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(A) :: Sismo na Venezuela. Associação distribui ajuda humanitária angariada em Portugal

Sismo na Venezuela. Associação distribui ajuda humanitária angariada em Portugal

Os 10 contentores enviados contêm alimentos, medicamentos, produtos de higiene pessoal e material cirúrgico. Sete contentores saíram de Lisboa e os outros três do Porto de Leixões.

Agência Lusa
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A Associação Amigos da Diáspora e os Emigrantes Madeirenses (AADEM) anunciou esta segunda-feira que prevê distribuir a luso-venezuelanos afetados pelo duplo sismo de junho 240 toneladas de ajuda humanitária angariada em Portugal, nas próximas semanas. 

O anúncio foi feito pelo presidente da AADEM, Moisés Rodrigues, que se encontra em Caracas a tratar do processo de desalfandegamento da ajuda e a verificar a capacidade das associações portuguesas locais para a receber.

“O objetivo desta vinda à Venezuela é, em representação do conjunto das associações que fizemos para a colheita da ajuda humanitária, desde as ilhas ao continente, fazer a entrega oficial dos contentores de ajuda humanitária”, disse à Agência Lusa.

Segundo Moisés Rodrigues, “no total, são 10 contentores, 7 saídos de Lisboa e 3 do Porto de Leixões, com uma carga total de 240 toneladas”.

“Quatro já se encontram em território venezuelano, dois em processo de alfândega, para serem libertados, e os outros dois deverão estar disponíveis já na próxima semana”, declarou.

Rodrigues explicou ainda que se trata de ajuda humanitária recolhida pela sociedade civil em Portugal, por venezuelanos e lusodescendentes “que sentiram na pele a dor do que aconteceu na Venezuela”.

“Nestes contentores temos alimentos, medicamentos, insumos médicos, desde máscaras, luvas, batas, material cirúrgico, fraldas para bebés e adultos, e artigos de uso pessoal”, precisou, sublinhando que a angariação foi feita sabendo que a entrega demoraria algum tempo a chegar à Venezuela, porque o envio seria por via marítima devido a questões de logística internacional.

A entrega inicial, afirmou, será feita a dez instituições locais, entre elas a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, o Lar Geriátrico de Maracay, a “Regala Una Sonrisa” (Oferece um sorriso), as Peregrinas de El Junquito, a Venexos, a Consulta Salud (Saúde) e a Ajuda-Caritativa.

Entretanto, já foram feitos contactos com associações nas cidades de Los Teques e Valência, além da Cáritas Valência e da Cáritas Caracas, que vão receber a segunda remessa de ajuda humanitária.

“Nesta primeira fase, as organizações já contactadas vão receber entre 10 a 15 paletes cada uma e, por isso, foi importante determinar qual a capacidade instalada de cada uma delas”, frisou.

Por outro lado, explicou que a AADEM pondera também, no futuro, apoiar monetariamente várias instituições na Venezuela.

Moisés Rodrigues anunciou ainda que, para angariar fundos, a AADEM e outras associações estão a promover, na Madeira, uma festa gastronómica venezuelana que vai decorrer entre 18 e 20 de setembro, que será transmitida pelo canal “Na minha Terra TV” através da Internet. Estão ainda agendadas várias atividades a realizar no continente entre outubro e novembro próximos.

A AADEM está, finalmente, a vender rifas para financiar o envio, para a Venezuela, de 27 toneladas de medicamentos que foram doados em Portugal continental, anunciou.

O presidente da AADEM lamenta que a situação na Venezuela esteja a deixar de ser notícia e insiste que, internacionalmente, “as pessoas não têm noção do que realmente aconteceu” no país.

“Quem conheceu La Guaira, antes do sismo, ao vê-la agora, recebe um choque emocional e visual muito grande. O cenário de destruição é muito forte, maior do que se pode ver na televisão; só quem está no terreno consegue ver a realidade”, disse.

O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.

Entre as vítimas mortais há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.