Uma cidadã brasileira, que trabalhava nos EUA há cinco anos, foi deportada para a Libéria depois de ter passado mais de um ano em centros de detenção geridos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). Paola Santos, de 21 anos — que entrara nos EUA de forma ilegal mas dizia ter autorização de trabalho — passou mais de 16 horas algemada antes de chegar àquele país africano, segundo contou a própria ao site da Globo.
A jovem entrou ilegalmente nos EUA em 2021, através da fronteira com o México, mas alega que tinha autorização de trabalho no estado de Massachusetts, onde morava. Em 2025, Paola estava a dirigir-se para o trabalho (fazia limpezas em obras) quando o carro onde seguia começou a ser perseguido por agentes do ICE. Paola Santos alega que apresentou documentos aos agentes, mas conta que a morada registada nos serviços de imigração era diferente da que constava na sua carta de condução — o que terá levado à detenção.
Durante os últimos 15 meses, a brasileira esteve em centros de detenção nos estados de Massachusetts, Connecticut, Vermont, Texas e Louisiana, até que, há duas semanas, foi transportada de avião para um destino desconhecido. Paola Santos conta que pediu insistentemente a um agente do ICE para que lhe dissesse para onde a levavam, mas sem sucesso. “Falei com ele: ‘Se você não me falar para onde você está me mandando, eu não irei descer do ônibus’. E ele: ‘Se você não descer por vontade própria, a gente vai ter que fazer uso de força'”, lembra Paola.
https://observador.pt/2026/09/02/imigracao-ilegal-operacao-maca-podre-faz-mais-de-dois-mil-detidos-em-nova-iorque/
A brasileira só descobriu o destino do voo quando desembarcou, depois de uma viagem de 16 horas, realizada com pés e mãos atados. “Bem-vindos, vocês estão na Libéria”, informou depois o ICE, segundo Paola. A brasileira está agora num hotel naquele país da costa ocidental de África, enquanto se tenta adaptar à nova realidade. “Eu tinha uma vida boa, vivia tranquilamente, ajudava a minha mãe”, diz Paola, recordando a vida que tinha nos EUA.
A cidadã brasileira terá feito parte dos primeiros grupos de imigrantes ilegais a desembarcarem na Libéria depois do acordo firmado entre aquele país e os EUA em agosto. A Libéria aceitou receber até 1.200 africanos, bem como nacionais da América do Norte, América do Sul e Caraíbas, provenientes dos EUA.
A Justiça dos EUA impede as deportações de imigrantes para os países de origem, pelo que a Administração Trump decidiu firmar acordos com vários países, nomeadamente africanos, para que estes recebam imigrantes ilegais. O site da Globo conta a história de um outro cidadão brasileiro que foi deportado para a Guiné Equatorial. Pietro Graza de Lima vivia na Flórida, e trabalhava como cozinheiro, quando foi detido pelo ICE e deportado.
Só em agosto, o ICE deteve 50.925 pessoas, um novo recorde mensal desde que a atual administração norte-americana decidiu intensificar a detenção de imigrantes ilegais. Apesar de tudo, a meta estabelecida pelo Presidente dos EUA (de deter um milhão de imigrantes ilegais por ano) está longe. Em 2025, foram realizadas pelo ICE cerca de 328 mil detenções.