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Rui Rocha faltou à votação da moção de censura para estar na televisão

Bancada da IL não tinha Rocha no momento da votação da moção de censura. André Ventura notou-o minutos antes e sugeriu que podia estar em desacordo com partido. Deputado estava a representar IL na TV.

Inês André Figueiredo
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Rui Rocha faltou à votação da moção de censura ao Governo, depois de ter sido um dos protagonistas na audição de Luís Neves na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. O deputado da Iniciativa Liberal entrou em direto na CNN pouco tempo após a votação final e justificou a ausência com essa entrevista. Nessa altura, já a IL se tinha levantado no hemiciclo da Assembleia da República para votar contra o instrumento apresentado pelo Chega.

A ausência de Rocha foi notada por André Ventura, no próprio debate da moção de censura, numa referência à prestação do liberal nas perguntas a Luís Neves. “Quem o ouvisse [Rui Rocha] perceberia que este ministro não podia continuar [e que] nenhum valor fundacional da IL pode comportar sequer a sustentação deste ministro”, atirou o líder do Chega, que lançou uma suspeita: “Talvez por isso ele não esteja aqui agora”. Ainda antes de prosseguir, Ventura deixou outro recado: “É caso para dizer, sem me querer meter nisso, volta Rui Rocha que estás perdoado!”

Rui Rocha, confrontado com a questão na CNN, resumiu: “Não estava lá porque estive aqui [na CNN] para entrar agora em antena. Foi por isso que não estive na votação.” Questionado pelo Observador, o partido referiu que “Rui Rocha foi convidado para uma entrevista na CNN e à hora da votação já se estava a deslocar para as instalações da estação de televisão.” A assessoria de imprensa do grupo parlamentar da IL explicou que o deputado e um assessor saíram do Parlamento para se dirigirem ao canal televisivo, onde a entrevista estava prevista para as 19h00, acabando por arrancar meia hora depois.

A IL explicou também que após a audição da manhã, em que Rui Rocha se destacou, “fez parte da comunicação do dia parlamentar da IL conseguir e executar presenças na TV” — o que se concretizou com a presença do deputado não só na CNN, mas também no Now, poucas horas depois. Até porque, considerando que a moção de censura estava chumbada, tendo em conta as posições assumidas previamente, não seria o voto do liberal a prejudicar o resultado final.

Além disso, o Observador sabe que Rui Rocha não se manifestou a favor de uma abstenção na moção de censura em discussões de órgãos internos da IL.

Rocha distingue ministro de Governo

Apesar da postura assertiva durante a audição a Luís Neves, Rui Rocha não admitiu em nenhuma circunstância, quando foi questionado em público, a possibilidade de discordar da votação da IL. Na CNN argumentou que “uma coisa é um ministro não ter condições para estar em funções” e “outra coisa é que isso implique automaticamente a queda de um Governo”.

“O Chega tem toda a legitimidade para fazer este tipo de manobras, mas este não era o momento de cair o Governo — é o momento de Luís Neves não estar no Governo. Fazer cair hoje o Governo seria prestar um serviço a Luís Montenegro porque iria vitimizar-se, iria dizer que foi apeado, seria dar uma benesse a Luís Montenegro”, prosseguiu o ex-líder da Iniciativa Liberal.

Rui Rocha considera que ainda “há um trabalho a fazer de elucidar os portugueses sobre os motivos pelos quais Luís Neves não deve estar em funções”, pelo que entende que avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito “faz todo o sentido” para dar seguimento a esse trabalho. “Nós não temos, enquanto oposição, de estar a facilitar a vida a Montenegro, a mandar o país para eleições quando o trabalho de desgaste ainda não está feito”, insistiu.

E ainda acrescentou: “Se a opção de Luís Montenegro é amarrar-se a Luís Neves e degradar as condições de governação ao longo do tempo porque não consegue livrar-se deste peso, desta âncora, que é Luís Neves, é uma opção de Montenegro.”

Rocha tem-se destacado nas redes sociais

Desde que saiu da liderança da Iniciativa Liberal, Rui Rocha tem recuperado uma postura mais leve e de rasgo nas redes sociais, pela qual sempre foi conhecido pelas publicações sobretudo no Twitter. E, nos últimos tempos, tem aproveitado para partilhar vídeos sobre variadíssimos assuntos, com Luís Neves a ser um dos alvos preferidos — mais de dez vídeos em poucas semanas.

Num desses vídeos, no “pré-match da audição de Luís Neves”, Rui Rocha afirmou que o ministro “não tem condições para exercer o cargo porque quando era diretor nacional da PJ violou a lei em várias ocasiões e porque, agora como ministro da Administração Interna, mentiu aos portugueses em variadíssimas ocasiões”. E antecipou que se não respondesse às perguntas dos deputados “a sua idoneidade [iria] sair da audição regimental em condições políticas ainda piores do que aquelas com que [ia] entrar”.

Noutro, o deputado liberal considerou que “o caso de Luís Neves já ultrapassou há muito se deve ou não continuar como ministro” e concluiu ser “evidente que não porque é um mentiroso compulsivo”. “O problema já não é de Neves, ele não pode continuar como ministro. O problema é porque é que Luís Montenegro o mantém em funções, está a causar até problemas dentro do Conselho de Ministros. Montenegro decide sempre em função do seu interesse pessoal, quando deitou abaixo a legistatura, então se mantém Neves é pelo interesse pessoal dele, não é pelo país. O que é que Neves sabe sobre Luís Montenegro? Temos um PM em funções condionado por aquilo que outro sabe sobre ele, temos um PM sujeito a chantagem?”, questionou o deputado da IL.

Na audição, Rui Rocha não só provocou Luís Neves relativamente à utilização do carro de Xuxas, traficante de droga detido, como o questionou sobre pertencer à maçonaria — que o ministro negou —, sobre os empréstimos, as declarações de rendimentos e o caso das sulipas das Infraestruturas de Portugal (IP). O liberal bem tentou, mas Luís Neves limitou-se a responder que “foi um próprio trabalhador” da IP, sem adiantar o nome, apesar das insistências.

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