
A frase
Vários Shaligrams de tamanhos massivos foram descobertos recentemente nas proximidades de Muktinath, no Nepal. De acordo com registros locais, os exemplares encontrados desde o último cataclismo na região são os maiores já desenterrados na história.
— Utilizador de Instagram, 28 de agosto de 2026
Começaram a circular nas redes sociais vídeos e fotografias que alegadamente mostram grandes fósseis de amonites, com milhões de anos, descobertos no Nepal depois da grande enxurrada que atingiu o país no dia 26 de agosto.
“Imponentes pedras shaligrams, fósseis milenares de amonites, surgem no leito do rio Mustang, no Nepal, após o período de fortes chuvas”, pode ler-se numa das publicações. Noutra afirma-se que “vários shaligrams [fóssil de amonite] de tamanhos massivos foram recentemente descobertos nas proximidades de Muktinath, no Nepal. De acordo com registos locais, os exemplares encontrados desde o último cataclismo na região são os maiores alguma vez desenterrados na história”.

Os vídeos e imagens publicados apresentam as estruturas como pedras shaligram e sublinham a sua importância histórica no hinduísmo, onde são consideradas representações sagradas do deus Vishnu.


As publicações começaram a circular depois das inundações que atingiram a região fronteiriça do Nepal com a China. A catástrofe do dia 26 de agosto teve origem numa sucessão de fenómenos nas zonas de elevada altitude dos Himalaias. O colapso de um glaciar lançou grandes quantidades de rocha, gelo e água de degelo para os vales, desencadeando violentas cheias e causando mais de 1.300 mortos e cerca de 5 mil desaparecidos, de acordo com os últimos dados oficiais.
As estruturas gigantes representadas nas publicações não foram, contudo, descobertas pelas águas nem são fósseis naturais desenterrados durante a enxurrada.
As imagens correspondem a esculturas criadas por artistas nepaleses em Jomsom, uma localidade situada na região de Mustang. As obras foram feitas durante um workshop de escultura realizado entre 20 de abril e 4 de maio de 2026, vários meses antes das inundações que deram origem à alegação, de acordo com os meios de comunicação social locais.
Mais de três dezenas de artistas participaram no workshop organizado pela Nepal Academy of Fine Arts, criando esculturas a partir de rochas recolhidas junto ao rio Kali Gandaki, incluindo representações de Buda, dos deuses Shiva, Parvati, Vishnu e animais dos Himalaias.
A maior das obras mede cerca de 6,7 metros de altura e foi promovida como uma atração de turismo religioso na região. Vídeos da cerimónia de inauguração, anteriores às cheias, mostram a mesma estrutura que agora é apresentada nas redes sociais como uma descoberta recente.
A própria Nepal Academy of Fine Arts confirmou à agência noticiosa France-Presse que as alegações que circulam nas redes sociais são “completamente infundadas” e que as estruturas mostradas nas imagens foram criadas durante o workshop. Também a autarquia local confirmou que as fotografias correspondem às esculturas de Jomsom.
Além disso, Jomsom fica a centenas de quilómetros das zonas mais afetadas pelas recentes enxurradas, como Nuwakot, não havendo indicação de que o local onde se encontram as esculturas tenha sofrido uma inundação semelhante à que atingiu as regiões associadas à catástrofe.
Conclusão
É falso que tenham sido encontrados fósseis gigantes com milhões de anos após a enxurrada registada no Nepal. As imagens que circulam nas redes sociais mostram esculturas criadas por artistas nepaleses entre abril e maio de 2026, em Jomsom, e inauguradas antes da catástrofe. Embora as pedras shaligram sejam fósseis de amonites com milhões de anos e tenham importância religiosa, as estruturas representadas nas publicações são obras feitas pelo ser humano e não fósseis descobertos após as cheias do dia 26 de agosto.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.