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PS vai abster-se na votação da moção de censura do Chega

Líder socialista propôs abstenção na reunião do secretariado desta noite. Carneiro quer manter margem para fazer oposição ao Governo e evitar que o Chega cole PS à AD.

Rita Tavares
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No início da reunião da direção socialista, esta noite, José Luís Carneiro propôs a abstenção do PS na votação da moção de censura desta terça-feira, no Parlamento. Este sentido de voto inviabiliza a iniciativa do Chega — tal como já se previa.

Carneiro fez contactos durante o dia, incluindo membros da comissão política nacional do partido (a direção alargada que já não teve tempo de convocar), e chegou à reunião do secretariado com a decisão tomada, apurou o Observador junto de várias fontes presentes no encontro que decorreu online esta noite.

A decisão foi apresentada aos membros da direção como decorrente da posição dominante que Carneiro diz ter ouvido no partido nas últimas horas. Na reunião ninguém discordou da decisão, segundo apurou o Observador — que, no entanto, durante a tarde tinha ouvido dirigentes mais inclinados para o voto contra (ler mais abaixo neste texto).

Nos últimos dias, o líder socialista já tinha feito saber que a censura do Chega não teria o apoio socialista, ao garantir que “não é pelo PS que haverá crise política e não será pelo PS que o país será lançado no caos político numa altura tão especial da vida mundial.” Por isso, restava saber se o PS teria uma posição mais calculista ou extremada.

Acabou por prevalecer o cálculo político, com José Luís Carneiro a escolher uma posição intermédia, que inviabiliza a moção de censura sem lhe colar a imagem de estar totalmente ao lado do Governo. Na lógica socialista, a abstenção permite contornar uma crise política, mas preservar uma margem de oposição e evitar dar ao Chega o argumento de que os socialistas se alinharam com a AD.

Como descreve um dirigente, na reunião, Carneiro defendeu que “a crise em que o país vive também merece reparo“. Ou seja, o PS não podia deixar que a sua posição nesta moção fosse entendida como um cheque em branco ao Governo.

Na reunião ninguém defendeu o voto contra, segundo apurou o Observador, mas durante a tarde, em contactos com alguns dos membros deste órgão foi possível ouvir argumentos a favor do voto contra, com alguns dirigentes a argumentarem que isso permitiria uma demarcação mais evidente face à extrema-direita.

Por exemplo, um dos dirigentes dizia ao Observador que “a abstenção é posição do cumplicezinho” e que “sendo uma moção do Chega, o PS devia votar contra” até para “tornar clara” a posição do partido face à extrema-direita — sobretudo numa altura em que este flanco teve novo avanço na Europa, com o resultado histórico da AfD este fim de semana nas regionais alemãs.

A moção de censura ao Governo que foi apresentada pelo Chega será debatida esta terça-feira e, durante a manhã, a bancada parlamentar do PS ainda vai reunir-se para discutir a orientação de voto já definida pelo líder.