Segundo exercício anual consecutivo positivo, aumento do ativo e do passivo, mais receitas de Matchday e direitos audiovisuais, um ligeiro acréscimo nos gastos operacionais. A Benfica SAD foi a primeira sociedade entre os “grandes” a apresentar os resultados finais do exercício de 2025/26, numa temporada que terminou apenas com a vitória na Supertaça, chegada ao playoff da Champions e um terceiro lugar no Campeonato que acabou por deixar a equipa na segunda pré-eliminatória da Liga Europa na presente época. No entanto, e a par de todas as conclusões apresentadas pelo conjunto à CMVM, continua a sobrar um assunto cada vez mais premente na realidade nacional e das águias: o processo de centralização dos direitos televisivos.
https://observador.pt/2026/08/08/benfica-lanca-peticao-pela-suspensao-do-modelo-de-centralizacao-dos-direitos-de-tv/
Olhando para as contas apresentadas ao final do dia esta terça-feira, a Benfica SAD fechou o exercício com um resultado líquido positivo de 19,1 milhões de euros “que resulta do crescimento de diversas linhas de receitas recorrentes, do controlo dos gastos operacionais, bem como da evolução favorável do resultado com direitos de atletas e do resultado financeiro”, ainda assim abaixo dos 34,4 milhões de euros de lucro na época de 2024/25. Em paralelo, o resultado operacional foi de 32,4 milhões incluindo direitos de atletas. Já os rendimentos operacionais caíram 7% para 214,4 milhões, muito por culpa da prestação do conjunto encarnado na Champions e da inexistência de Mundial de Clubes, como tinha acontecido no verão de 2025.
Apesar desse dado, houve algumas rubricas com mais receita: os rendimentos de Matchday tiveram um aumento de 8,5% para 45,2 milhões (valor mais elevado na história da sociedade), com destaque para um incremento de 36,3% dos valores recebidos na bilhética de encontros internacionais, ao passo que as receitas de TV também subiram 5,7% para 55,7 milhões não só pelo que estava acordado com a NOS mas também pelo aumento da exploração da linha digital. Também os valores com direitos de atletas foi de 47,4 milhões de euros, num ligeiro acréscimo de 1,4% pela redução de gastos em serviços de intermediação.
Por outro lado, o exercício de 2025/26 teve um ligeiro acréscimo de 1,2% nos gastos operacionais para 229,4 milhões de euros, “numa evolução praticamente explicada pelo aumento das imparidades”. Já o resultado financeiro, apesar da melhoria de 21,4% face ao período homólogo, foi de 10,6 milhões negativos, com passivo a aumentar 8,2% para 513,9 milhões mas o ativo a subir 9,9% para 649,4 milhões face ao período homólogo, “num crescimento que é principalmente explicado pelo aumento do valor do plantel registado na rubrica de ativos intangíveis e pelo crescimento dos montantes a receber de clientes e outros devedores”. Também a dívida líquida desceu 6,1%, para um montante de 184,9 milhões.
https://observador.pt/2026/08/27/nao-vou-comentar-politicas-desportivas-dos-outros-clubes-so-do-meu-rui-costa-responde-a-varandas-e-destaca-vontade-de-palhinha/
“Destaco aquele que é o principal número: um resultado líquido positivo de 19,1 milhões de euros. É o terceiro ano em quatro em que temos resultados líquidos positivos, o segundo consecutivo em que temos resultados líquidos positivos, o que é sempre uma prova de força e de vitalidade. Até num contexto em que começámos a época passada e em que houve um compromisso do presidente de que, apesar do forte investimento que tinha sido feito no mercado passado, íamos ter um resultado tendencialmente positivo, acaba por ser bastante positivo. Depois temos aqui um conjunto de resultados recorrentes, em várias linhas de receita, a bater recordes anuais”, resumiu Nuno Catarino, vice-presidente do Conselho de Administração da Benfica SAD, que em entrevista ao canal do clube voltou a centrar atenções na centralização de direitos.
“O futuro deixa-nos muito preocupados, como temos dito várias vezes, quer em sede da Liga, quer nos fóruns adequados. O facto de lançarmos esta petição é porque achamos que estamos a seguir uma receita de há dez ou 15 anos para uma realidade que já não é a de há dez ou 15 anos. Este projeto de centralização tem algumas pechas, é anacrónico. É tão desadequado que os grandes exemplos que eram sempre dados, o mercado neerlandês e o mercado italiano, estão a decair profundamente. Basta olhar para o que é hoje o calcio comparado com aquilo que já foi. Estávamos a ver [no passado domingo] o jogo Juventus-AC Milan e já só há um jogador de nível…”, comentou o dirigente do clube encarnado a esse propósito.
https://observador.pt/2025/07/09/de-forma-a-evitar-erro-de-consequencias-irreparaveis-benfica-retira-se-do-processo-e-pede-suspensao-da-centralizacao-de-direitos/
“Acreditamos que, para a larga maioria dos clubes em Portugal, até centralizar, juntarem-se e negociarem os seus direitos de uma forma agregada faz todo o sentido. Agora, não acreditamos que faça sentido para todos fazer tudo igual e depois montar uma chave artificial que não reflete aquilo que é a componente social do produto, que vai para além do futebol. Não tem isso em consideração e chegamos a uma solução que não vai ser boa para ninguém e vai ser penosa para todos. Vai ser penoso para todos e vai ser muito mais penoso para o Benfica. Acreditamos que ainda é possível inverter a situação porque vão penalizar aquele que foi o clube que mais inovou na componente do produto. Isto é quase penalizar o mérito, o arrojo de lançar um canal de televisão, de distribuir o seu produto de uma forma que mais ninguém faz no resto do mundo. Isto é bastante pernicioso, para usar uma palavra moderada, e nós vamos combatê-lo”, voltou a assegurar.
“Achamos que vamos ter um muito bom número de adeptos com a petição. E não apenas adeptos do Benfica, também de outros clubes, que vão perceber que temos de arranjar modelos novos para este produto. Primeiro, é preciso valorizar o produto, é preciso fazer o trabalho de casa que estava pensado fazer há sete anos e que não foi feito. Estamos a começar uma casa pelo telhado, sem fundações, sem nada, e o resultado que antevemos, se não se parar agora, não vai ser bom”, concluiu Nuno Catarino a esse propósito.
https://observador.pt/2026/08/29/benfica-comeca-em-san-siro-e-fecha-com-neerlandeses-torreense-estreia-se-na-noruega-como-ficou-o-calendario-completo-da-liga-europa/
Recentrando a análise no Relatório e Contas do exercício de 2025/26, o administrador do conjunto da Luz falou também da subida dos capitais próprios. “É o segundo mais alto da história do clube, um valor bastante alto num contexto europeu. Não há muitos clubes na Europa que tenham este nível de conforto, incluindo na Premier League. Liga Europa em vez de Liga dos Campeões? Não é um motivo de alarme”, assegurou. “Subida do ativo e do passivo? Fizemos um mercado em que realizámos investimentos importantes e fizemos alguns desinvestimentos importantes. O passivo passa os 500 milhões de euros pela primeira vez mas a dívida líquida, que é a métrica mais interessante, baixa, porque arranjámos capacidade de realizar investimentos que já tínhamos feito no passado. Com isso, o ativo também sobe, ultrapassou desta vez os 650 milhões. Ou seja, não andámos entre os 600 e os 650, fomos logo para cima dos 650”, completou.