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Wout van Aert assiste, Matthew Brennan marca e a Visma deu outra goleada: britânico vence quarta etapa na Vuelta

Numa etapa de "regresso" depois da folga com muito calor, vento e ritmo alto, Matthew Brennan voltou a não dar hipóteses à concorrência e venceu após ser lançado por Wout van Aert. Ivo Oliveira caiu.

Bruno Roseiro
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Um dia de descanso, dois dias com algumas zonas a subir mas sem previsão de grandes ataques, três etapas que serão a chave da decisão da Volta a Espanha: o contrarrelógio individual de 32,5 quilómetros em Jerez de la Frontera na quinta-feira, a chegada a Peñas Blancas numa tirada que pode promover algumas mexidas na sexta-feira e a subida ao Collado del Alguacil no sábado. Estava dado o tiro de partida para os capítulos finais da última Grande Volta da temporada com um vencedor em aberto mas que nunca seria aquele que há muito ganhara a prova depois da queda de Tadej Pogacar que levou o então líder à inevitável desistência.

https://observador.pt/2026/09/06/o-sol-belga-voltou-a-brilhar-no-meio-do-calor-van-aert-correspondeu-a-mais-uma-grande-etapa-da-visma-com-vitoria-ao-sprint-em-cordoba/

Trocado por miúdos, e num dia em que se previa de novo a formação de uma ou mais fugas, Enric Mas não teria propriamente grandes dificuldades em controlar a oposição direta, numa fase em que levava vantagens acima de dois minutos para corredores como Felix Gall (2.06) ou Primoz Roglic (2.10), já com outros nomes como Richard Carapaz (4.24) ou Oscar Onley (5.44) demasiado longe para almejarem a mais do que uma posição no pódio. Já a UAE Team Emirates, que “acusou” em demasia a perda do líder apesar de continuar a lutar por etapas, tinha outro dia sobretudo para acumular forças – logo a começar por João Almeida.

https://twitter.com/TeamEmiratesUAE/status/2096660850467569942

Depois de um início de Vuelta para esquecer que deixou o português demasiado longe dos lugares cimeiros na primeira semana, Almeida tem entrado em várias fugas nas últimas etapas sem encontrar depois aquele “clique” que lhe permitisse sair e discutir a vitória da etapa. Ainda assim, sobravam alguns indicadores que via como positivos numa época que não trará grandes recordações ao corredor da Emirates, bem mais preocupado em debelar por completo os problemas físicos que o têm fragilizado do que propriamente em chegar a grandes resultados que, nesta fase da época, poderiam passar apenas por Mundial ou Europeu.

https://twitter.com/TeamEmiratesUAE/status/2096288922049617922

“Penso que a minha condição está a melhorar aqui, dentro dos meus limites, claro, porque os milagres não acontecem de um dia para o outro. Por isso, continuamos a tentar. Continuamos a dar o nosso melhor. É tudo o que posso fazer. O calor é limitador porque estamos a chegar ao limite do corpo humano, o que é um pouco perigoso”, comentou João Almeida ao Cyclingnews, neste caso fazendo também referência ao calor que se faz sentir no sul de Espanha e que tem interferência na corrida a par do vento, neste caso aquele que podia ser o principal adversário de todo o pelotão esta terça-feira com previsão de vento forte cruzado.

https://twitter.com/carrusel/status/2097267862289162347

“Faz parte da nossa preparação treinar com calor e assim conseguimos pedalar nestas condições. Pedalamos com calma, não há problema, bebemos muita água e refrescamo-nos. Mas competir é diferente, por isso pode ser definitivamente perigoso. Precisamos de cuidar uns dos outros. Sempre sofri muito com o calor. Para mim é difícil e afeta-me muito. Penso que é igual para todos, mas alguns rapazes lidam melhor do que outros. É uma daquelas coisas em que não se pode cometer erros, senão ficamos em grandes apuros. Viram como afetou os rapazes na etapa de sábado, mas também é o dia após dia. A desidratação e o calor não são brincadeira”, acrescentou o corredor português de 28 anos no lançamento da terceira semana de prova.

https://twitter.com/lavuelta/status/2097215366439010556

Um bom exemplo do calor que se tem sentido veio de Matthew Brennan, um dos grandes protagonistas da Vuelta com três triunfos em etapas nas duas primeiras semanas que tinha mostrado o computador da sua bicicleta a marcar uma média de 41º de temperatura com um pico de 44º na etapa de domingo, que acabou por ser encurtada por esses fatores adversos. Agora, o britânico voltava a partir como principal favorito.

https://twitter.com/lavuelta/status/2097048580296950090

A fuga não demorou a formar-se, neste caso com apenas cinco unidades que contavam com Kevin Vermaeke (UAE Team Emirates), Valentin Madouas (Groupama), Simon Dalby (Uno-X), Jasha Sütterlin (Jayco-AlUla) e Roland Thalmann (Tudor). A distância chegou de forma rápida aos 40 segundos, chegou a quase três minutos mas foi depois decrescendo por impacto da Visma Lease-a-Bike, que não queria facilitar perante a possibilidade de trabalhar para Matthew Brennan chegar ao seu quarto triunfo. A 100 quilómetros do final, já com os termómetros a passarem os 30º, a diferença parecia começar a estabilizar abaixo dos dois minutos.

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As vespas amarelas continuavam na frente do pelotão a controlar os ritmos de uma etapa com médias acima dos 45km/hora mas nem por isso foram a tempo de impedir que os cinco fugitivos dividissem entre si todos os pontos do sprint intermédio que existia na etapa, com as principais equipas a terem redobrada atenção aos ataques que podiam surgir em zonas mais ventosas. Kevin Vermaeke acabou por ser o primeiro a passar por essa zona de pontuação, à frente de Sütterlin, Roland Thalmann, Madouas e Simon Dalby. A cerca de 25 quilómetros, o pelotão acelerou finalmente, com um acelerar de ritmo numa altura em que Ivo Oliveira ainda tentava recuperar de uma queda numa zona da etapa em que a estrada ficou mais estreita. Era ali que “começava” finalmente a tirada de regresso da Vuelta, com várias formações a lançarem ataques.

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Ainda sem que soubessem mais notícias do outro corredor português da Emirates a par de João Almeida, a Red Bull começava a acelerar para deixar para trás os principais elementos da Visma enquanto a Jayco-AlUla tentava voltar a colar à frente de um grupo que começava a estreitar com possibilidade de corte, como chegou mesmo a acontecer (Santiago Buitrago foi um dos que ficou para trás), quando faltavam 20 quilómetros para a chegada em Palos de la Frontera. Já com todos de novo agrupados, incluindo Ivo Oliveira, as partes mais técnicas chegavam com todos os potenciais favoritos na frente mas já sem grande organização com todos os cortes feitos e a mudança de pavimento antes de Wout van Aert lançar Matthew Brennan para o triunfo que foi o quarto do britânico nesta estreia em Grandes Voltas e o sexto da Visma na presente Vuelta.

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