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Morreu Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara Municipal do Porto

Nuno Cardoso foi autarca do Porto entre 1999 e 2001. Morreu hoje no Hospital de Santo António, com 64 anos. "Dedicou parte importante da sua vida aos portuenses", lembra Pedro Duarte.

Tiago Caeiro
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Miguel Pinheiro Correia
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Morreu Nuno Cardoso, político socialista e antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, avançou esta segunda-feira o Jornal de Notícias e confirmou o Observador junto de fonte próxima do ex-autarca. Tinha 64 anos. Nuno Cardoso terá morrido na madrugada desta segunda-feira no Hospital de Santo António, onde estava internado.

Nuno Cardoso foi presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1999 e 2002. Formado em Engenharia pela Universidade do Porto, entrou na política como assessor do antigo presidente da Câmara do Porto Fernando Gomes, em 1990. Foi, então, responsável pela estratégia de transportes da cidade e colaborou na elaboração da rede do Metro do Porto. Em 1996, foi nomeado presidente da empresa Águas do Douro e Paiva.

Nuno Cardoso acabou por ascender a presidente da Câmara do Porto em 1999, para substituir Fernando Gomes, quando este foi convidado para assumir a pasta da Administração Interna no Governo de António Guterres. Apesar disso, não foi o candidato do PS nas autárquicas de 2001, uma vez que o partido voltou a apoiar a candidatura de Fernando Gomes, que tinha saído do governo.

https://observador.pt/2025/07/29/autarquicas-nos-cidadaos-e-ppm-coligados-no-porto-com-nome-do-ex-autarca-nuno-cardoso/

No entanto, em 2013, Nuno Cardoso voltou a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal do Porto, como independente, sob o lema “Porto de Futuro”. No entanto, a corrida autárquica não lhe correu bem, acabando por convencer apenas 1255 eleitores e recolhendo apenas 1% do total de votos. Apesar disso, não desistiu e, em 2025, voltou a liderar um movimento independente na corrida à câmara.

Porém, tal como acontecera 12 anos antes, não teve sucesso. O movimento “Pensar o Porto” recolheu apenas 1,9% dos votos e ficou longe de eleger sequer um vereador.

De António José Seguro a Pedro Duarte, as reações à morte do “amigo” que viveu dedicado à cidade do Porto

O Presidente da República lamentou a morte de um “engenheiro civil” e “professor” dedicado “inteiramente” à “causa pública”. “Na sua ação como professor, técnico, vereador e, mais tarde, Presidente da Câmara, colocou o seu conhecimento, a sua inteligência e a sua extraordinária capacidade de realização ao serviço da cidade do Porto e do País”, escreveu António José Seguro numa nota publicada no site da presidência.

“Ao seu percurso ficará para sempre ligado o impulso dado a obras e projetos estruturantes para o Porto. Em diferentes momentos e no exercício de distintas responsabilidades, Nuno Cardoso contribuiu decisivamente para uma visão moderna, aberta, culta e ambiciosa da cidade, deixando uma marca que perdurará muito para além do seu tempo. Nuno Cardoso fez da amizade, da lealdade e da ética valores fundamentais da sua vida pública e privada, mantendo-se sempre fiel aos seus princípios e às pessoas que com ele caminharam”, acrescentou o chefe de Estado.

Recentemente, e fruto da ligação à cidade — que ultrapassa o período em que liderou o município —, Nuno Cardoso recebeu das mãos do atual Presidente da Câmara a Medalha de Honra da Cidade. Esta segunda-feira, em reação à notícia da morte do antigo autarca, Pedro Duarte reconheceu o “percurso” e “contributo” dado ao Porto.

“Recebi esta manhã, com profunda tristeza, a notícia do falecimento do Eng.º Nuno Cardoso. Ainda este ano, tive a honra de lhe entregar a Medalha de Honra da Cidade, um reconhecimento pelo seu percurso e pelo seu contributo para o Porto. Foi Presidente da Câmara Municipal do Porto e marcou indubitavelmente a vida da nossa cidade, deixando a memória de um homem que dedicou parte importante da sua vida aos portuenses. À sua família e amigos, deixo as minhas sentidas condolências e um abraço neste momento de profunda dor”, lê-se na publicação de Pedro Duarte no Facebook.

Nessa ocasião, o atual autarca destacou o impacto de Nuno Cardoso numa fase de “transformação” da cidade. “Pensou a cidade, planeou a cidade e ajudou a prepará-la para alguns dos seus momentos mais importantes de transformação. E, acima de tudo, permaneceu ligado ao Porto com uma dedicação determinada, discreta e constante”, elogiou.

Essa cerimónia ficou também marcada pela homenagem a Rui Moreira, também ele antigo autarca. O antecessor de Pedro Duarte foi outra das vozes que se uniu às mensagens de lamento pela morte de Nuno Cardoso. “Morreu um amigo. Conheci-o em 2000, nunca deixámos de ser amigos. O Nuno era um homem com grandes qualidades. Para os amigos e família fica o meu abraço”, escreveu Rui Moreira no Facebook.

Rui Rio, sucessor de Nuno Cardoso à frente da autarquia, reagiu à notícia com tristeza. “Partiu cedo demais o meu antecessor na Câmara do Porto. O destino foi injusto com ele. Os meus sinceros pêsames à sua família e amigos”, escreveu o ex-presidente do PSD.

