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"Não se pode ter tudo agora". Apoios aos combustíveis para mais setores decididos "brevemente", diz Castro Almeida

Ministro da Economia reconhece que apoios "nunca" são suficientes para mitigar aumento do custo de vida e defende importância de apoiar agricultura. Estado não está a ganhar com combustíveis, insiste.

Miguel Pinheiro Correia
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O ministro da Economia e da Coesão Territorial admitiu estender os apoios na compra de combustíveis a outros setores, além da agricultura. “O aumento dos preços dos combustíveis é uma perturbação grande para a economia. Há muita gente afetada e alguns severamente afetados”, disse esta quarta-feira Manuel Castro Almeida no final de uma visita às obras de reabilitação do Coliseu do Porto.

“O Governo tem de ser criterioso na atribuição desses apoios [nos combustíveis]. Não podem ser apoios indiscriminados”, acrescentou. No entanto, assumiu que “muito brevemente” podem começar a ser atribuídos “outros apoios além daqueles que foram hoje [quarta-feira] atribuídos aos agricultores”.

“Não se pode ter tudo agora. O valor com que o Estado está a apoiar os consumidores são 23 cêntimos. No caso dos agricultores foram mais dez cêntimos. E está previsto que brevemente, nos próximos dias, serão detalhados apoios também para outros setores, no caso dos bombeiros, táxis, transportadores profissionais”, adiantou, tal como já tinha avançado o primeiro-ministro esta quarta-feira, após o Conselho de Ministros.

Apesar de olhar para as outras áreas, Castro Almeida destacou a importância da agricultura e dos trabalhadores que “não podem dizer que não vão pegar num trator” por não terem dinheiro para o combustível. “Não têm alternativa. E se gastam mais dinheiro? Eles que já têm poucos rendimentos ficam ainda pior”.

E os efeitos estendem-se a todos os consumidores, como lembrou o ministro: “Se gastam mais dinheiro, vão ter que aumentar os preços dos produtos agrícolas. E todos os portugueses que vão ao supermercado vão ser afetados por isso”. “Estamos a procurar intervir num setor que é estratégico para evitar o aumento de preços dos produtos agrícolas nos supermercados. Ajudamos os agricultores para que os agricultores não tenham que repercutir nos consumidores este aumento de preços”, disse.

Confrontado com a dificuldade que os produtores portugueses têm em competir com os preços dos agricultores de Espanha — que têm mais apoios do Estado —, Castro Almeida atirou que “cada país tem as suas regras” e as suas “prioridades”. “Os apoios do Estado português comparam muito bem com os apoios da média europeia. Espanha é uma exceção”.

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Castro Almeida reconhece que apoio “nunca é suficiente” para mitigar aumento do custo de vida

O ministro da Economia e da Coesão Territorial destacou ainda o impacto positivo das medidas anunciadas por Luís Montenegro durante o debate da moção de censura de terça-feira no Parlamento. “São 800 milhões de euros que vão entrar na economia”, esclareceu. 400 milhões de euros “vão para os reformados com as reformas mais baixas” e outros 400 “para todos os que pagam impostos”, tal como tinha revelado o primeiro-ministro.

Esse valor é o suficiente para mitigar o aumento do custo de vida? “Nunca é suficiente”, respondeu Castro Almeida. “Nenhum país que tenha contas equilibradas tem o dinheiro suficiente para apoiar uma situação de guerra. É a situação em que nós estamos. O País não está em guerra, mas está a sofrer consequências da guerra”.

“O que eu faço notar é que num ano que era particularmente exigente, onde o Governo admitia não ter nenhum saldo orçamental, afinal o ministro das Finanças vem dizer que íamos ter um saldo orçamental que permite alocar mais 800 milhões de euros de despesa pública e mesmo assim continuar com as contas positivas“, elogiou, apontando como prioridades o apoio aos “reformados com baixas reformas” e os “rendimentos de quem trabalha” e tem salários “baixos ou médios”.

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O ministro contra-atacou ainda José Luís Carneiro, depois de o secretário-geral do PS ter acusado o Estado de estar a ganhar dinheiro com o aumento dos combustíveis, fruto da guerra. “Essas contas não estão bem feitas. O Estado não está a ganhar com a guerra”.

“Aumentando o preço da gasolina, está sujeita a IVA e o Estado recebe mais IVA. Se não fizesse nada, dir-se-ia: ‘então o Estado está a beneficiar com a guerra, está a ter mais receitas porque há guerra’. Ora, o que é que o Governo decidiu? Aquilo que receber a mais no IVA, compensa diminuindo o valor do ISP. E, portanto, torna neutro para o Estado este aumento do IVA da gasolina”, esclareceu, recusando comentar a possibilidade de a descida do IVA ser discutida nas negociações do Orçamento do Estado.