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(A) :: O livre dos milhões para um Eduardo que não tem preço (a crónica do Sporting-Galatasaray)

O livre dos milhões para um Eduardo que não tem preço (a crónica do Sporting-Galatasaray)

Após um arranque errático quase a puxar o azar, Sporting levantou-se à procura da sua sorte entre um golo fabuloso de Zalazar e uma atitude exemplar de Quaresma a dar o mote para tudo o resto (3-1).

Bruno Roseiro
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Depois de um arranque entre dúvidas e dores de crescimento, um período de estabilização. O Sporting não teve um início oficial de época particularmente “fácil”, falhando o objetivo de dar continuidade ao que se via na pré-temporada com tremideiras pouco ou nada habituais em momentos críticos do jogo. Na Amadora, custou dois pontos. Na receção ao V. Guimarães, podia ter custado dois pontos. Diante do Alverca, não teve pontos em perigo mas valeu o quinto golo sofrido. A partir daí, entre a goleada em Vila do Conde e o triunfo frente ao Nacional, começou a ver-se outra face de uma formação com a mesma capacidade de criar volume ofensivo mas que ganhou músculo para perceber momentos de jogo e gerir vantagens. Após o caos, veio a bonança. E era essa bonança que os leões queriam manter na Champions frente a uma equipa de “caos”.

https://observador.pt/liveblogs/sporting-galatasaray-leoes-comecam-champions-apostados-em-repetir-campanha-100-vitoriosa-em-alvalade-de-2025-26/

O Galatasaray até começou a época com um inesperado empate caseiro com o Corum mas respondeu a isso da melhor forma com três triunfos consecutivos com dez golos marcados. Ponto comum? A forma como o conjunto liderado por Okan Buruk encontra nos jogos partidos e com bola-cá-bola-lá uma zona de conforto quase decalcada de uma qualquer escola cruyffiana (entre as enormes diferenças, claro), onde não interessa quantas vezes se sofre desde que no final se marque mais uma vez do que o adversário. A recente vitória fora com o Basaksehir foi um exemplo paradigmático disso mesmo, com a gestão possível da vantagem na primeira parte a dar lugar a 25 minutos finais frenéticos com quatro golos e a decisão em cima do apito final. Ciente dessa ideia de jogo, o Sporting procurava o inverso – e queria contar com o fator casa a seu favor.

“São épocas diferentes, entram jogadores diferentes… O Galatasaray é uma equipa muito experiente, que é campeã da Turquia e vai na 19.ª participação na Champions. São muito dominadores e colocam muita pressão na zona da bola. O importante é que começamos em Alvalade e está toda a gente muito motivada para iniciar este trajeto. Esta ambição de jogar uma competição que é um sonho para todos também ajuda e acreditamos que vamos representar o clube da melhor maneira. Queremos dar continuidade à presença da equipa na prova, representar o Sporting da melhor forma e ganhar ao Galatasaray, mas a nossa Champions será sempre o Campeonato”, salientara Rui Borges, também à luz das cinco vitórias em seis encontros que o conjunto verde e branco somou em 2025/26 em contraponto com um Gala que só venceu uma vez fora.

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“É impossível fazer previsões numa Liga dos Campeões. Podemos perder pontos com uma equipa e depois ganhar aos campeões europeus. O meu objetivo agora é ganhar ao Galatasaray. Vamos estar preparados para qualquer momento do jogo. Seja em organização ou ataque rápido, o Galatasaray coloca muita gente no processo ofensivo e estamos preparados para explorar as transições, da mesma forma que estamos para aproveitar um momento mais baixo do Galatasaray e atacar em organização. Queremos estar ao nosso melhor e é importante começar a sentir o carinho dos nossos adeptos”, acrescentara, entre elogios às muitas caras novas do plantel: “Estamos contentes com o rendimento de todos, dos novos aos que já cá estavam. Estamos super confiantes. Se é um ano zero? Queremos continuar o crescimento que temos feito”.

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Entre essa análise a tudo o que a equipa já tinha ou ganhou no verão, Rui Borges deixara duas avaliações mais individuais. Por um lado, sobre Luis Suárez, avançado colombiano que recuperou o sorriso na última vitória diante do Nacional onde marcou e fez uma assistência. “Reabilitado? Estou um pouco confuso com a pergunta. Reabilitado parece que saiu de uma prisão… Não é um assunto”, voltou a frisar. Por outro, em relação a Rodrigo Zalazar e às últimas exibições do uruguaio. “Esperamos mais dele e de qualquer um dos outros. Foi um jogador com um valor muito alto, o maior, mas não olho para ele dessa forma. Vem com uma dinâmica diferente da do Sp. Braga e está a conhecer os novos companheiros. Tudo isso leva tempo. Não tenho dúvidas de que vai fazer os 16 golos outra vez e tenho colocado essa pressão”, assumiu.

