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Chega pede audição parlamentar urgente do diretor nacional da PJ

Chega quer ouvir Carlos Cabreiro "em viva voz" sobre informações transmitidas à ministra da Justiça sobre operação Pacoba. André Ventura acusa Rita Alarcão Júdice de ter mentido ao Parlamento.

Agência Lusa
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O Chega vai requerer a audição parlamentar urgente do diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, para discutir as informações transmitidas à ministra da Justiça relativas à destruição de químicos apreendidos na operação Pacoba, quando Luís Neves liderava a instituição.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura afirmou que o seu partido quer ouvir o responsável pela PJ “para que possa dizer em viva voz” que informações transmitiu à ministra da Justiça sobre o caso.

O pedido do Chega surge depois de esta manhã a ministra da Justiça ter afirmado, no Parlamento, que “ninguém mentiu” sobre o valor relativo à destruição de químicos apreendidos na operação Pacoba, depois de informações contraditórias da sua tutela e do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Rita Alarcão Júdice adiantou que pediu esclarecimentos adicionais diretamente ao diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, pedindo-lhe “para assumir pessoalmente a responsabilidade de apurar ponto por ponto o que se está a passar e qual é a informação que tem que ser dada”.

André Ventura acusou a ministra da Justiça de ter mentido ao Parlamento nas respostas enviadas sobre o tema, “embora tenha dito que mentiu não por consciência, mas porque a PJ a enganou”. “Alguma coisa aqui não está bem. Ou a Polícia Judiciária está a ocultar informação à ministra da Justiça, à tutela e ao Parlamento, ou a ministra da Justiça está a mentir para tentar encobrir o seu colega da Administração Interna. Os dois cenários são particularmente graves”, criticou.

Apesar de afirmar que mantém todas as hipóteses em aberto, André Ventura disse ter “todas as condições para suspeitar” que foi a ministra da Justiça que mentiu para “encobrir” Luís Neves, e não a PJ a mentir à ministra.

André Ventura apelou ao diretor nacional para que preste estes esclarecimentos, considerando que “é do interesse da polícia” que tal aconteça, e defendeu que “é tempo de os responsáveis políticos não estarem sempre a atirar para cima da polícia as responsabilidades que eles próprios têm”.

O presidente do Chega disse ainda que o Governo “pode fazer os anúncios que entender” — numa referência ao suplemento para pensionistas e alívio do IRS até sexto escalão anunciados no debate da moção de censura — mas a polémica em torno de Luís Neves “não desaparece” por estar em causa “uma questão de transparência e integridade”.

Questionado sobre se não pode estar em causa um erro de comunicação entre instituições, o presidente do Chega considerou “muito difícil” que tal tenha acontecido, insistindo na sua tese.

Já sobre se pondera propor uma audição à porta fechada, uma vez que se trata de matéria sensível, Ventura rejeitou, considerando ser do interesse da PJ e da comunicação social que as declarações sejam públicas.

André Ventura voltou a considerar que “era positivo” ouvir o Presidente da República, António José Seguro, sobre este tema argumentando que está a gerar “desconforto nas instituições”.

Rita Alarcão Júdice sublinhou esta quarta-feira aos deputados que “não houve qualquer mentira” em relação aos 144 mil euros pedidos para destruição de químicos pela PJ.

O Ministério da Justiça está “a apurar com maior detalhe o que é que se está a passar”, apontou, e aguarda a confirmação de que todos os materiais indicados no orçamento para destruição correspondem apenas aos que foram apreendidos no âmbito da operação Pacoba.

Neste momento, acrescentou a responsável pela pasta da Justiça, a informação que existe é a de que os materiais serão apenas da operação Pacoba, “com uma nuance: é muito mais material do que o material que estava na galera, como é natural”. “E daí, provavelmente, tenha estado a origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária”, justificou esta quarta-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.