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Montenegro: "contas públicas equilibradas não valem por si mas têm grande valor para a vida das pessoas"

Governo aprovou prolongamento do apoio ao gasóleo agrícola e remeteu para a próxima semana decisão sobre ajudas a outros setores. Montenegro defendeu "decisões ousadas do ponto de vista orçamental".

Ana Sanlez
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Um dia depois de tirar da manga, no debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, a descida do IRS e um bónus aos pensionistas, o primeiro-ministro veio em defesa do “equilíbrio” das contas públicas, que Luís Montenegro diz estar a conseguir “mesmo com as decisões mais ousadas do ponto de vista orçamental”.

No final de um conselho de ministros que teve lugar em Bragança, na sequência da transformação da Universidade Politécnica de Bragança na Universidade de Bragança e do Norte Interior, Montenegro destacou que o “Portugal” que o Governo esteve a decidir na cidade transmontana é um “Portugal ambicioso, justo, viável, com contas públicas equilibradas”. Isto mesmo com “as decisões mais ousadas do ponto de vista orçamental que o Governo tem tomado com equilíbrio”, diz, um dia depois de ter anunciado a descida do IRS e um bónus aos pensionistas, duas medidas que vão custar 800 milhões de euros.

Num discurso sem direito a perguntas, o primeiro-ministro ressalvou que “as contas públicas equilibradas não valem por si, mas têm um grande valor para a vida das pessoas, que é concreto”. Porque, continuou, “quando temos contas públicas equilibradas financiamo-nos a um preço mais barato. Quando nos financiamos a um preço mais barato pagamos menos juros. E quando pagamos menos juros temos mais recursos disponíveis para investir na administração, nos serviços públicos, nas pessoas, na economia e nas empresas”.

Ter juros baixos, acrescentou ainda, significa que “estamos a dizer que somos confiáveis, nós pagamos, podem emprestar-nos que faremos uma boa utilização dos recursos. Ter contas públicas saudáveis é isto que quer dizer, não é mais nada. Quem confunde isto com os tempos em que tivemos de combater outros desafios está a ver mal”.

No mesmo discurso, o primeiro-ministro anunciou que o Governo decidiu, como já tinha antecipado, o prolongamento até ao final do ano do apoio extraordinário ao gasóleo agrícola, em 10 cêntimos por litro.

Este apoio esteve em vigor até ao final de junho mas, face ao aumento dos combustíveis nas últimas semanas, o Governo optou por prolongar a ajuda até 31 de dezembro.

O primeiro-ministro anunciou ainda que só no conselho de ministros da próxima semana será tomada uma decisão relativa a ajudas aos combustíveis noutras áreas, como transportes, bombeiros e IPSS.

https://observador.pt/2026/09/08/salvo-algum-cataclismo-manteremos-as-contas-publicas-equilibradas-em-2026-diz-ministro-das-financas/