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Ainda bem que colocou essa pressão. Durante uma hora, o médio que custou 30 milhões de euros, tornando-se a transferência mais cara de sempre do Sporting e entre clubes nacionais, não conseguiu ter a influência que queria e de que a equipa precisava. Nem no meio, nem quando caía na esquerda, nem no remate de meia distância (que não chegou a tentar). Aí, num livre ganho por Luis Guilherme depois de uma arrancada desde o meio-campo, agarrou na bola, olhou a barreira e colocou a bola na gaveta. Depois de um arranque de jogo para esquecer, numa estreia com vários intervenientes a acusarem o peso de andar numa Champions, os leões carimbavam a reviravolta e selavam uma entrada a vencer na Liga milionária construída na segunda parte, altura em que Eduardo Quaresma pediu assistência ainda antes do pontapé inicial devido a uma indisposição. Debast já se preparava para entrar enquanto o central estava de joelhos mas levantou-se, foi à luta e voltou a dar o mote numa atitude que não tem preço mas faz a diferença entre tantos milhões.

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Ficha de jogo

Sporting-Galatasaray, 3-1

1.ª jornada da Liga dos Campeões

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Espen Eskås (Turquia)

Sporting: Rui Silva; Vagiannidis (Iván Fresneda, 84′), Eduardo Quaresma (Zeno Debast, 84′), Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Altimira, Issa Doumbia (Silas Andersen, 74′); Geny Catamo, Zalazar (Flávio Gonçalves, 66′), Luís Guilherme e Luis Suárez (Ioannidis, 74′)

Suplentes não utilizados: Kaique, Rafael Nel, Irankunda, Pedro Lima, Jesse Derry, Rodrigo Dias e Eduardo Felicíssimo

Treinador: Rui Borges

Galatasaray: Ugurcan Çakir; Sallai, Sánchez, Jakobs, Eren Elmali; Gabriel Sara (Renato Nhaga, 85′), Torreira (Ugochukwu, 85′); Yunus Akgün (Gündogan, 85′), Batrakov (Deniz Gül, 64′), Leroy Sané (Rafael Leão, 58′) e Baris Alper Yilmaz

Suplentes não utilizados: Jankat Yilmaz, Enes Büyük, Bitshiabu, Abdülkerim Bardakci e Berat Lus

Treinador: Okan Buruk

Golos: Gonçalo Inácio (5′, p.b.), Geny Catamo (27′), Luis Suárez (57′, g.p.) e Zalazar (63′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Altimira (22′), Luis Suárez (44′), Elmali (52′), Deniz Gül (80′) e Jakobs (90+4′)

Sem que nada o fizesse prever perante a regularidade das últimas partidas, e num misto de físico com tático, Rui Borges decidiu promover três mudanças na equipa inicial, lançando Vagiannidis e Eduardo Quaresma por trocas diretas com Iván Fresneda e Zeno Debast além da aposta em Luis Guilherme num lado esquerdo do ataque onde nunca esteve propriamente confortável em vez de Flávio Gonçalves. “Experimentou”, correu mal. E a vários níveis, com culpas entre essas opções e a entrada em falso de uma equipa que se perdeu em campo, “afundou” e andou dez minutos a correr atrás da bola… já em desvantagem: depois de um livre lateral de Gabriel Sara desviado in extremis por Gonçalo Inácio para canto após cabeceamento de Davinson Sánchez (4′), o Galatasaray inaugurou o marcador na sequência de um lançamento lateral, com o toque inicial travado a meias pelo poste e Rui Silva antes de Torreira fazer a recarga (6′). Faltou alguma altura, faltou muita concentração, faltou de tudo numa formação verde e branca que estava irreconhecível.