José Luís Carneiro também se desdobrou em elogios a uma “figura marcante da história recente do Porto”, que deixa “uma memória que permanecerá ligada à vida pública e autárquica portuguesa”. “O Porto perde alguém que dedicou uma parte importante da sua vida à cidade e aos portuenses. Enquanto Presidente da Câmara Municipal, mas também ao longo de todo o seu percurso cívico e político, serviu a causa pública com dedicação, determinação e um profundo conhecimento da cidade que tanto estimava”, escreveu o secretário-geral do PS.

A Câmara Municipal do Porto destacou, através de um comunicado, o papel de Nuno Cardoso em matérias estruturantes para a cidade, como o Metro do Porto, o Porto 2001 e o Euro 2004. “Nuno Cardoso dedicou grande parte do seu percurso ao serviço público e à cidade do Porto, tendo exercido funções como vereador do Urbanismo e presidente da Câmara Municipal, entre 1999 e 2002. (…) Figura com um papel relevante na modernização e no desenvolvimento urbano do Porto”, lê-se na nota publicada nas redes sociais. Esta terça-feira, dia em que se realizará o funeral de Nuno Cardoso, o executivo municipal irá apresentar um voto de pesar na reunião habitual.

Sérgio Aires, cabeça de lista do Bloco de Esquerda na corrida autárquica à Câmara do Porto, lamentou a morte de Nuno Cardoso, lembrando um adversário humanista e com “um amor incondicional ao Porto”. “Há cerca de um ano, nas últimas eleições autárquicas, fomos adversários. Representávamos projetos políticos muito diferentes, mas o Nuno fazia questão de nos recordar, pela forma como se relacionava connosco, uma coisa que a política por vezes esquece: um adversário não é um inimigo. (…) Alguém com quem foi possível ser adversário sem deixar de haver respeito, simpatia e até cumplicidade em alguns momentos”, escreveu Sérgio Aires no Facebook. Mensagem semelhante partilhou Hélder Sousa, candidato pelo Livre à Câmara do Porto: “Mesmo discordando da sua visão para a cidade, admirava-lhe a persistência e a tranquilidade com que debatia ideias opostas às suas”.

Manuel Pizarro, candidato derrotado em eleições passadas e antigo ministro da Saúde, lembrou já ter sido “aliado” e “adversário político” de Nuno Cardoso, mas destacou o antigo Presidente como “um vulcão de ideias e de energia”.

Fora do município do Porto, também chegaram homenagens da autarquia vizinha de Matosinhos. Narciso Miranda, ex-presidente da Câmara de Matosinhos, destacou “um homem bom”. “Quero apenas sublinhar aquilo que, para mim, verdadeiramente importa: morreu um homem bom e quando morre um homem bom fica a saudade, a memória e, sobretudo, a gratidão por termos tido o privilégio de o conhecer e de com ele partilhar momentos da vida”, escreveu o antigo autarca no Facebook.

A Metro do Porto, empresa na qual Nuno Cardoso foi administrador não executivo, recordou o impacto do engenheiro no desenvolvimento da mobilidade no município e na rede de metro, tornando-se um “dos maiores responsáveis pelo desenho de uma nova estratégia de transportes para a cidade do Porto”. “Nuno Cardoso dedicou uma parte significativa da sua vida à causa pública, tendo desempenhado um papel relevante em diversos projetos cruciais para o desenvolvimento da cidade do Porto, entre os quais se encontra o do Metro”, pode ler-se na nota publicada no site da empresa.

Por sua vez, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) lamentou a morte do antigo professor auxiliar convidado — na mesma instituição onde se formou. “É precisamente nesta ligação entre engenharia, conhecimento e serviço público que a FEUP reconhece uma dimensão particularmente importante do seu legado”, lê-se na nota divulgada pela faculdade.

Funeral de Nuno Cardoso realiza-se esta terça-feira. Câmara decreta luto municipal

O funeral de Nuno Cardoso será realizado na terça-feira, na Igreja da Lapa, no Porto. Seguirá, depois, para o Peso da Régua, de onde era natural o antigo autarca, confirmou a família à agência Lusa. O corpo do engenheiro, que morreu aos 64 anos, seguirá ainda esta segunda-feira para a Lapa, “onde ficará em câmara ardente” até à missa de corpo presente, na terça-feira.

“Após a cerimónia religiosa, o funeral seguirá para o jazigo de família, no Peso da Régua, onde terá lugar a última despedida em ambiente reservado aos familiares e amigos mais próximos”. A família, citada pela Lusa, agradece “todas as manifestações de carinho, solidariedade e respeito que tem recebido”, pedindo “que a sua privacidade seja respeitada durante este período de luto”.

O presidente da Câmara do Porto decretou ainda dois dias de luto municipal, na terça e na quarta-feira, de acordo com um despacho a que a Lusa teve acesso. “Como expressão de uma justa homenagem, entendi decretar dois dias de Luto Municipal, nos dias 08 e 09 de setembro de 2026, e manifestar profundo pesar e grande tristeza pelo falecimento do Engenheiro Nuno Cardoso, dirigindo a todos a nossa solidariedade”, lê-se no documento assinado por Pedro Duarte.