Os números nem sempre explicam tudo, os números ajudam muitas vezes a explicar grande parte – e neste caso os números acabam por ser quase infalíveis perante aquilo que se viu no Dragão. Centremo-nos em dois aspetos: 1) Diogo Costa terminou a receção do FC Porto ao Manchester City com oito defesas em dez remates enquadrados, metade daqueles que foram tentados pelos ingleses ao longo da partida; 2) os azuis e brancos não conseguiram sequer ter uma tentativa na baliza de Donnarumma entre os cinco remates tentados, todos quando já estavam em desvantagem. Ah, a isso junta-se ainda um terceiro ponto acima de todos os outros: em 59 encontros realizados na Liga dos Campeões, Erling Haaland leva um total de… 59 golos.
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O regresso do FC Porto à Liga milionária, consolidando-se como quarta equipa com mais presenças desde que existe Champions a partir de 1992 (28 participações, apenas atrás de Real Madrid, Barcelona e Bayern), trouxe a melhor versão do Dragão literalmente do início ao fim, com a equipa a sair aplaudida pelos adeptos que nem mesmo depois do 2-0 marcado no período de descontos abandonaram o recinto mais cedo. Sobrou o orgulho pela vontade e entrega mostradas em campo, sobrou o lamento de não ter havido margem ou possibilidade para alcançar algo mais. No entanto, nem mesmo o peso de todos os números, a começar pelos dois golos sem resposta de vantagem para o City, deitou por terra a ideia de que era possível mais.
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“Diria que foi uma exibição fantástica. Tivemos os nossos momentos e oportunidades. Na segunda parte, conseguimos criar muitos problemas ao Manchester City e defendemos muito bem mas claro que depois não podemos dar um milímetro ao melhor avançado do mundo. A sua eficácia é inacreditável. Mas acho que a exibição foi boa e, uma vez mais, provámos o ADN é que esta equipa tem. É mesmo caso para dizer que tem grandes… Vocês sabem o que quero dizer…”, começou por comentar Francesco Farioli na SportTV.
“Momentos de ansiedade? Não, vi momentos muito bons, combinações fantásticas. Não sei quantas equipas vão jogar desta maneira frente ao Manchester City. Estou muito feliz com a equipa. Mérito do adversário? Jogar frente a uma das maiores equipas do mundo desta maneira… Na minha opinião, foi um jogo de topo. Claro que o resultado não foi o que queríamos, mas se não contarmos com alguns momentos não ideais na nossa grande área e na deles, até diria que merecíamos algo melhor”, acrescentou o italiano.
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“Capacidade para estar no top 8 da Champions? Vamos jogo a jogo. Agora estamos a pensar no Casa Pia, no ano passado perdemos pontos em Rio Maior. O Manchester City já acabou e agora voltamos [ao foco] para a Liga, que é o nosso principal objetivo. Precisamos de recarregar baterias e preparar um jogo que não vai ser fácil. Arbitragem? As imagens relativas ao lance do Gabri Veiga são claras e o gesto antidesportivo do Gvardiol junto ao nosso banco também ficou claro. As coisas poderiam ser diferentes mas está feito”, concluiu o transalpino, que fez a estreia como técnico na Liga dos Campeões aos 37 anos pelo FC Porto.
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Ainda nesse mesmo espaço, Farioli abordou também a ausência de Diogo Costa do top 10 dos nomeados para o prémio de Melhor Guarda-redes do Ano. “É verdade… Já disse o que penso sobre ele várias vezes mas esta noite parece-me que vários jogadores fizeram uma grande exibição, como o Nehuén [Pérez]. Lutou como um leão contra um jogador [Haaland] fantástico. O verdadeiro espírito do FC Porto. Diogo Costa? Na minha opinião deveria estar na lista, mas a minha opinião não conta para nada”, comentou.
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Também Diogo Costa abordou essa ausência após a partida, fintando a pergunta sem disfarçar o sentimento de amargura pela escolha. “Oito defesas? Não quero ganhar sozinho, precisamos todos de toda a gente para ganhar. Tive algumas defesas mas o que importa é que estamos revoltados e tristes por não termos ganho. Ficar fora da lista dos melhores? Não sei quem escolhe isso mas é algo que não me interessa neste momento. Não tenho nada a apontar”, frisou o guarda-redes e capitão dos azuis e brancos à SportTV.
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“Provámos que viemos para competir, queríamos muito ganhar. Depois do 1-0 tivemos oportunidades para ganhar e penso que depois com alguma ansiedade acabámos por sofrer o 2-0. O tanto tentarmos acabou por levar a perder um pouco a concentração a defender. O Manchester City não é uma equipa qualquer. Variámos o nosso jogo, tivemos ocasiões para empatar o jogo mas quando não se marca, e contra esta qualidade, sofre-se. Acho que foi um jogo competitivo, pela pouca experiência que temos como grupo nesta prova… Faltou-nos uma ponta de sorte para empatarmos o jogo e jogarmos com isso. Estamos a aprender e faremos tudo para no próximo encontro correr melhor”, referiu ainda sobre a partida.
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Também Erling Haaland, eleito o MVP da partida pela UEFA, alinhou pelo mesmo diapasão no final. “Não é fácil defrontar o FC Porto, definitivamente. São campeões, têm confiança. Foi complicado, sem dúvida. O segredo foi lutar muito, conseguir marcar e não sofrer. Diogo Costa? Se anunciassem a lista dos melhores guarda-redes do mundo depois do jogo, estaria lá porque fez um jogo muito bom. Duelo contra ele? Estou sempre confiante. O Diogo fez algumas boas defesas mas eu também fiz algumas boas finalizações. Repetia tudo da mesma forma se pudesse”, disse o avançado norueguês também à SportTV depois do bis no Dragão.
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