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Na primeira vez que o Sporting foi Sporting, com uma arrancada de Luis Guilherme pela esquerda a fazer a diferença antes da exploração da profundidade com a subida de Maxi Araújo, Luis Suárez marcou mas o golo foi anulado (19′). Em termos práticos, contava zero para o jogo; num plano mais teórico, tinha obrigação de começar a soltar uma equipa que tinha pouco mais de 30% de posse, não existia no último terço e andava a correr sem sucesso atrás daquilo que os turcos faziam entre o mérito da teia que Okan Buruk montou na reação à perda que condicionava e muito a primeira fase de construção dos leões. Quando houve essa capacidade de desmontar o bloco adversário e meter uma transição rápida a passar pelos três corredores, o 1-1 apareceu: Eduardo Quaresma subiu com posse a chamar a si a pressão, Doumbia soltou na esquerda para a combinação entre Maxi Araújo e Zalazar e Geny Catamo aproveitou uma segunda bola na área para atirar sem hipóteses (27′). Estava dado o mote para a viragem no encontro, acabou por ser tudo menos isso.

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As bancadas em vez de assobiar perante tantas precipitações já estavam a apoiar, sentia-se um novo fôlego em Alvalade, o Galatasaray aproveitou esse ar para voltar a encher o peito e rondar com perigo a baliza de Rui Silva perante a incapacidade de saída do Sporting. Luis Suárez ainda teve um remate à figura de Ugurcan Çakir no período de descontos mas eram os turcos que, mesmo sem dar aquele banho dos minutos iniciais, conseguiam aproveitar todas as fragilidades defensivas verde e brancas para criarem perigo, entre um tiro de meia distância de Sallai para defesa segura do guarda-redes leonino (30′) e uma segunda bola na área de Leroy Sané que deixou Gonçalo Inácio no chão mas terminou com um remate em arco por cima (37′). Os fantasmas do passado voltavam a pairar sem que nada o fizesse prever, com uma ansiedade, uma postura errática e uma série de mal-entendidos posicionais que ainda faziam do empate um mal menor…

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Ainda antes da segunda parte, Alvalade “gelou” perante uma súbita indisposição de Eduardo Quaresma que levou à entrada da equipa médica sem que fosse necessária substituição. Rui Borges, na zona técnica, estava com aquela cara de que tudo parecia estar a correr ao contrário do que pretendia. Questão: teria o intervalo sido suficiente para corrigir tudo o que tinha corrido mal na primeira parte? Em parte, sim. A posse ficou mais repartida, o Sporting conseguiu ter mais momentos de circulação e até a agressividade na disputa dos lances era outra. Em parte, não. A pressão feita pelo Galatasaray continuava a condicionar muito as saídas “limpas” dos leões, que faziam a diferença quando os centrais arriscavam conduzir para procurarem depois queimar linhas. Os centrais ou… Rui Silva: foi de um passe do guarda-redes para Doumbia que nasceu um lance em que Luis Suárez foi carregado na área por Jakobs e fez mesmo o 2-1 de penálti (57′).

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Rafael Leão foi lançado de imediato mas foi essa jogada, em que o passe do número 1 verde e branco passou a queimar a zona de pressão para cair em Doumbia, que desbloqueou a melhor versão do Sporting, muito mais capaz de encontrar os espaços para meter transições e mostrar todas as debilidades que tinham sido bem identificadas na antecâmara da partida por Rui Borges. E, também de bola parada, chegou mesmo o 3-1 que mudou por completo o encontro: Luis Guilherme foi carregado perto da área descaído sobre a esquerda depois de uma arrancada do meio-campo, Zalazar agarrou a bola e colocou-se na gaveta por cima da barreira, sem hipóteses para Ugurcan Çakir (63′). O uruguaio iria sair pouco depois numa troca direta com o jovem Flávio Gonçalves mas o tal carimbo de qualidade pedido pelo técnico estava mais do que evidenciado.

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Já depois de um lance maradoniano de Altimira, com uma receção fantástica de pé esquerdo na área depois de um passe picado de Maxi Araújo antes do remate que saiu à figura (70′), o Sporting foi começando a gerir mais a partida. O espaço para as transições estava lá e era ainda mais óbvio, as pernas é que já não seguiam tudo o que a cabeça ia pensando. Ainda assim, o Galatasaray só voltaria a criar perigo numa bola parada do inevitável Gabriel Sara desviada na área com autoridade por Rui Silva (83′), com os minutos a passarem de forma tranquila para uma equipa verde e branca que perdera a “vergonha” da estreia na Liga dos Campeões e contava com um Silas Andersen a varrer qualquer problema até ao apito final que carimbou a vitória.

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