(c) 2023 am|dev

(A) :: Indústrias vão passar à frente dos centros de dados na ligação à rede elétrica

Indústrias vão passar à frente dos centros de dados na ligação à rede elétrica

Indústrias que consomem muita energia vão ter prioridade na obtenção de capacidade para ligação à rede elétrica, passando à frente dos centros de dados.

Ana Suspiro
text

Os centros de dados não vão ter prioridade na atribuição de capacidade de ligação à rede elétrica para grandes consumidores. O Governo decidiu que estes grandes consumidores não serão equiparados aos setores industriais eletrointensivos no procedimento em curso para a zona de grande procura. A informação foi avançada pela ministra do Ambiente e Energia durante uma audição no Parlamento.

Maria da Graça Carvalho explicou que as indústrias “passam à frente dos centros de dados nas nossas prioridades” porque trazem mais riqueza, mais emprego e mais exportações. Nessa medida, as indústrias eletrointensivas (grandes consumidoras de energia elétrica) vão ser as primeiras a ter o pedido de ligação à rede autorizado sem necessidade de irem a leilão. Os restantes candidatos, incluindo os centros de dados, terão de ir a leilão para obter a ligação pretendida.

Esta visão está em linha com o enquadramento previsto pela Comissão Europeia, afirmou a ministra que não deixou de sublinhar que Portugal tem uma estratégia para atrair os centros de dados que “valem a pena”, em particular os que trazem também investigação científica e indústrias de alto valor acrescentado associadas.

A ligação à rede elétrica será um dos três critérios para o licenciamento de centros de dados que estão entre os projetos que mais energia consomem e que pressionam a rede elétrica.

A água é outro recurso que está a sofrer a pressão da procura dos centros de dados e que será por isso outro critério fundamental na autorização destas instalações que precisam de grandes quantidades para arrefecer os servidores. Os promotores de centros de dados devem trazer soluções para o abastecimento de água que não sobrecarreguem a rede pública nem os recursos em zonas de stress hídrico, ou recorrer a outras tecnologias, afirmou a ministra. Essas soluções serão avaliadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O terceiro crivo para a autorização dos centros de dados será a realização de um estudo de impacte ambiental que será feito com todo o rigor, acrescentou.

Os projetos para centros de dados eram responsáveis pela maior fatia dos pedidos de ligação à rede elétrica para abastecimento que no ano passado atingiram os 40 gigawatts (GW). Mas quando foi lançado o novo procedimento para atribuir capacidade em todo o país, ao abrigo das regras criadas para as zonas de grande procura, as candidaturas firmes caíram para cerca de 10%, o que corresponde a 4 GW. A exigência acrescida de entrega de caução por parte dos promotores explica em parte esta assimetria.

Maria da Graça Carvalho aproveitou ainda para sinalizar que o Governo está prestes a aprovar novos apoios às empresas eletrointensivas para compensar os custos com as licenças de CO2 de forma a aproximar-se dos subsídios atribuídos em Espanha.