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João Costa "não descarta responsabilidades" pelos resultados do PISA e aponta cooperação internacional como caminho para a recuperação

À Rádio Observador, João Costa admitiu que o Governo socialista podia ter tido "mecanismos ágeis de antecipação dos resultados", mas sublinhou a necessidade de uma resposta comum dentro da OCDE.

Madalena Moreira
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Maria Vasconcelos
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O antigo ministro da Educação João Costa não “descarta responsabilidades” pelos resultados do PISA 2025, que mostram uma quebra nas aprendizagens de matemática e leitura dos alunos portugueses. Contudo, o responsável pela Educação no último Executivo socialista realça, em declarações à Rádio Observador, que é preciso olhar para os dados no contexto dos restantes países da OCDE e, consequentemente, apostar na cooperação internacional para colmatar as quebras registadas.

“Quando alguém tem funções políticas, não pode descartar responsabilidades”, admitiu o ex-ministro (que nos governos anteriores já tinha sido secretário de Estado da Educação) esta terça-feira. “Obviamente, qualquer pessoa que tenha tido funções públicas e que seja responsável não vai desatar a apontar para todos os lados menos para si próprio. Seria uma enorme desfaçatez”, elaborou ainda.

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Ainda sobre a sua passagem pelo Ministério da Educação, João Costa ponderou que o Executivo “talvez não tenha tido mecanismos ágeis de antecipação dos resultados”, mas recusou apontar qualquer medida concreta dos Governos de António Costa que possa ter contribuído para os atuais resultados — dos quais o atual Ministério da Educação se distanciou.

Essa análise, disse, seria “simplista, facilista” e “enganadora”, uma vez que é necessário enquadrar os resultados na tendência generalizada de queda que se verificou por toda a OCDE. “Estão vários países em choque com os resultados, a própria OCDE diz que este é o pior PISA a nível global desde 2006“, salientou, apontando a necessidade de “os países [se sentarem] à mesa”, com especialistas em educação e tecnologia para fazer frente aos desafios que explicam os atuais resultados: a preponderância das redes sociais, a emergência da Inteligência Artificial generativa e os efeitos a longo prazo da pandemia de Covid-19.

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Neste sentido, aponta algumas medidas do atual Executivo — como a proibição dos smartphones em escolas básicas para propósitos não pedagógicos — como um exemplo que trilha um bom caminho.

Apontados os erros, o antigo ministro congratula-se com o trabalho feito numa das áreas mais críticas: a atenção aos alunos de “contextos socioeconómicos desfavorecidos“. “Acho que não há ninguém que passe por um Governo e não diga ‘gostava de ter feito mais aqui'”, admite, ainda assim. “Não há varinhas mágicas”, rematou, insistindo na cooperação internacional como resposta para identificar problemas e respostas comuns.