Antes das decisões, a Volta a Espanha continua a ser de Matty Brennan. O sprinter da Visma-Lease a Bike voltou a mostrar na terça-feira, no arranque da última semana da corrida roja, que é o mais rápido da 81.ª edição da Vuelta, com uma larga vantagem em relação aos adversários. Na primeira de duas etapas ao sprint antes de todas as decisões, o comboio da equipa neerlandesa voltou a funcionar como poucos, com Wout van Aert a levar o britânico à quarta vitória nesta que é a sua primeira Grande Volta. A chegada a La Rábida acabou por ficar marcada pela queda de Ivo Oliveira (UAE Team Emirates-XRG) na aproximação final, não produzindo diferenças na classificação geral, que continua a ser dominada por Enric Mas (Movistar).
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“A emoção continua a ser a mesma. É incrível conseguir quatro vitórias quando o plano era uma! Nas etapas que vencemos, seguimos à risca o plano estabelecido. Viram os rapazes ao longo de toda a etapa a trabalharem imenso contra o vento. Terminar assim, com o Wout a levar-me até à linha de chegada numa posição perfeita num final tão caótico, foi ideal. Acho que não há como competir contra isso. Foi uma pena perder o Christophe [Laporte], mas continua a ser incrível o que somos capazes de conseguir, mesmo com um homem a menos. Confiei plenamente no Wout e segui-lhe a roda em todos os momentos. É incrível que ele tenha conseguido colocar-me numa posição tão perfeita num final tão caótico”, explicou Brennan, que se tornou no primeiro ciclista, desde Fernando Gaviria em 2017, a vencer quatro etapas na Grande Volta de estreia.
“Durante todo o dia tentei orientar o Matthew para que se mantivesse numa boa posição, uma vez que havia alguns troços abertos onde podíamos esperar que as equipas da geral tentassem o que vimos no final com a Red Bull-Bora-hansgrohe. Ele esteve sempre colado a mim. Depois, tentámos posicionar-nos muito bem para a rotunda a um quilómetro da meta. Recebemos muita ajuda da equipa até esse ponto, e o nosso plano era ficarmos juntos apenas na reta final. Procurei espaços livres para poder lançar o sprint quando fosse necessário. Ainda era cedo, mas acho que o Matthew conseguiu começar a sprintar no momento perfeito. Claro que vamos tentar novamente amanhã [quarta-feira] e em todas as oportunidades que nos restam na última semana”, disse o belga.
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Antes do contrarrelógio, do regresso da montanha e do circuito de Granada, o pelotão enfrentou mais uma etapa tranquila na Andaluzia, agora com chegada à capital Sevilha. O dia voltava a favorecer um sprint massivo, no qual a Visma partia, uma vez mais, como a grande favorita. A partida deu-se em Dos Hermanas, cidade que nunca tinha recebido o início de uma etapa da Vuelta, e a chegada em terras sevilhanas, que não recebiam a prova desde 2024. Até lá havia que percorrer 185 quilómetros, com apenas 890 metros de desnível positivo acumulado, não se registando qualquer subida no percurso.
A partida real da 17.ª etapa acabou por ser retardada por um problema mecânico de Jan Hirt (NSN), mas nem isso impediu os ataques de Enzo Paleni (Groupama-FDJ United), Sinuhé Fernández (Burgos Burpellet BH) e Fredrik Dversnes (Uno-X Mobility), com o norueguês a ser alcançado pouco depois. A partir daí a diferença do duo para o pelotão chegou a aproximar-se dos seis minutos, mas a corrida começou a aumentar de intensidade nos últimos 60 quilómetros, chegando a haver um corte no pelotão que deixou João Almeida (Emirates). Já em Sevilha, o espanhol foi o primeiro no sprint intermédio, que teve Bryan Coquard (Cofidis) a bater Van Aert na luta pela terceira posição. O asturiano acabou por quebrar a 15 quilómetros da meta e o ataque do italiano viria a ser anulado dentro dos últimos três quilómetros.
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A Uno-X tratou de comandar as operações a partir daí e lançou o sprint mas, apesar de não ter seguido a roda de Van Aert, Matthew Brennan aproveitou o lançamento de Magnus Cort Nielsen (Uno-X) para somar a quinta vitória nesta Vuelta e superar o recorde de Gaviria no Giro. Em termos coletivos, foi o sétimo triunfo da Visma nesta edição, ao cabo de 16 etapas completas, naquela que é a sua Grande Volta mais bem-sucedida nesse capítulo. Jordi Meeus (Red Bull) terminou na segunda posição e Cort completou o pódio. Sem mudanças na geral, Enric Mas vai partir para o contrarrelógio com 2.06 minutos de vantagem para Felix Gall (Decathlon CMA CGM) e 2.10 face a Primoz Roglic (Red Bull).