Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos internacionais
O secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, admitiu este domingo que os Estados Unidos podem não conseguir chegar a um acordo nuclear com o Irão que impeça Teerão de desenvolver armas nucleares.
“Pode não haver um acordo nuclear”, afirmou Wright numa entrevista à ABC News, quando questionado sobre as perspetivas de um entendimento entre Washington e Teerão.
O governante admitiu que, perante a ausência de um acordo, os Estados Unidos poderão recorrer novamente à força militar para eliminar a capacidade iraniana de produzir e utilizar mísseis. “Pode ser simplesmente [uma questão de] destruir as capacidades que têm para o fazer”, disse. Em alternativa, acrescentou, “um acordo pode esperar pela próxima liderança no Irão“.
Wright garantiu, contudo, que os Estados Unidos não estão a abandonar os esforços diplomáticos e que Washington está “sempre aberto a um acordo“. Numa outra entrevista, à CBS, o secretário da Energia afirmou que o “maior papel” desempenhado atualmente pelas forças norte-americanas na região do Golfo é “impedir as exportações de energia iranianas”.
“Estamos a estrangular a economia deles [Irão] para tentar conseguir uma mudança de política por parte do regime existente ou um novo regime”, afirmou.
Já numa entrevista à CNN, Wright também recusou garantir que o Estreito de Ormuz é atualmente seguro para os petroleiros, a menos que estes sejam escoltados pela Marinha norte-americana. Questionado sobre se os navios mercantes podem atravessar o estreito em segurança, respondeu: “Se quiserem trabalhar com a Marinha dos Estados Unidos, penso que podem“.
“Estamos a conseguir fazer passar muitos navios, mas, claro, isso exige a intervenção das forças militares dos EUA. Não estamos aos níveis anteriores ao conflito”, afirmou o secretário da Energia.
Sobre se a presença da Marinha norte-americana na região terá de se manter por tempo indefinido, Wright disse que essa é a realidade atual, mas defendeu que outros países devem participar no esforço para garantir a circulação marítima: “O comércio é importante para o mundo. Não deve ser apenas responsabilidade dos Estados Unidos”.
Wright foi ainda questionado pela CNN sobre se considerava que os Estados Unidos continuam em guerra com o Irão. “Continuamos num conflito, sem dúvida”, respondeu.
https://observador.pt/2026/09/04/as-vezes-as-coisas-acontecem-jd-vance-reage-a-ataque-aereo-dos-eua-que-matou-quatro-pessoas-incluindo-uma-crianca-num-casamento-no-irao/
As declarações surgem após o vice-presidente norte-americano, JD Vance, ter recusado, na quinta-feira, classificar a situação como uma guerra, preferindo falar num “conflito militar”. Donald Trump defendeu posteriormente Vance, afirmando: “Muitas pessoas não lhe chamam guerra. Eu chamar-lhe-ia um conflito militar, porque é uma coisa pequena para nós… não é nada de importante”.