A magia dos jogos adiados faz com que seja possível perceber o que mudou nos dias, semanas ou até meses entre a data original e a data efetiva. No caso da visita do Benfica a Moreira de Cónegos, era possível fazer a comparação entre 23 de agosto e 9 de setembro — ou seja, entre uma equipa que estava a meio do playoff de acesso à Liga Europa, ainda sem esse objetivo alcançado e acabada de golear o Casa Pia em Rio Maior, e uma equipa já europeia e com cinco vitórias consecutivas.
Passaram pouco mais de duas semanas entre a data original e a data efetiva da visita do Benfica a Moreira de Cónegos, é certo, mas a verdade é que a equipa de Marco Silva cresceu e estabilizou nessas duas semanas. Com cinco vitórias consecutivas entre Liga Europa e Campeonato, os encarnados não só garantiram a presença na competição europeia como confirmaram a vontade de voltarem a ser campeões nacionais. E esta quarta-feira, enquanto noutras paragens se disputava o arranque da Liga dos Campeões, o Benfica procurava chegar ao sexto triunfo seguido para cimentar tudo isto.
Ficha de jogo
Moreirense-Benfica, 0-4
3.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos
Árbitro: Fábio Veríssimo (AF Leiria)
Moreirense: André Ferreira, Dinis Pinto (Leandro Santos, 66′), Maracás (Kevyn, 79′), Gilberto Batista, Francisco Domingues, Nile John (Kiko Bondoso, 66′), Stjepanovic, Manuel Mendonça, Rodri, Landerson (Tiago Andrade, 57′), Alexandre Parsemain (Yan Maranhão, 57′)
Suplentes não utilizados: Aranha, Álvaro Martínez, Afonso Assis, Chipyoka Songa, Janderson, Leonardo Vonic
Treinador: Vasco Botelho da Costa
Benfica: Samuel Soares, Daniel Banjaqui, Lenglet, Tomás Araújo, Samuel Dahl (El Karouani, 78′), Leandro Barreiro (Fredrik Aursnes, 66′), João Palhinha, Schjelderup, Rafa (Sudakov, 86′), Prestianni (Lukebakio, 66′), Pavlidis (Jhon Durán, 66′)
Suplentes não utilizados: Trubin, Alessandro Circati, Enzo Barrenechea, Jakub Kaminski, Manu Silva, Claudio Echeverri, Anísio Cabral
Treinador: Marco Silva
Golos: Pavlidis (gp, 45+4′), Schjelderup (55′), Prestianni (59′), Fredrik Aursnes (72′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Gilberto Batista (42′), a Alexandre Parsemain (45+3′), a Landerson (53′), a João Palhinha (75′), a Stjepanovic (87′), a Jhon Durán (90+1′)
“A época é longa e o número de jogos que vamos ter, jogando na Liga Europa e com jogos quinta/domingo ou quinta/segunda obrigatoriamente irá acontecer. E essa era uma das razões para querermos um plantel competitivo. Não queremos só um jogador por posição, para tornar as coisas mais fáceis para quem decide ou para quem joga. Por isso mesmo é que nós queremos competitividade e só assim é que poderemos refrescar. Não falo tanto de rotação só por rodar, é para podermos refrescar. Se virem o calendário… A densidade será enorme. Em alguns dos jogos temos três dias de intervalo, há sempre alguns riscos. Mas para nós o foco é sempre o próximo. O próximo é o mais importante e claramente preparámos a equipa para um jogo muito difícil, é esse o nosso objetivo”, disse o treinador português na antevisão da partida, vincando desde já o facto de os encarnados terem agora quatro jogos no espaço de 11 dias entre Campeonato e Liga Europa.
Assim, esta quarta-feira, Marco Silva não contava com Alexander Bah depois de o lateral dinamarquês ter saído lesionado da visita ao Marítimo e lançava o jovem Daniel Banjaqui na direita da defesa. A grande novidade, porém, passava pela titularidade de Schjelderup, que deixava Sudakov no banco e colocava Prestianni na zona central e nas costas de Pavlidis. Do outro lado, num Moreirense com apenas uma vitória nas quatro jornadas anteriores, Vasco Botelho da Costa não tinha João Veloso, que está emprestado pelos encarnados, e optava por Rodri no meio-campo.
