Um empresário australiano foi condenado, na semana passada, a dois anos e três meses de prisão por crimes relacionados com violência doméstica contra a ex-companheira, incluindo por usar a aplicação da Tesla para controlar remotamente o carro da vítima.
De acordo com o The Guardian, Enrico Pucci, de 50 anos, declarou-se culpado de 30 crimes relacionados com violência doméstica. O tribunal de Parramatta, em Sydney, determinou que terá de cumprir pelo menos 15 meses de prisão antes de poder pedir liberdade condicional.
Os documentos apresentados pela polícia descrevem quatro anos de abusos durante a relação. Um dos episódios ocorreu em novembro de 2025, depois de a mulher ouvir o alarme do Tesla tocar várias vezes durante a noite. Com medo de que o ex-companheiro estivesse a danificar o carro, acabou por não sair de casa. Na manhã seguinte, percebeu que o painel eletrónico do carro tinha sido reiniciado e que tinha sido criado um perfil ao qual não conseguia aceder.
Poucos dias depois, Pucci terá seguido a ex-companheira e dito: “Pensaste que ias escapar a isto? Estou no teu carro. Estou nos teus mapas”. A mulher descobriu que o ex-companheiro conseguia controlar remotamente várias funções do Tesla através da aplicação, incluindo a temperatura, a velocidade e os horários em que o carro podia ser utilizado.
Segundo os documentos apresentados em tribunal, entre 6 e 12 de novembro, Pucci alterou repetidamente a temperatura do carro entre níveis de frio e calor extremos. Também ativou o “Modo Valet”, limitando a velocidade do carro a 40 quilómetros por hora. “A vítima não teve qualquer controlo sobre o seu veículo” desde que o perfil foi criado, referiu a polícia, acrescentando que o homem era a única pessoa com acesso aos controlos através da aplicação da Tesla.
O juiz Peter Feather considerou que o empresário manteve durante os quatro anos um comportamento “coercivo e controlador” sobre a ex-companheira.
Os documentos revelaram ainda outros episódios de violência durante a relação. Em março de 2020, quando a vítima disse que queria separar-se, Pucci terá ameaçado que aquela seria “a última vez” que veria o filho, então com dois anos.
Segundo a polícia, retirou-lhe o telemóvel à força, enviou uma mensagem ao ex-marido da vítima a dizer que ela não conseguia cuidar do filho e depois arrastou-a para junto de um pilar. “Despede-te do teu filho”, terá dito, antes de abandonar o local com a criança.
Em 2021, Pucci terá estrangulado a mulher até ela perder os sentidos. “Tudo ficou em silêncio e a vítima perdeu os sentidos. A vítima acreditou que ia morrer“, referem os documentos.
Stacey tinha comprado o Tesla quando ainda estava com Pucci. Como tinha dificuldades em utilizar a tecnologia do carro, aceitou que o então companheiro registasse o carro em seu nome para, alegadamente, a ajudar a controlar a aplicação.
Depois do fim da relação, em 2025, Pucci terá usado esse acesso para continuar a assediá-la. Além de controlar remotamente o carro, tentou por sete vezes desligá-lo do carregador.
Agora, o homem está a recorrer da sentença e deverá voltar a tribunal no final de outubro. Os 30 crimes incluem perseguição, intimidação, agressão e estrangulamento.
O empresário já tinha sido condenado anteriormente. Em 2017, uma empresa de limpezas de que era proprietário foi acusada de explorar trabalhadores estrangeiros vulneráveis. E em 2022, foi proibido de gerir empresas durante cinco anos devido ao seu envolvimento na insolvência de três empresas que deviam quase 10 milhões de dólares australianos (cerca de seis milhões de euros) a credores.