não, aquele é que é o vosso tipo, a vossa abertura”, enquanto apontava para John Ternus, o seu sucessor e CEO da Apple desde 1 de setembro.

Havia muitas dúvidas sobre o estilo que Ternus iria assumir no seu primeiro grande teste como CEO. O engenheiro não mexeu na fórmula — manteve as apresentações gravadas, com presença de vários executivos da empresa — mas fez uma menção relevante ao principal inovador da Apple.

https://twitter.com/supbrice/status/2097734166477472138

O executivo fez questão de prolongar a espera até ao segredo mal escondido do iPhone dobrável, a maior mudança nos telefones da Apple desde 2007. Mostrou o iPhone 18 Pro e Pro Max, passou pelas novidades dos AirPods, dedicou tempo ao Apple Watch 12 e Ultra 4 até chegar ao seu momento “one more thing”.

As três palavras ficaram para a história na voz de Steve Jobs, um dos criadores da Apple. Era a estratégia habitual: quando as novidades pareciam ter terminado, Jobs tinha sempre “mais uma coisa” para mostrar. Normalmente, era a maior surpresa do evento — em 2007, por exemplo, foi o primeiro iPhone. Um produto que hoje em dia vale mais de metade das receitas da Apple.

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Na estreia, Ternus teve o seu próprio momento à la Steve Jobs ao apresentar o iPhone Duo, o primeiro smartphone dobrável da Apple. “Na verdade, há mais uma coisa”, disse. “Um ecrã maior abriria imensas possibilidades”, explicou, “e achamos que a melhor forma de o fazer é com um telefone dobrável”.

Atirou uma farpa à concorrência, falando em empresas “que criaram dobráveis que só parecem dois telefones juntos de forma estranha, que resulta num ecrã quadrado que não é adequado à forma como as pessoas os usam”. É que a Apple não é a primeira a fazer um telefone deste género — concorrentes como a Samsung, Xiaomi, Oppo ou a Google já têm modelos há vários anos no mercado.

https://twitter.com/johnternus/status/2097753253027221817

A aposta da Apple é um telefone que, quando está fechado, imita o formato de um passaporte, com cantos arredondados. É o maior ecrã já usado num iPhone: aberto tem 7,6 polegadas e dobrado tem um ecrã secundário de 5,4 polegadas. Ambos os ecrãs têm a mesma resolução, com a promessa de que isso “garante continuidade visual”.

É também o “telefone mais fino” feito pela Apple, com 5,2 milímetros aberto, ultrapassando o “impossivelmente fino” iPhone Air apresentado há um ano, que tinha 5,6 milímetros. “Representa a mudança mais revolucionária no iPhone desde o modelo original. Com um design totalmente novo e experiências intuitivas, mostra o que é possível alcançar quando o hardware e o software são concebidos em conjunto e redefine o que significa utilizar um telemóvel dobrável”, declarou Ternus.

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O iPhone Duo usa o processador A20 Pro — também uma novidade com promessa de maior desempenho e durabilidade de bateria. Ter este novo formato implicou ajustes no software, já que é preciso garantir que as aplicações respondem ao novo formato e também à ideia de continuidade entre o ecrã exterior e interior.

Ter um formato diferente traz outras possibilidades nas videochamadas e na fotografia. Por exemplo, há uma nova câmara de FaceTime para que seja possível tirar partido dos dois ecrãs durante a chamada. Ou, quando está a fotografar alguém, o ecrã exterior pode ajudar a pessoa fotografada a perceber como estão a correr as poses.

O telefone dobrável da Apple vai demorar mais de um mês a chegar ao mercado: as pré-vendas arrancam a 16 de outubro, mas o equipamento só chega às lojas a 23 de outubro. Se nos EUA fica abaixo da barreira psicológica dos dois mil dólares — foi apresentado a 1.999 dólares — em Portugal é ainda mais caro. Por cá, arrancará nos 2.399 euros, na versão de 256 GB, mas ter mais espaço tem um custo extra. Por exemplo, 2 TB elevam o preço do telefone para os 3.899 euros.

Além do Duo, a Apple também apresentou dois modelos de iPhone Pro: o 18 Pro e o 18 Pro Max. Visualmente há poucas mudanças nestes telefones. A maior mudança passa pela inclusão de um novo processador, o A20 Pro, e por uma nova câmara Fusion de 48 megapíxeis, que tem a novidade de uma abertura variável e mais ferramentas para controlo das fotografias.