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No relvado muito mal conservado do Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, o Benfica começou de forma avassaladora e poderia ter inaugurado o marcador logo nos instantes iniciais, num lance em que Prestianni apareceu na área a rematar para uma defesa atenta de André Ferreira e Rafa, na recarga, atirou ao lado (6′). Lenglet cabeceou para o guarda-redes do Moreirense encaixar logo a seguir, na sequência de um canto (6′), e os encarnados atuaram por inteiro no meio-campo contrário durante o primeiro quarto de hora.
O domínio da equipa de Marco Silva nunca desapareceu, até porque o conjunto de Moreira de Cónegos não tinha capacidade para ultrapassar a linha do meio-campo com a bola controlada e só chegava perto da área de Samuel Soares com recurso ao futebol direto, mas esmoreceu durante grande parte do primeiro tempo. Os encarnados tinham a bola, mas geriam mais do que atacavam e só voltaram a acordar já perto da meia-hora.
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Com Prestianni como principal inconformado e desequilibrador, o Benfica voltou a ficar perto do golo num lance em que o argentino cruzou da esquerda para a área para Schjelderup rematar ao lado (29′). O momento antecedeu um período de autêntica asfixia encarnada, com Rafa a atirar ao lado (35′), Tomás Araújo a cabecear para André Ferreira defender (35′) e Lenglet a cabecear por cima de forma praticamente consecutiva (38′) — mas a profundidade que ia aparecendo nas costas da defesa quase traiu a estratégia, com Samuel Soares a sair em falso para fazer a mancha a Alexandre Parsemain e Nile John a atirar ao lado com a baliza quase deserta (40′).
Numa altura em que já se antecipava o nulo ao intervalo, porém, o anunciado golo apareceu mesmo. Lenglet foi carregado em falta por Parsemain na grande área, Fábio Veríssimo assinalou grande penalidade depois de ter sido chamado pelo VAR e Pavlidis, na conversão, não falhou e abriu o marcador (45+4′). No fim da primeira parte, em Moreira de Cónegos, o Benfica estava a vencer o Moreirense de forma justa — e até a pecar pelo resultado escasso.
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Nenhum dos treinadores fez alterações no início da segunda parte e o Moreirense pareceu regressar com outra atitude do balneário, subindo as linhas e ocupando mais espaço no meio-campo contrário, obrigando também o Benfica a ter outras cautelas na saída de bola. Landerson acabou por protagonizar o melhor momento dessa fase, com um remate já com pouco ângulo que saiu à malha lateral da baliza de Samuel Soares (48′), mas a reação foi mesmo sol de muito pouca dura.
Ainda antes da hora de jogo, na sequência de uma deliciosa jogada coletiva, Prestianni desequilibrou na esquerda, tirou um adversário da frente e cruzou atrasado para a área, onde Schjelderup apareceu a rematar rasteiro para aumentar a vantagem (55′). Vasco Botelho da Costa reagiu com uma dupla substituição, lançando Tiago Andrade e Yan Maranhão, mas o Moreirense estava em total desnorte e a dupla do costume ia aproveitando: quatro minutos depois, foi a vez de Prestianni arrancar na esquerda, aguentar a carga de um adversário e atirar já na área para fazer o terceiro dos encarnados (59′).
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Com três golos de vantagem, naturalmente, Marco Silva começou a gerir — e lançou Jhon Durán, Lukebakio e Fredrik Aursnes de uma vez, descansando Pavlidis, Prestianni e Leandro Barreiro. Mas não foi pela gestão que o Benfica adormeceu. Já dentro dos últimos 20 minutos e a fazer a estreia absoluta no Campeonato esta temporada, Aursnes apareceu completamente sozinho na área a responder a um cruzamento de Schjelderup na esquerda (72′), aproveitando o facto de a defesa contrária ter ido atrás de Durán.
O treinador encarnado ainda estreou o lateral El Karouani e deu minutos a Sudakov, mas já nada mudou. O Benfica goleou o Moreirense em Moreira de Cónegos, chegou à sexta vitória consecutiva e igualou o Sporting no segundo lugar do Campeonato, a dois pontos da liderança do FC Porto. Na primeira vez em que decidiu juntar Schjelderup a Prestianni, Marco Silva ganhou a aposta e percebeu que tem em mãos uma dupla que é fácil, que pode não sair nada barata e que ainda vai dar muitos milhões.
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