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As pérolas da tradição britânica, os diamantes e o luto vestido de preto: o adeus a Harald V na Noruega

Cerimónia fúnebre teve como convidadas doze rainhas e princesas de outros país. Elegância discreta marcou a ocasião, com roupas pretas, uso opcional de véu e joias de família, com pérolas em destaque.

Larissa Faria
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Numa quarta-feira de céu nublado em Oslo, com temperatura máxima de 18 graus e ameaça de chuva, vários dos convidados que estiveram no funeral do Rei Harald V da Noruega acompanharam a pé os dois cortejos realizados. No total, o percurso entre o Palácio Real e a Catedral de Oslo, que depois seguiu para a Fortaleza de Akershus, teve cerca de dois quilómetros em marcha lenta — um desafio maior para quem escolheu calçar sapatos com saltos. Sem perder a elegância, as seis rainhas e seis princesas da realeza estrangeira convidadas seguiram a tradição do uso de roupas pretas. Os outfits variavam entre vestidos midi, saias também até aos joelhos e fatos.

Algumas escolheram usar um véu, também preto, para cobrir parcialmente o rosto. Mas um tipo de acessório em especial foi muito presente entre as convidadas: as joias com pérolas. A ligação entre as pérolas e as cerimónias fúnebres teve início em 1861 no Reino Unido, com a Rainha Victoria. Após a morte do seu marido, o príncipe Alberto, a monarca refletiu nas suas escolhas do guarda-roupa o luto que a atravessava: até ao fim da vida, não mais usou joias com cores e roupas que não fossem pretas. As pérolas, que naquele século representavam “lágrimas”, passaram a ser a sua escolha para as aparições públicas até à sua morte, que ocorreu 40 anos depois.

Nesta quarta-feira, em Oslo, a rainha emérita Sonja, viúva de Harald V, usou um colar com várias camadas de pérolas, pulseira e brincos. A Rainha consorte Mette-Marit usou um colar com três filas de pérolas, e a sua filha, a princesa Ingrid Alexandra, usou um brinco simples de pérola e um colar com pequenas pérolas acompanhadas por um pingente de coração com uma pedra encarnada cravejada. A filha mais velha do Rei Harald V, a princesa Martha Louise, usou brincos, uma gargantilha e um colar, todos com pérolas.

Um brinco de pérolas foi usado também pela princesa Ana do Reino Unido, mas o que realmente se destacava era a pregadeira no seu casaco preto, em forma de fita dourada e com diamantes cravejados. Esta será, segundo a Tatler, uma das mais antigas joias da madrinha do Rei Haakon VIII — Anne usa a pregadeira em raras ocasiões há mais de cinco décadas. A Rainha Matilde dos belgas usou uma gargantilha de pérolas e uma pregadeira em forma de borboleta com diamantes, além de um par de brincos em pérolas em formato de gota, que pertenciam à Rainha Fabíola da Bélgica.

A Rainha Letizia de Espanha usou brincos de pérolas em gota e diamantes da casa de joalharia Ansorena e um colar de pérolas que faz parte do acervo da coroa daquele país. A Rainha Máxima dos Países Baixos usou brincos de pérolas e uma pregadeira com pérolas e diamantes do século XIX, que pertencem à coleção da sua família. A sua filha, a princesa Amália, usou brincos de pérolas e diamantes emprestados pela mãe. A Rainha Mary da Dinamarca usou uma pregadeira e brincos com uma pérola com diamantes cravejados, que pertenciam à Rainha Luísa da Suécia, bisavó do Rei Harald V. O mesmo tipo de brincos foi escolhido pela princesa herdeira Victoria da Suécia, que usou também um colar com duas fileiras de pérolas. Um colar com uma única fileira de pérolas foi a escolha da rainha Ana Maria da Grécia.

Kate Middleton, que não esteve presente (possivelmente por estar a acompanhar a princesa Charlotte e o príncipe Louis no seu primeiro dia de aulas deste ano letivo), manteve a tradição noutras ocasiões. Em 2021, na despedida do príncipe Filipe, usou uma gargantilha de pérolas com quatro fiadas cedida por Isabel II — a mesma peça havia sido usada por Diana em 1982. No ano seguinte, quando morreu a Rainha Isabel II, a princesa de Gales usou as pérolas em diferentes ocasiões na semana do funeral.

Até ao dia 9 de outubro, a família real norueguesa e todos os seus funcionários vestem roupas escuras. Este é o período de luto determinado por aquela Casa Real pela morte de Harald V. Aqueles que vestem fardas devem usá-las com um “fumo de luto”, que pode ser um laço, fita ou pregadeira que simbolize este período. Nesta quarta-feira, as rainhas Sonja e Mette-Marit e também a princesa herdeira Ingrid Alexandra e a princesa Astrid usaram sobre a sua roupa um laço vermelho com riscas azuis e brancas, acompanhado de um pequeno retrato de Harald V emoldurado por diamantes. Tais fitas representam a Ordem da Família Real do falecido rei e foram concedidas por este exclusivamente às mulheres do clã norueguês.

O trio real também usou véus: Mette-Marit e Ingrid Alexandra escolheram um curto de tule e a rainha Sonja o mais longo deles, que chegava até ao meio das costas. Os véus, que também foram usados pela rainha Mary da Dinamarca e pela princesa Charlene do Mónaco, estavam presos à cabeça com um chapéu ou bandolete para o cabelo. Mette-Marit esteve na Catedral de Oslo ainda com o chapéu que ajudava a tapar o seu rosto. Nem o uso de pérolas nem o do véu eram obrigatórios no funeral de Harald V, mas demonstram as tradições seguidas e mantidas por várias casas reais.

Foram referidas na lista oficial de convidados da casa real norueguesa a Rainha Rânia da Jordânia, a Rainha Máxima dos Países Baixos, a Rainha Matilde dos belgas, a Rainha Letizia de Espanha, a Rainha Mary da Dinamarca, a Grã-Duquesa Stéphanie do Luxemburgo, a princesa herdeira Victoria da Suécia, as princesas da Suécia Sofia e Madeleine, a princesa Charlene do Mónaco, a princesa herdeira Amália dos Países Baixos, a princesa Sofia de Liechtenstein, a princesa herdeira Kiko Akishino do Japão e a madrinha do Rei Haakon VIII, a princesa Ana do Reino Unido.