As pré-vendas dos modelos Pro arrancam a 12 de setembro, com chegada prevista ao mercado para 18 de setembro. Em Portugal, estes equipamentos arrancam nos 1.499 euros, o mesmo preço do antecessor 17 Pro. Já o 18 Pro Max arranca nos 1.649 euros.

Desta vez não foram apresentados modelos de entrada de gama que, neste caso, seria o iPhone 18.

AirPods 5 com cancelamento de ruído e dois novos relógios

A nova geração dos auriculares sem fios da empresa promete “até mais 50% de redução de ruído” em relação à versão anterior, os AirPods 4. Uma carga promete até 20 horas de reprodução de áudio.

Os auriculares vão ter cancelamento de ruído ativo (até cinco horas contínuas) e ser compatíveis com a Siri AI. Em alguns mercados, também vão ter a capacidade de tradução em tempo real.

Vão chegar a Portugal a 18 de setembro, por 149 euros. É o mesmo preço dos AirPods 4 sem cancelamento de ruído. Haverá ainda “uma segunda versão” dos AirPods com uma caixa wireless que permitirá carregar outros dispositivos, como o Apple Watch. Por cá, custará 169 euros.

Nos relógios, foram apresentados o Series 12 e o Ultra 4. Não há alterações visuais, mas fica a promessa de atualizações na capacidade de monitorização de dados de saúde.

Por exemplo, foram feitos ajustes ao sensor que permite registar os dados de saúde. A aplicação de saúde no relógio também foi alterada para apresentar mais informação ao utilizador, como a preparação do corpo ou a qualidade do sono. Os equipamentos têm também a novidade de “Audio Intelligence”: o microfone do dispositivo vai conseguir reconhecer sons, como campainhas ou sirenes — uma ferramenta que poderá ser útil para quem tem dificuldades de audição.

Outra novidade é a Live Rewind, em que o relógio vai conseguir repetir os últimos 15 segundos de uma conversa e apresentar a informação em texto no ecrã do relógio. O exemplo dado pela empresa foi a capacidade de conseguir ver em texto os pratos disponíveis num restaurante, a partir do discurso de uma empregada de mesa, por exemplo. A Apple declarou que não haverá gravações das conversas.

Francisco Jerónimo, analista da IDC, comenta que os novos AirPods e Apple Watch “são a verdadeira armadilha” da Apple — uma expressão que usa como “elogio”. Pelo fator preço, “a Apple está a transformar os auscultadores de 129 dólares e o Apple Watch no programa de fidelização mais eficaz do setor da tecnologia de consumo”, resume. “Quem entra, raramente sai.”

Uma nova Siri AI que passou despercebida entre os iPhone

Foi um dos primeiros momentos da apresentação, mas acabou por passar despercebido. A Siri AI vai ter poderes reforçados para ser uma assistente com mais funcionalidades, capaz de interagir através de voz ou texto. Além de encontrar informação em emails ou contactos, também vai ter acesso à câmara do telefone para ver o que está à volta do utilizador.

Haverá uma nova aplicação da Siri no iPhone, em que a voz pode ser personalizada para ser mais expressiva. A Apple explica que essa alteração vai ser possível devido ao novo modelo de IA incluído no iPhone.

Por agora, a Siri AI não estará disponível na União Europeia.

A subida de preços chegou aos modelos anteriores do iPhone

Nos últimos anos, o mercado habituou-se a esperar por uma apresentação de novos iPhone para ver os antecessores descerem de preço. Este ano, aconteceu exatamente o contrário.

Em junho, a Apple anunciou subidas nos preços dos produtos devido à crise das memórias. Foi dito que “a indústria de eletrónica de consumo está a enfrentar um desafio sem precedentes” devido ao aumento dos preços das memórias. Alguns produtos ficaram entre 100 a 400 euros mais caros, mas o iPhone escapou à subida — ainda que por alguns meses.

https://observador.pt/2026/09/09/iphone-duo-custara-quase-2-400-euros-em-portugal-18-pro-arranca-nos-1-499-euros/

A atualização de preços feita esta quarta-feira na loja da Apple em Portugal mostra as subidas. O iPhone Air, que até esta terça-feira arrancava nos 1.249 euros, está agora cem euros mais caro, saltando para os 1.349 euros. O iPhone 17 também ficou mais caro: agora custa 1.139 euros, contra os 989 euros anteriores. O iPhone 17e, até agora o mais acessível da linha, salta dos 739 para 889 euros, um aumento de 150 euros.